Negociações entre Governo e Sindicato dos Enfermeiros Portugueses prosseguem

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A reunião entre o Sindicato de Enfermeiros Portugueses (SEP) e o ministro da Saúde prossegue esta quinta-feira à tarde. Depois do encontro de terça-feira ter sido inconclusivo ficou marcada uma nova ronda de negociações. A reunião acontece no quarto dia de fortes protestos a acompanharem por todo o país a greve marcada por outros sindicatos de enfermeiros.

"Houve propostas e contrapropostas nesta discussão e a reunião foi inconclusiva. Foi suspensa e continua na quinta-feira", disse o presidente do SEP, José Carlos Martins, à saída da reunião da passada terça-feira, que durou cerca de cinco horas.

O primeiro-ministro manifestou na quarta-feira esperança de que nos próximos dias Governo e SEP cheguem a um acordo e sustentou que o projetado descongelamento das carreiras vai beneficiar especialmente o setor de enfermagem.

Contudo, António Costa apenas se referiu ao SEP, "que tem mantido negociações com o Governo desde abril", e não aos dois sindicatos que avançaram para a greve, SIPE (Sindicato Independente dos Profissionais de Enfermagem) e SE (Sindicato dos Enfermeiros).

"Tem havido uma postura construtiva por parte do Governo para procurar identificar questões que são justas, que são compatíveis com a nossa estratégia orçamental e tendo em conta o equilíbrio que temos de ter entre as diferentes carreiras, entre as carreiras gerais, para não criar situações de desigualdade relativa. Esse é o trabalho que tem sido feito pelos ministérios da Saúde e das Finanças e tenho esperança de que se encontre um acordo com o SEP nos próximos dias", declarou António Costa.


Em relação ao descongelamento das carreiras, o primeiro-ministro disse que se trata de um dos assuntos em discussão com o SEP.

"O descongelamento de carreiras será especialmente benéfico no caso dos enfermeiros, já que têm um sistema de avaliação e de pontuação majorado relativamente aos outros quadros da administração pública. O impacto será mais positivo", sustentou.

Outro tema que tem estado em análise, segundo António Costa, é relativo à aplicação das 35 horas de trabalho semanais para enfermeiros com contratos individuais de trabalho.

"Há também a situação específica das novas gerações de enfermeiros especialistas que têm uma situação diferenciada face aos antigos enfermeiros especialistas e aos enfermeiros gerais. São estes os temas que têm estado em análise, ainda não há acordo, mas está marcada uma nova reunião para prosseguir a negociação com o SEP, creio que para quinta-feira", referiu António Costa.

A reunião desta quinta-feira com o SEP acontece no quarto dia de fortes protestos a acompanharem por todo o país a greve marcada pelo SIPE e pelo SE, que decorrerá até sexta-feira, contra a recusa do Ministério da Saúde em aceitar a proposta de atualização gradual dos salários e de integração da categoria de especialista na carreira.

Estes profissionais reclamam ainda a aplicação do regime das 35 horas semanais de trabalho a todos os enfermeiros.
Cerca de seis mil cirurgias adiadas
A adesão à greve dos enfermeiros foi de 90 por cento no turno da noite, disse o sindicalista José de Azevedo, adiantando que desde o início da paralisação já foram adiadas seis mil cirurgias de rotina.

"Hoje estamos já nos 90 por cento de adesão no que diz respeito ao turno da noite que terminou hoje de manhã. Na quarta-feira, terceiro dia de greve a adesão fixou-se nos 89%".

José de Azevedo referiu também que desde o início da greve cerca de seis mil cirurgias de rotina foram adiadas.

"Ontem fizemos um cálculo de que cerca de seis mil cirurgias de rotina foram adiadas durante todo o período da greve. Isto dá uma média de 80 a 90 por cada grande hospital".

O presidente do SE disse também estar satisfeito com as declarações do presidente da Associação dos Administradores Hospitalares, que declarou não terem sido ainda marcadas faltas injustificadas aos enfermeiros em greve.

"As declarações de Alexandre Lourenço vêm ao encontro ao que os enfermeiros já tinham dito e são muito importantes por virem de quem vem", disse.

Os hospitais foram alertados pela tutela para estarem atentos a "eventuais ausências de profissionais de enfermagem" durante o período da greve, cuja marcação foi considerada irregular pela secretaria de Estado do Emprego.

Os administradores hospitalares avançam que há várias centenas de cirurgias adiadas desde segunda-feira.

Alexandre Lourenço, presidente da Associação dos Administradores Hospitalares, assume à Antena 1 que está preocupado com os impactos do protesto e avisa que vai ser preciso muito tempo para recuperar.

O presidente da associação garante ainda que não foram marcadas faltas aos enfermeiros, até porque a lei não o permite.

Os administradores hospitalares apontam para uma participação na greve entre os 30 e os 60 por cento, bastante abaixo das estimativas avançadas pelos sindicatos que convocaram o protesto.

A Secretaria de Estado do Emprego considerou irregular a marcação da greve, alegando que o pré-aviso não cumpriu os dez dias úteis que determina a lei.


c/Lusa

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Governo, enfermeiros, greve, negociações, protestos,

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