Terminou o debate no Parlamento
Pode ver as reportagens do Telejornal que versam sobre os principais temas a terem palco na Assembleia da República esta quinta-feira.
- Estado da Nação. Costa reclama-se "pai do maior ciclo de crescimento", PSD aponta marca de empobrecimento
- Estado da Nação. Oposição à esquerda diz que vida dos portugueses está pior
- Luís Montenegro acusa António Costa de estar em "estado de negação"
- A análise de António José Teixeira do debate do Estado da Nação
No encerramento do debate José Luís Carneiro sublinha o regresso da "confiança"
Ventura traça cenário de país "muito negro" por oposição ao "país cor-de-rosa" do PS
Considerou que o programa Mais Habitação constitui "o maior assalto à propriedade privada em muitas décadas em Portugal" e que se traduz numa "destruição e a perseguição dos que toda a vida pouparam" para "agradar à extrema esquerda".
Sublinhando os gastos de mais de 25 mil milhões para salvar a banca, André Ventura é perentório: "Se tivermos de escolher entre banca e quem trabalha para a sustentar, estaremos ao lado de quem trabalha", realça.
Desmente ainda a "mentira de que estamos a convergir com a Europa e as nações mais ricas", assinalando que Portugal "é o sétimo país com o menor PIB per capita da União Europeia", tendo sido ultrapassado "pela Estónia e pela Letónia".
André Ventura acusa o Governo de estar a cobrar "a maior carga fiscal de sempre", o que "deve fazer os portugueses perguntarem-se para que pagamos, afinal, tantos impostos".
"A resposta é sempre a mesma: pagamos tantos impostos porque, para lá de uma máquina absolutamente ineficaz, estamos a pagar a quem não quer fazer absolutamente nada neste país" , argumentou, considerando que "o Estado cobra mais impostos que nunca mas consegue dar menos dinheiro que nunca àqueles que sustentam os seus vícios", resume.
O líder do Chega sublinhou ainda a situação da Justiça, sendo Portugal "o 5º país da UE onde os processos mais se arrastam em tribunal".
"Enquanto estamos aqui há seis horas neste debate, José Sócrates corre na Ericeira e Ricardo Salgado provavelmente joga ténis na sua casa em Cascais
devem rir-se do tempo que aqui estamos a perder", disse.
Na intervenção final ainda teve tempo para antecipar que a "velha e nobre espada da Justiça um dia chegará também ao Governo" e fez questão de lembrar a "pancadaria na sede do Governo e no Ministério das Infraestruturas".
André Ventura pediu aos portugueses para que olhem "olhos nos olhos" do elenco governativo, com "a história que transportam dos últimos meses sobre si".
"O homem de que falámos tantos meses, o homem da pancadaria, ainda está ali sentado", referiu o líder da Chega, referindo-se ao ministro das Infraestruturas, João Galamba e criticando o que classifica como "falta de noção" por parte do Governo.
"SNS não vacila e nunca desiste", garante ministro da Saúde. Oposição critica
A Manuel Pizarro coube uma longa intervenção para defender o que o Governo diz ser a aposta na Saúde, exaltando o que chama de uma reforma profunda na gestão do Serviço Nacional de Saúde e na "maior e mais profunda transformação orgânica em quatro décadas" de existência.
O executivo garante que está a fazer um “esforço assinalável para reforçar o SNS”, dando como exemplo o aumento de 26% no número de profissionais em sete anos, e um crescimento de 56% no orçamento da saúde nesse mesmo período.
Pizarro diz mesmo que 2022 foi o maior ano de sempre, com um assinalável aumento da atividade, ao mesmo tempo que o sistema tenta compensar os cuidados que não foi possível prestar durante a pandemia.
“Negar o que faz o SNS é negar o esforço e dedicação de cada um dos profissionais”, garantindo que, afinal, “ a utopia era possível”. “SNS não vacila e nunca desiste”, garante o ministro, reforçando que o governo está comprometido com o reforço do SNS.
O ministro elencou uma vasta lista de “conquistas” do Governo, no desenvolvimento da rede hospitalar “num programa sem paralelo”, nas equipas de saúde familiar, saúde mental, saúde oral, no acesso aos medicamentos ou até na aquisição de robots cirúrgicos. “É o futuro a acontecer no SNS”, diz.
