Tallon diz nada saber sobre envolvimento de arguidos do processo Casa Pia em abusos de menores

Tallon diz nada saber sobre envolvimento de arguidos do processo Casa Pia em abusos de menores

O médico espanhol José Maria Tallon, proprietário de clínicas de emagrecimento, declarou em tribunal não ter conhecimento directo de qualquer envolvimento dos arguidos do processo Casa Pia em abusos sexuais de menores.

Agência LUSA /

Chamado a depor no julgamento do processo Casa Pia, após uma das testemunhas/vítimas ter aludido que o médico conhecia a existência de situações de abusos de menores da Casa Pia, Tallon esclareceu nada saber sobre o assunto.

Questionado por um dos advogados de defesa sobre se alguma vez se deslocou a um prédio em Cascais onde tivesse conhecimento de abuso sexual de menores, Tallon respondeu prontamente: "Nem em Cascais, em fora de Cascais".

Falando na qualidade de testemunha, Tallon disse não conhecer pessoalmente o diplomata e arguido Jorge Ritto, nem o principal arguido Carlos Silvino ("Bibi"), esclarecendo que cumprimentou casualmente o apresentador de televisão Carlos Cruz na prisão, quando foi visitar à mesma cadeia o seu amigo José Braga Gonçalves (ex-patrão da Universidade Moderna).

O médico espanhol, conhecido por ajudar muitas figuras públicas portuguesas a emagrecer, garantiu ainda que "socialmente" nunca privou com jovens da Casa Pia e que na sua profissão não se lembra de ter conhecido alunos daquela instituição.

à saída do tribunal, Tallon considerou que as perguntas que lhe foram feitas foram "banais", mas que para quem as fez haverá certamente uma explicação e um porquê.

"Não há nada de concreto que eu possa dizer. Foram perguntas muito gerais e que acredito que para quem as fez terá algum sentido", comentou.

O médico espanhol revelou que, de início, acompanhou o processo Casa Pia pela comunicação social, mas que depois, com "o andar do tempo", começou a ficar "saturado", porque "nunca mais se resolve nada".

"É um processo tão longo e complicado, está muita coisa em jogo, é um processo que não é fácil", considerou Tallon, acrescentando que seria "muito bom" que no final do processo se pudesse apurar o que é verdade e o que é mentira.

Outra testemunha ouvida hoje foi Manuel Faria, antigo empresário dos "Trovante" e sócio de uma firma de som, que desfez a ideia de que a moradia do Restelo onde funciona a empresa possa ter sido utilizada para abusos sexuais de menores, relatando que na zona "há vários tipos de vivendas iguais".

O tribunal começou à tarde a ouvir Manuel Pinto, educador da Casa Pia desde 1990 e que, estando num dos lares da instituição, conheceu de perto algumas das testemunhas/vítimas do processo, incluindo o jovem que é apontado como principal testemunha e como sendo o "braço direito" de Carlos Silvino.

Foi durante o interrogatório a esta testemunha, que José Maria Martins, advogado de Bibi, defendeu a ideia que o processo individual daquele jovem foi falsificado, designadamente ao ser "enxertado" uma "coisa manuscrita" para "prejudicar a investigação" e descredibilizar o menor, por forma a dizer que este era "mentiroso" e "efabulava".

O causídico levou o educador a admitir não se lembrar de situações concretas em que o jovem tenha efabulado, com excepção de um caso relatado pelo educador, em este diz ter sabido por terceiros que o rapaz o havia acusado de lhe ter rasgado a camisola.

O educador admitiu também falhas na numeração e organização das folhas do processo do jovem, com José Maria Martins a questionar se os dados negativos não foram já introduzidos depois de o escândalo Casa Pia ter rebentado e a mando de algum dos arguidos.

O educador continua ser ouvido quinta-feira de manhã.


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