Coligações, turismo, o caso Selminho e propostas. O debate no Porto

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Nove candidatos. Duas horas de debate marcado pelos cenários de governação após as eleições, com Rui Moreira a colocar de parte um acordo com o PS e a dizer que não ficará como vereador se perder as eleições. Manuel Pizarro alinha na mesma ideia, ao afirmar que a hipótese de acordos autárquicos "não faz nenhum sentido". E se perder não participará "com funções executivas na governação autárquica".

Para Manuel Pizarro, candidato apoiado pelo Partido Socialista, a hipótese de acordos autárquicos "não faz nenhum sentido", sobretudo depois de em maio, diz, Rui Moreira ter prescindido do apoio dos socialistas.

"Não faz nenhum sentido repetir o mesmo acordo", afirmou, acrescentando que irá respeitar em absoluto a decisão dos eleitores se estes não entenderem dar-lhe a vitória.

"Se não for essa a decisão dos eleitores nós não participaremos com funções executivas na governação autárquica", garantiu.

Mas se ganhar, acrescentou, "encontrarei de acordo com os resultados eleitorais uma solução de governabilidade estável", assumindo que se dá "bem com todos".



O atual Presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, que se recandidata este ano, coloca de parte a hipótese de um acordo com o PS, e diz que, se não vencer as eleições, não vai assumir um cargo de vereador num novo executivo camarário. "Como eu já disse, parece-me que qualquer pessoa que já tenha ocupado o cargo de presidente da Câmara como hoje ocupo, não fará qualquer sentido fazer parte enquanto vereador de uma câmara presidida por outro.", referiu o candidato independente.


Sobre acordos e coligações, João Teixeira Lopes, candidato do BE, afirmou que o candidato socialista Manuel Pizarro está a conduzir a sua candidatura como um catavento, mudando de posicionamento a toda a hora.


Álvaro Almeida, candidato do PSD/PPM, diz que se candidata para ser Presidente da Câmara. "Se os portuenses entenderem que o PSD e o PPM não têm uma maioria absoluta, ou nem sequer venceram as eleições, naturalmente que em democracia tanto serve os portuenses no executivo como na oposição. E eu servirei os portuenses na oposição", afirmou.


Ilda Figueiredo, da CDU, ironizou sobre a hipótese da formação de uma "geringonça" na autarquia do Porto, lembrando que o candidato socialista Manuel Pizarro "caiu nos braços" de Rui Moreira há quatro anos.
Caso Selminho

Um dos casos que tem estado no centro do debate para as autárquicas no Porto foi um dos temas lançados para discussão.
 

O turismo: problemas e vantagens

Rui Moreira, candidato independente "Porto, o nosso Partido", afirma que o turismo na cidade não está esgotado e foi uma oportunidade aproveitada que garante empregabilidade a muitas pessoas.

"Há quatro anos dizíamos que estava tudo em ruínas, ainda era a reabilitação urbana que se falava. E o turismo foi bom, durante estes anos continuou-se a estratégia e cresceu. Não cresceu por alma alheia, foi porque os portuenses se envolveram", afirmou o atual Presidente da Câmara.

Em relação às críticas de que o turismo está a provocar um aumento dos preços na habitação na cidade, Rui Moreira referiu que o executivo "tem de resolver o problema da habitação". 


Vendo no turismo uma mais-valia para a cidade do Porto, o candidato socialista Manuel Pizarro aponta problemas como a falta de casas e o desaparecimento do mercado de arrendamento, para os quais exige uma resposta.

Um programa de construção de habitação com renda acessível, requalificação dos bairros de habitação pública e um programa de regeneração das ilhas do Porto são medidas que Manuel Pizarro quer ver implementadas na Invicta. Medidas que o candidato socialista acredita virem a permitir à classe média e aos mais jovens manterem-se na cidade.


Álvaro Santos Almeida, candidato do PSD/PPM, considera que o turismo é fundamental para o Porto e que se não fosse o turismo a cidade estaria muito pior do que está, mas tem problemas. "E o problema principal é que esta Câmara não foi capaz de responder a esses novos desafios. Não foi capaz de responder aos problemas do trânsito, da limpeza das ruas", afirmou.

Diz ainda: "Temos uma cidade com cerca de 20 por cento de edifício degradados".

O candidato defende que se "deve baixar o custo de viver na cidade" e propõe "um programa de reabilitação de toda a cidade".


Ilda Figueiredo, da CDU, denuncia o aumento dos preços da habitação com o aumento do turismo na cidade do Porto. A solução, diz, poderá passar pela criação de um Observatório de Turismo.

A candidata da CDU entende que a Câmara do Porto terá de mudar de rumo e assumir o seu papel na resolução das questões levantadas com o aumento das massas que visitam o Porto. Nomeadamente na distribuição dos turistas por todas as zonas da cidade de uma forma igual. "É preciso impedir que o centro histórico se transforme numa Disneylândia". 
João Teixeira Lopes, candidato pelo BE, refere que "não podemos perder o turismo para a cidade nem a cidade para o turismo".

Para o candidato à autarquia, "os portuenses estão a ser pessimistas ao sair da cidade", reconhecendo contudo que "o preço das rendas aumentou imenso", o que justifica talvez o êxodo dos habitantes.

Defende a necessidade de serem criadas "quotas para o alojamento local".

 

O candidato do PTP, Costa Pereira, diz que a "alma do Porto acabou, a cidade desapareceu".

 

Bebiana Cunha, do PAN, defendeu que o "turismo tem que ser regulado", deve ter uma "lógica de sustentabilidade e lamentou que as pessoas estejam a ser "empurradas para fora da cidade".


Sandra Martins, do PNR, diz que "não tem nada contra o turismo" mas tem que "ser regulado".

Propostas dos candidatos

Várias ideias defendidas para o futuro ao longo do debate com os nove candidatos.

Sandra Martins, do PNR, diz que dará "o máximo para dar dignidade aos portuenses".

 

Álvaro Almeida - PPD-PSD/PPM - defende um projeto "para as famílias", a criação de "transportes porta-a-porta para os idosos" e espaços de lazer. Mas também promete a criação de "emprego diversificado. "Queremos criar quatro mil empregos qualificados", disse.

 

Ilda Figueiredo, da CDU, realçou que "faltou obra ao Porto e atenção às pessoas". 


João Teixeira Lopes do BE propôs um "projeto de habitação pública". 


Rui Moreira, destacou a necessidade de resolver os problemas de habitação da cidade do Porto através, nomeadamente, de "instrumentos fiscais", como "baixar o IRS na parte das rendas".

Em relação às obras no Mercado do Bulhão, um dos ex-libris da cidade, Rui Moreira afirma que "o Bulhão será um mercado municipal de frescos. Faremos aquilo que os outros em 30 ou 40 anos nem sequer começaram". 


Costa Pereira, candidato do PTP ao Porto, propõe a criação do que chama de Cartão Tripeiro para os portuenses. Seria um cartão multisserviços que permitirá adesão a descontos sendo a prioridade a qualidade de vida.


Orlando Cruz, candidato do PPV/CDC, pede mais atenção para com os portuenses mais vulneráveis e com rendimentos mais baixos. Defende o regresso da Feira Popular e diz que é um "género de Marcelo Rebelo de Sousa. "Quero estar a visitar toda a gente, esta ao lados das pessoas". 

 

Ainda sobre propostas para o futuro, Bebiana Cunha, do PAN, defendeu a ideia de um "Porto sustentável" e "um Porto mais verde".


A terminar o debate, o candidato do PS Manuel Pizarro defendeu como prioridade para o Porto o "problema da mobilidade" e da "exclusão social".


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