Refere ainda que está a trabalhar para a fixação de recursos humanos, exaltando o que chama de uma reforma profunda na gestão do Serviço Nacional de Saúde e na “maior e mais profunda transformação orgânica em quatro décadas” de existência. “É o caminho que estamos a seguir”, que faz “diferença na vida das pessoas”.
O ministro foi depois questionado pelos deputados.
PCP e BE escolheram o problema das maternidades e o envio de grávidas para o privado como tema central.
João Dias, do PCP, pergunta ao ministro se ele não tem noção do estado em que está o acesso aos cuidados de saúde, criticando a passagem para os privados cuidados como os dados às grávidas e questionando se as obras no bloco de partos do Santa Maria não vão atrasar.
“Esta é a luz que os privados querem agarrar”, adverte.
Isabel Pires, do Bloco de Esquerda, veio dizer que a presidente do conselho de administração do hospital Santa Maria mentiu no parlamento e perguntou ao ministro se a ia demitir.
Pedro Frazão, do Chega, questionou Pizarro sobre “quando” é que o Governo ia apresentar resultados, acusando-o de “ou fugir às perguntas ou fugir à verdade”. Diz que Portugal gasta 13 mil milhões de euros no SNS e que por isso mesmo “temos de ser exigentes”, acusando o ministro de encerrar serviços.
Rui Tavares evoca a memória de José Mattoso na intervenção final
Intervenção final do PAN. Governo está "em hibernação"
Alertou que os casos como o de Alexandra Reis "pôs a descoberto a facilidade com que se derretem dinheiros públicos numa gestão danosa e lesiva do interesse público", contribuindo dessa forma para "o erodir da confiança nos políticos, das instituições e no sistema democrático".
"É no atual Estado da Nação que vai grassando o populismo anti-democrático que ameaça os mais basilares direitos que levamos 50 anos a governar", concluiu.
"Não há trabalhadores qualificados sem salários dignos, sem justiça na economia", diz o BE na intervenção final
"O país ouviu o Governo dizer que hoje temos uma economia mais qualificada. E a pergunta é desde que este governo entrou em funções, há pouco mais de um ano, a economia está mais qualificada, como disse o senhor primeiro-ministro? A resposta é não", afirmou Pedro Filipe Soares.
Acusa ainda o executivo de governar "contra o trabalho" e de "destruir o futuro do país". Argumentou que "não há economia qualificada sem trabalhadores qualificados, e não há trabalhadores qualificados sem salários dignos, sem justiça na economia".
Intervenção final do PCP: "O país não está condenado, está e mal governado"
A deputada comunista pede que TAP e Efacec permaneçam instrumentos públicos de desenvolvimento e que se coloque fim aos "privilégios e benefícios fiscais de um punhado de grupos e multinacionais", bem como a rejeição da "obsessão pelo défice"
"O país não está condenado, está e mal governado", resume.
Caos em "níveis insustentáveis" no SNS acusa Cotrim de Figueiredo
Cotrim de Figueiredo da IL acusa governo de "propaganda enganosa"
PSD diz que "a estratégia do governo é empobrecer os portugueses e torná-los dependentes do Estado"
Para o deputado social-democrata não é suficiente "dizer que a economia cresce" quando "o Estado se apropria de uma enorme fatia dessa riqueza".
"Como dorme descansado... como consente a falta de rasgo e ambição do seu Governo? Senhor primeiro-ministro, porque desistiu do país", questionou.
Hugo Carneiro garantiu que o PSD é uma alternativa viável e que o PSD quer "reformar o país e devolver a esperança aos portugueses, aos mais velhos e aos mais jovens, aos trabalhadores e às empresas"
De destacar também o recurso à fábula de La Fontaine da cigarra e da formiga. "A cigarra é o Governo, a formiga são as famílias e as empresas", considerou. Acusou ainda o executivo de cobrar cada vez mais impostos e devolver cada vez menos em serviços públicos.
(com Lusa)
Tiago Brandão Rodrigues: "O Estado da Nação é bem melhor nos últimos anos do que o era há uma década".
Destaca que, para haver Estado da Nação em 2023 "foi preciso enfrentar o impensável" nos últimos anos, nomeadamente a pandemia. Critica os partidos por não debaterem o Estado da Nação, mas sim as "perceções sobre o ambiente da governação".
O deputado socialista enfatizou no seu discurso a importância do combate às alterações climáticas, que não são "uma questão de opinião, pessimismo ou otimismo".
