Moderna encerra quarta-feira, maioria dos alunos inscreveu-se noutras universidades
Lisboa, 30 Jan (Lusa) - O último dia do ano marca também o fim da Universidade Moderna, cujo encerramento compulsivo ordenado em Outubro forçou os alunos a inscreverem-se tardiamente noutras universidades, pondo em risco o primeiro semestre.
"O principal problema foi o tempo gasto no processo" disse à Lusa Alexandre Ramalho, que dirigia a associação de estudantes daquela instituição, criada em 1986 e que tinha cursos a funcionar em Lisboa, Beja e Setúbal.
Fazendo uso dos mecanismos legais para transferências e mudanças de cursos, a maioria dos 470 estudantes do pólo de Lisboa da Moderna conseguiu encontrar colocações tanto em universidades privadas como públicas, apesar das perdas de tempo inerentes à obtenção dos documentos necessários à transferências.
"Mas muitos vão acabar por perder o primeiro semestre", lamentou o dirigente associativo.
Foi a 03 de Outubro que o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Mariano Gago, determinou o encerramento compulsivo da Moderna até ao final do ano por falta de viabilidade económico-financeira, grave degradação institucional e incumprimento de requisitos de funcionamento nos cursos ministrados pela instituição em Beja e Setúbal, a nível institucional e pedagógico.
Na decisão pesou a falta de garantias para solução da grave situação financeira da Cooperativa Dinensino, proprietária da universidade, caracterizada por um enorme passivo, incluindo dívidas ao Estado, à Segurança Social e a docentes.
Segundo o despacho de Mariano Gago, faltaram também garantias de estabilidade institucional que permitissem o normal funcionamento da instituição e a qualidade do ensino nele praticado.
Enquanto isso, a Dinensino está a funcionar em regime de gestão corrente desde que a direcção se demitiu, no princípio de Dezembro, devendo os seus novos órgãos sociais ser eleitos em Janeiro.
Pela frente tem a anunciada venda em hasta pública do Pólo das Artes da Universidade Moderna, na Avenida da Índia, em Lisboa, penhorado por uma dívida fiscal de quase cinco milhões de euros.
De acordo com o último caderno de execuções fiscais do distrito de Lisboa, o valor base de licitação é de 1,414 milhões de euros, para pagamento da dívida de 4,965 milhões de euros, devendo as propostas ser abertas a 03 de Março.
Na hipótese de não cumprimento do despacho de Mariano Gago, ou seja de não se confirmar o encerramento da Universidade e a cessação dos cursos de Beja e Setúbal até quarta-feira, último dia do ano, o documento refere que essa situação será comunicada às autoridades administrativas e policiais competentes para procederam ao seu encerramento coercivo.
CM.