Promessas socialistas por cumprir dominaram campanha CDU

Promessas socialistas por cumprir dominaram campanha CDU

A ideia de que o PS e o seu secretário-geral mentiram aos portugueses, fazendo promessas em Fevereiro que não cumpriram, foi a principal mensagem que o secretário-geral do PCP quis deixar na campanha para as eleições autárquicas.

Agência LUSA /

Por todo o lado onde passou, em todas as intervenções, Jerónimo de Sousa escolheu como alvos, quase em exclusivo, o PS e o Governo.

É que, disse sempre, José Sócrates fez promessas na campanha para as legislativas, em Fevereiro, que não só não cumpriu como ainda agiu ao contrário do que tinha dito.

Porque aumentou os impostos, porque as pensões afinal não aumentam até aos 300 euros, porque não há qualquer choque tecnológico, foram algumas das justificações dadas pelo dirigente comunista, para quem o Governo precisa de um "cartão amarelo" nas eleições de domingo.

Exemplar foi o comício de Jerónimo de Sousa na passada terça-feira em Évora, onde disse que os portugueses vivem hoje pior do que antes das eleições e que se sentem defraudados com as esperanças que depositaram no PS, dando- lhe uma maioria absoluta.

Depois, disse, o PS ("ainda se fosse a direita, mas não, o PS") está a tentar condicionar, amedrontar e ameaçar os eleitores no Alentejo, esquecendo o seu passado histórico de luta pela liberdade.

"É inadmissível que novos caciques tentem impor uma nova ordem no Alentejo", afirmou, citando câmaras como a de Cuba ou de Ferreira onde, disse, os apoiantes da CDU se sentem amedrontados com ameaças socialistas.

No início da semana, em Ferreira do Alentejo, já tinha dito que nas eleições de 2001, quando o PS ganhou a Câmara, trabalhadores da autarquia afectos à CDU foram afastados.

Nestas eleições, continuou, "empresários dependentes da Câmara foram pressionados a não participar nas listas da CDU", um "ambiente de medo inaceitável em democracia".

Já as críticas pelas promessas não cumpridas atravessaram toda a campanha eleitoral, com Jerónimo de Sousa por vezes a falar de Marques Mendes, líder do PSD, para dizer que não compreendia o que levava aquele dirigente a criticar o PS, já que este partido estava a concretizar políticas de direita.

Praticamente ausentes do discurso do secretário- geral do PCP estiveram os outros líderes, numa campanha marcada também pelas presidenciais, mas cujo tema Jerónimo de Sousa se esforçou por manter longe da caravana da CDU, a coligação PCP/Verdes.

Privilegiados almoços e jantares com apoiantes, seguidos de intervenções políticas, bem como comícios e contactos de rua, a CDU deu também especial enfoque aos concelhos que por norma lhe são favoráveis, nos distritos de Setúbal, Évora e Beja, onde a "luta" se trava entre comunistas e socialistas.

Mértola, por exemplo, onde em 2001 o PS ganhou por 57 votos, ou Moura, onde a CDU conquistou a Câmara por três votos. Casos que fizeram Jerónimo de Sousa calcorrear as estradas nesta altura anormalmente quentes do Alentejo, onde discursou em tardes de mais de 35 graus para pequenos grupos de ouvintes.

Ainda assim, aventurou-se a norte. Foi a Braga e Guimarães, onde curiosamente fez o único comício ao ar livre da campanha, e ao Porto, para uma "arruada" na baixa e um jantar com Ilda Figueiredo, candidata à Câmara de Gaia, concelho ao lado da "invicta".

A norte e a sul, nos contactos de rua, foi sempre igual. Caloroso nos cumprimentos e palavras sempre na "ponta da língua" valeram-lhe sorrisos de simpatia de todos.

Sempre de traje informal, por vezes calças de ganga, camisas abertas e mangas arregaçadas, em Campo Maior, concelho do Alandroal, atreveu-se a cantar "Menina estás à janela", acompanhando o cantor Vitorino, candidato também da CDU. Nos comícios, raramente escritos, contou anedotas e usou ditados populares em abundância.

Não se esqueceu de dizer que a CDU é contra a privatização da água, que diz ser um objectivo do Governo, de falar aos jovens e idosos, de elogiar os independentes que estão com a coligação e de salientar o grande número de mulheres das listas.

Mas especialmente de pedir um voto na CDU no próximo domingo, para eleger mais autarcas (não necessariamente conquistar câmaras) e avisar o Governo de que está a seguir um caminho errado.

PUB