Começam as intervenções finais dos partidos
Os pedidos de esclarecimento ao primeiro-ministro por parte dos deputados
Após o seu discurso inicial no debate parlamentar sobre o Estado da Nação, na segunda ronda de perguntas António Costa decidiu agrupar num só período de respostas 21 pedidos de esclarecimento feitos por deputados de todas as bancadas, e gastou apenas cinco minutos.
Pela parte do PSD, o líder da JSD, o deputado Alexandre Poço, retomou a história da Ana, uma jovem de Lisboa, com a qual já tinha confrontado o primeiro-ministro no debate sobre o Estado da Nação do ano passado.
Segundo Alexandre Poço, por causa dos baixos salários dos jovens, da carga fiscal e da exigência pelos bancos de uma entrada de 20% do total para a compra de uma casa, a Ana não consegue poupar 60 mil euros para adquirir uma habitação de 300 mil euros e ser vizinha de António Costa em Benfica.
Na resposta a Alexandre Poço, que também aplicou ao deputado da Iniciativa Liberal Bernardo Blanco, o primeiro-ministro declarou: "Cada vez que ouvimos a direita falar em choque fiscal sabemos onde acaba sempre".
"Acaba num enorme aumento de impostos", contrapôs, antes de reivindicar para o seu Governo descidas do IRS na ordem dos dois mil milhões de euros nos últimos anos.
"E até ao final da legislatura reduziremos mais mil milhões de euros", completou.
Neste período do debate sobre o Estado da Nação, o líder do executivo foi confrontado com advertências por parte das deputadas Carla Castro (IL) e Sónia Ramos (PSD) sobre a esperada falta de docentes no próximo ano letivo, num quadro de pouca atratividade em relação a esta carreira profissional. Carla Castro perguntou mesmo se há alguma estimativa sobre quantos alunos vão iniciar o próximo ano letivo sem pelo menos um professor.
"Estamos a criar condições para responder ao desastre que foi o entendimento de que havia professores a mais no país. Por isso, descongelámos as carreiras, abrimos mais 20 mil vagas nos quadros de escola para o próximo ano e introduzimos a vinculação dinâmica. A escola que o PSD critica no presente é a mesma que reduziu o insucesso escolar", reagiu António Costa.
A série de perguntas a António Costa foi aberta pela deputada do PSD Clara Marques Mendes, que acusou o Governo de falhar com as instituições dos setores social e solidário, não assumindo uma comparticipação equitativa nas despesas.
O primeiro-ministro assumiu que o objetivo do Governo é o de chegar "progressivamente" aos 50% de comparticipação, mas referiu que "não há ainda um acordo pleno", embora acredite que as negociações serão a prazo concluídas com sucesso.
PCP, Bloco de Esquerda e o deputado do Livre, Rui Tavares, centraram as suas intervenções no tema da "crise na habitação" - ponto em que o deputado comunista Bruno Dias se insurgiu por as famílias estarem a atingir o limite, ou por causa do aumento das rendas, ou por causa da subida dos juros, com "os bancos intocáveis".
Joana Mortágua, do Bloco de Esquerda, deu os parabéns ao primeiro-ministro "pelo sucesso da sua política liberal", apontando que Lisboa é a cidade onde é mais caro arrendar uma casa.
"Portugal não controla as rendas. Temos centenas de milhares de cidadãos com a corda na garganta", sustentou.
A estas intervenções do PCP e do Bloco de Esquerda, o primeiro-ministro respondeu em poucos segundos: "Os senhores dizem não, não e não, mas nós dizemos mais habitação", com a deputada do PS Maria Begonha a lamentar que os partidos da oposição de esquerda "sejam incapazes de ver os progressos" resultantes das medidas do Governo.
Neste tema da habitação, mas num sentido diferente, pelo PSD, os deputados Paulo Rios de Oliveira e Patrícia Dantas acusaram o executivo socialista de ter desencadeado um ataque contra o alojamento local.
Mais de 20 pedidos de esclarecimento ao primeiro-ministro
António Costa para Rui Tavares. "Tem o meu número de telemóvel, é só marcar"
Livre pede regresso das reuniões "com a oposição democrática"
"Nove ministras, nove ministros" responde António Costa ao PAN
Portugueses "não vivem no mundo cor-de-rosa socialista" diz Inês Sousa Real
Costa diz que o BE prefere o "triplo salto", enquanto o Governo opta pela "prudência do passo a passo"
Ao decretar que o programa Mais Habitação "já falhou", a líder bloquista "está na mesma posição em que o PSD está desde 2015, à espera que o diabo venha a acontecer".
