Presidente da República pede desenvolvimento sustentado para décadas e não para ciclos eleitorais

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O Presidente da República apela ao investimento a médio prazo, depois de resolvidos " os problemas de gestão dia-a-dia". Marcelo Rebelo de Sousa pede um desenvolvimento sustentado para várias décadas e não apenas para ciclos eleitorais de quatro anos. O Presidente esteve no lançamento de um novo projeto, desenvolvido e lançado em Portugal.

O Presidente da República exortou esta segunda-feira o país a pensar nas próximas décadas, e não em ciclos eleitorais de quatro anos, para que projetos inovadores como o que visitou em Torres Vedras possam crescer sustentadamente.

"Agora é ocasião de olharmos estrategicamente para o médio prazo, resolvidos os problemas do dia a dia, de gestão do quotidiano, é olhar para o médio prazo, para que o crescimento de projetos inovadores como este conheçam ritmos mais fortes e sustentados nos próximos anos", afirmou Marcelo Rebelo de Sousa.

A servir de exemplo estava o U-Safe, uma boia telecomandada capaz de efetuar salvamentos em alto mar, em condições extremas. Um produto desenvolvido em Portugal e que é agora capaz de conquistar o mundo.

"Temos de pensar em Portugal nas próximas décadas, não em ciclos eleitorais de quatro anos, ou de ciclos eleitorais de cinco anos. Não, temos de pensar muito para além disso", pediu.
Bóias telecomandadas
Na inauguração da unidade, que vai fabricar as boias telecomandadas para salvamento marítimo, Marcelo ouviu detalhadamente do autor do equipamento e presidente da empresa NORAS Performance, Jorge Noras, explicações acerca do processo de construção da boia denominada U-Safe.

"O mais impressionante é a cumulação de algo revolucionário que é criado, parecendo simples, mas é revolucionário", considerou.


"Em segundo lugar, a capacidade de concretizar em tempo singular, em terceiro lugar a preocupação com o desenvolvimento, para além do que foi feito, o que se pretende fazer de imediato, a dimensão internacional", disse o Presidente da República.

Para o chefe de Estado, a criação deste equipamento terá uma "polivalência de efeitos para a economia portuguesa, para o turismo, para a saúde pública, desenvolvimento tecnológico, para o desporto".

O diretor-geral da empresa, Eduardo Filipe, explicou que serão criados no imediato 50 postos de trabalho em Portugal, um número que será duplicado em 2018 com novos funcionários na Austrália e nos Estados Unidos da América. Segundo a mesma fonte, cada boia tem um custo de seis mil euros.
"Vocação marítima"

Marcelo Rebelo de Sousa disse, ainda, que a data de hoje "não é só dia de São José Operário ou o Dia do Trabalhador. É o dia da carta de Pedro Vaz de Caminha dirigida a D. Manuel I, datada de 01 de maio de 1500, e em que é comunicada a descoberta de novas terras (Brasil), momento marcante para a história nacional".

O Presidente fez então uma comparação entre as descobertas de há 517 anos e a deste novo equipamento.

"Naquela altura foi essencial para a nossa estratégia aportar à costa do Pacífico, agora é essencial termos Jorge Noras, que tem o que de mais avançado em termos científicos e tecnológicos, e ainda por cima no quadro da nossa vocação marítima", elogiou.

Jorge Noras disse que se trata de "um produto único que tem como principal valência ajudar a salvar vidas" e anunciou que será lançada oficialmente a 04 de novembro, em Lisboa, por ocasião do evento Volvo Ocean Race, tendo convidado Marcelo a estar presente.

O chefe de Estado aproveitou a ocasião, para desde já, aceitar o convite. Na cerimónia, o presidente da empresa anunciou ainda a criação de uma fundação sem fins lucrativos - Fundação NORAS -, que será liderada pelo padre Vítor Melícias.

Além do chefe de Estado, estiveram presentes, entre outros, os secretários de Estado da Defesa, da Indústria e das Autarquias Locais, o presidente do BCP, Jorge Amado, os embaixadores da China e do Japão e o padre Vitor Melicias.

c/ Lusa

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