Autárquicas. Adolfo Mesquita Nunes e João Almeida falam em saneamentos em Lisboa

por Lusa

O antigo vice-presidente do CDS-PP Adolfo Mesquita Nunes e o deputado João Almeida qualificaram hoje de saneamento político a exclusão de João Gonçalves Pereira da lista à Câmara de Lisboa, em coligação com o PSD.

"O Carlos Moedas, que é um excelente candidato, merecia mais: merecia que o CDS não tivesse saneado alguns dos seus melhores, dos que mais conhecem o terreno, dos que mais trabalharam por Lisboa. E o CDS Lisboa, que todos os dias de há muitos anos para cá vai construindo alternativa e partido, merecia mais consideração e respeito", escreveu Adolfo Mesquita Nunes na rede social Facebook.

O ex-vice-presidente centrista e antigo secretário de Estado do Turismo assinalou que "num partido que valoriza o mérito, veta-se um nome essencial para o papel que o CDS tem hoje em Lisboa", considerando que se trata do "vereador que mais se opôs e mais propôs."

A exclusão de João Gonçalves Pereira da lista da coligação que junta PSD e CDS-PP à Câmara de Lisboa foi noticiada pelos jornais Público e Observador, tendo sido indicado para o seu lugar, o de número dois da lista, Filipe Anacoreta Correia, presidente do Conselho Nacional do CDS-PP, e apoiante do líder centrista, Francisco Rodrigues dos Santos.

Também João Almeida, que se candidatou à liderança do partido contra Rodrigues dos Santos, interrompeu o seu silêncio sobre a direção centrista desde o último congresso e o foco na sua candidatura à Câmara Municipal de São João da Madeira para criticar o que apelidou de "vingança cobarde" para com Gonçalves Pereira.

"O saneamento partidário do melhor vereador da Câmara de Lisboa prejudica gravemente o CDS e fere a candidatura que o CDS integra. O João Gonçalves Pereira não merecia esta vingança cobarde. O Carlos Moedas, que prezo e é um ótimo candidato, também não merecia este péssimo serviço prestado pelo CDS. Não só por ter afastado o melhor, como pela escolha que fez para o seu lugar", afirmou na rede social Facebook.

João Almeida prometeu falar "nos órgãos próprios do partido" sobre a "inenarrável escolha" de Anacoreta Correia para o lugar.

O antigo dirigente centrista e ministro da Segurança Social Pedro Mota Soares também usou as redes sociais para se juntar às críticas, considerando que a lista à Câmara de Lisboa sem João Gonçalves Pereira é "uma lista mais pobre, que não reconhece o mérito, a sensibilidade social, a capacidade de trabalho e o conhecimento dos temas de alguém que já deu e quer continuar a dar o melhor de si à sua cidade".

No dia 01 de Abril a Comissão Política Distrital de Lisboa do CDS-PP aprovou o nome de João Gonçalves Pereira, que preside aquela estrutura, além de Diogo Moura e Nuno Rocha Correia, para integrarem a candidatura à Câmara Municipal de Lisboa nas autárquicas.

João Gonçalves Pereira, vereador na Câmara de Lisboa, deixou o lugar de deputado antes desta aprovação e na sua última intervenção em plenário disse esperar que o seu partido lhe permitisse continuar o "combate local" nas autárquicas, uma vez que ainda não tinha sido confirmado pela direção do partido como um dos nomes a integrar as listas de coligação com o PSD na capital.

Depois de ser noticiado que a direção do CDS-PP não queria que o atual vereador integrasse a coligação, Gonçalves Pereira e Adolfo Mesquita Nunes falaram em "saneamentos" no Conselho Nacional de 20 de março.

Nessa reunião do órgão máximo entre congressos, o presidente do CDS-PP, Francisco Rodrigues dos Santos, salientou que a direção do partido tem a "última palavra" na escolha dos candidatos a Lisboa.

Em declarações aos jornalistas dias depois, avisou que, enquanto ocupar o cargo, "acabou o tempo" em que o nome das pessoas para ocupar lugares nas listas autárquicas é discutido antes de projetos e ideias.

Carlos Moedas encabeça a coligação "Novos Tempos" (PSD/CDS-PP/PPM/MPT/Aliança) à Câmara de Lisboa.

O executivo da Câmara de Lisboa, presidido por Fernando Medina, é atualmente composto por oito eleitos pelo PS (nos quais se incluem os Cidadãos por Lisboa), um do BE (que tem um acordo de governação do concelho com os socialistas), quatro do CDS-PP, dois do PSD e dois da CDU.

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