António Costa respondeu ainda que o Governo tem vindo a desenvolver várias medidas sobre a questão da habitação: "Iremos prosseguir passo a passo, com o tamanho da perna que temos, para chegarmos ao objetivo", vincou.
Mesmo que Bloco de Esquerda e PS possam estar de acordo em relação ao objetivo, António Costa considera que Mariana Mortágua prefere "o triplo salto", enquanto o Governo opta pela "prudência do passo a passo".
Em relação à corrupção, o chefe de Governo sublinha que "ninguém está acima da lei" e que o executivo tem dotado a PJ de recursos técnicos para o combate à corrupção.
Sublinhou também a necessidade de respeitar a "presunção da inocência" e que "os quatro membros que saíram do Governo por algum motivo associado a questões de justiça, nenhuma dessas questões de justiça teve a ver com qualquer ato praticado ou omitido no exercício das funções governativas".
Mariana Mortágua: "A direita espera que este Governo de perna curta tropece e caia por si só. Alternativa, não a vemos"
Mas as críticas da líder bloquista ao Governo foram também críticas à direita. Refere que os partidos da direita são como o "abutre que espera pelo fim".
"Essa é a atitude da direita, que não tem nenhuma alternativa substancial à governação do PS. Não tem uma alternativa substancial porque esta é uma governação que resulta na concentração de riqueza em setores oligopolistas, que resulta no acordo com os patrões, com a banca, com os grandes supermercados", considerou.
Mortágua apontou ainda à governação do PS "marcada pela obsessão orçamental" e com uma "retórica cansada e velha de não podermos dar um passo maior que as pernas", denunciando a "convergência entre o PS e o PSD".
"A direita espera que este Governo de perna curta tropece e caia por si só. Alternativa, não a vemos", referiu.
A coordenadora do Bloco de Esquerda refere que não se pode normalizar "a dança das cadeiras, sobretudo quando há suspeitas de corrupção", em referência às várias demissões no Governo ao longo dos últimos meses.
Mariana Mortágua referia-se especificamente às polémicas no Ministério da Defesa. "O primeiro-ministro deve uma palavra ao país sobre o que se passa", considerou, acusando o executivo de tratar os trabalhadores com "paternalismo e arrogância".
Na sua intervenção, a líder bloquista destacou o tema da habitação. "A situação na habitação é catastrófica e a publicidade não vai resolvê-la", resumiu Mariana Mortágua, com críticas duras ao programa Mais Habitação que, refere, "já falhou".
Considera que o Governo preparou "medidas vazias" para a resolução do problema e que "a crise de habitação vai continuar".
"O país não vai perdoar ao Governo a maior instabilidade de todas, que é trabalhar, ter um salário e não ter uma casa que possa pagar", concluiu.
Costa responde com números e promete "nunca dar um passo maior do que a perna"
"Se estamos e chegámos aonde queremos? Não. Que estamos no caminho certo e no rumo certo? Sim. Que estamos melhor? Sim. O que devemos fazer quando estamos no caminho certo? Prosseguir sem arrepiar caminho de forma a podermos chegar onde desejamos chegar", resumiu António Costa.
Em concreto, sobre os professores, o primeiro-ministro reconhece as várias "frustrações" legítimas dos professores. Lembra que as carreiras foram descongeladas desde 2018 e que foram adotadas medidas para reconhecer o "impacto do congelamento" ao longo de vários anos.
Ressalva, no entanto, que é necessário "nunca dar um passo maior do que a perna para nunca termos de dar dois passos atrás".
PCP. Para a generalidade dos portugueses "a vida está mesmo pior, mas para alguns isto nunca esteve tão bom"
Desmente que os portugueses e que o país estejam "melhor". "A verdade de todos os dias, quando os portugueses chegam a casa do trabalho, é que estão a fazer contas ao salário e à pensão para ver como conseguem esticar até ao fim do mês", vincou a deputada comunista. Isto enquanto o Governo "insiste em medidas assistêncialistas".
Para a generalidade dos portugueses "a vida está mesmo pior, mas para alguns isto nunca esteve tão bom". A líder parlamentar criticou a "acumulação de lucros colossais à custa do sacrifício dos salários e das pensões".
Para o PCP, o país "encontra-se num estado de intoleráveis contrastes", com vários portugueses a não conseguirem fazer face às dificuldades ou sequer "planos de futuro", e a "propaganda das contas certas". "Para recuperar o poder de compra dos trabalhadores e dos reformados, para investir nos serviços públicos, nunca há dinheiro. Mas nunca falta para novos benefícios e privilégios fiscais que libertam o capital de pagar os impostos devidos. Ou para desviar milhares de euros de fundos comunitários e recursos públicos para os grupos económicos", resume.
Iniciativa Liberal: "O garante da estabilidade não consegue por ordem na sua própria casa"
Destaca que António Costa, enquanto "presidente do sindicato dos portugueses", fica ""com mais dinheiro no bolso" que os trabalhadores, dado o aumento da receita fiscal do Estado nos últimos anos.
O resultado do trabalho "fica no seu bolso, é por isso que não chega ao bolso dos portugueses", afirmou o líder partidário, dirigindo-se a António Costa.
Rui Rocha lembrou também que a idade média com que os jovens saem da casa dos pais é de "quase 34 anos", já na meia-idade, e que o prémio salarial para os licenciados passou a ser "salário mínimo para todos". Lembrou ainda que, ao longo dos últimos anos, há mais portugueses sem médico de família.
O líder da IL criticou ainda a postura de Costa que se apresenta como "garante da estabilidade", ainda que vão surgindo, semana a semana, novos casos e envolver o Governo: "O garante da estabilidade não consegue por ordem sequer na sua própria casa. Treze governantes em pouco mais de ano e meio, já saíram do governo. Dá praticamente um governante por cada mês de mandato".
Diz que estes são "casos e cravinhos" que mostram que o primeiro-ministro "falhou como garante da estabilidade", referindo-se ao caso que envolve o Ministério da Defesa na altura em que o ministro da pasta era João Gomes Cravinho.
Santos Silva adverte André Ventura
Esclarecimento. Gomes Cravinho não está presente no debate
Costa quer fazer de Portugal "a maior casa de alterne da Europa", ataca Ventura
“Batam lá palmas, agora já não batem palmas?” questiona de novo a bancada socialista que permanece em silêncio.
"Deviam ter vergonha" afirma André Ventura
“É tão triste e tão grave que um Governo se apresente aqui a dizer que está tudo bem quando 10 milhões de portugueses sabem que está tudo mal”. “Deviam ter vergonha de estar no debate da nação a dizer que está tudo bem”, afirma.
António Costa: "Alternativa é voltar ao ciclo de empobrecimento"
Mas que esses problemas têm de ser resolvidos e esse tem sido o trabalho do Governo. "Foi assim que virámos a página da austeridade. Foi assim que evitámos as sanções da União Europeia, foi assim que enfrentámos a pandemia, é assim que estamos a enfrentar a crise da inflação e a subida das taxas de juro", refere.
Enquanto o Governo procura resolver, a oposição "discursa sobre os problemas", refere o chefe de Governo. António Costa diz que só se pode responder aos problemas compreendendo a realidade do país, algo que a oposição não faz, considera o primeiro-ministro.
"Errar no diagnóstico implica errar na terapia. E eles andam desde 2015 a errar no diagnóstico, como entre 2011 e 2015 não conseguiram retirar o país da situação de défice excessivo, nem de endividamento excessivo", vincou.
Dirigindo-se a Eurico Brilhante Dias, António Costa disse apenas ter "uma divergência" com o líder da bancada socialista. "Há uma alternativa. E a alternativa deles é muito simples: voltar a andar para trás, para o ciclo de empobrecimento em que sempre governaram", rematou.
"Portugal está melhor porque não é o país que a oposição previu"
O deputado socialista critica indiretamente a frase de Luís Montengro em 2014, quando era líder parlamentar dos social-democratas e afirmava, no contexto da Troika, que "a vida das pessoas não está melhor, mas a do país está muito melhor". Na crítica à oposição, Eurico Brilhante Dias lembrou os cenários negativos traçados há um ano e que previam que o Governo levasse "um banho de realidade".
O executivo respondeu com "uma avalanche de bons resultados", sublinha Eurico Brilhante Dias, lembrando os resultados e medidas já mencionadas por António Costa. Destacou os resultados da economia, emprego e o índice de confiança dos consumidores. Reconhece que o país enfrentou "momentos difíceis" durante o ano, nomeadamente a inflação ou o custo da energia.
Apesar do "contexto desafiante", o líder da bancada socialista considera que "Portugal está melhor porque não é o país que a oposição previu". As "profecias da oposição à direita falharam" e "felizmente [os portugueses] não vivem no país negro e macambúzio" da direita. Por fim, Eurico Brilhante Dias criticou a "falta de alternativas" e os erros cometidos pela oposição.
"Pais e mães do maior ciclo de crescimento do país"
“Não estamos a empobrecer, estamos a melhorar os rendimentos, ao mesmo tempo que aumentamos o emprego”, acrescenta, provocando gargalhadas a Miranda Sarmento e aplausos da bancada socialista.
"Empobrecimento das instituições"
"Impostos máximos, serviços mínimos, é o que o seu Governo oferece aos portugueses"
PSD ataca. Três "exemplos simples" de empobrecimento socialista
Mais de 20 perguntas em duas rondas
António Costa finaliza o discurso com recado para a oposição
O primeiro-ministro garantiu, da parte do Governo "disponibilidade para o diálogo construtivo", tal como aconteceu com parceiros sociais e municípios. "Esperamos também que um dia possa encontrar correspondência por parte das oposições aqui na Assembleia da República",
António Costa termina o discurso com cerca de 22 minutos a realçar o cumprimento das "contas certas" que têm permitido baixar impostos, o "rigor" que tem permitido responder às emergências, e ainda um país com menos desigualdades e mais comprometido com a ação climática, com mais qualificações e oportunidades e também "um país que cuida dos seus com um Estado social forte".
Costa expõe os principais desígnios do Governo para as próximas três sessões legislativas
Portugueses fizeram "opção pela estabilidade"
Destacou a Agenda do Trabalho Digno, o programa Mais Habitação, a descentralização ao nível regional e municipal e ainda as mudanças no Regime das Ordens Profissionais. Foi recebendo os primeiros apartes e comentários por parte dos deputados à medida que listava as várias medidas do Governo.
"Os resultados já alcançados provam que estamos no caminho certo"
"O país e a economia portuguesa estão mesmo a mudar"
António Costa abre o debate do Estado da Nação
"Os problemas do país são reais, não são meras figuras de retórica", frisou, admitindo no entanto que houve erros do Governo nos últimos meses.
Estado da Nação. Costa abre debate com economia e coloca saúde no topo do guião
Realiza-se esta quinta-feira o debate do Estado da Nação, um confronto de quase quatro horas entre Governo e oposição que será aberto pelo primeiro-ministro e encerrado pelo ministro da Administração Interna, José Luís Carneiro. No primeiro discurso, António Costa vai abordar o desempenho económico do país. Ao ministro da Saúde, Manuel Pizarro, caberá uma intervenção de fundo sobre o sector que tutela.
Como observa a agência Lusa, o núcleo político do Executivo reconhece “episódios lamentáveis” na primeira sessão legislativa, que acabaram por impactar a imagem dos governantes. Mas o guião de Costa passará por fazer valer a ideia de que o Programa do Governo está a ser cumprido e que o quadro económico está a superar as expectativas.
Diante da bancada do Governo estará, todavia, uma oposição a assacar responsabilidades ao elenco socialista pelo “empobrecimento” do país.
PSD, Iniciativa Liberal e Chega sustentam que o país está hoje mais pobre e que o Governo tem falhado em três áreas essenciais - a saúde, a educação e a justiça. É o que indicam os depoimentos recolhidos antes do debate pela rádio pública. Inês Ameixa - Antena 1
À esquerda, a inflação, as desigualdades sociais e a falta de investimento público encabeçam as preocupações. Ana Isabel Costa - Antena 1
Em contraste, o líder da bancada parlamentar do PS, Eurico Brilhante Dias, afirma que o desempenho do Governo permitiu ao país "ultrapassar o Cabo da Boa Esperança". Antena 1O Serviço Nacional de Saúde estará em amplo destaque. O ministro Manuel Pizarro deverá abordar questões como o número de cidadãos sem médico de família, a gestão das urgências hospitalares ou o atraso na aprovação dos estatutos da Direção Executiva do SNS.
A sucessão de casos e demissões no Governo fará também parte do arsenal político da oposição, que poderá voltar à carga com a denúncia de uma tentativa de “branqueamento” e de omissões no relatório da comissão parlamentar de inquérito à tutela política da gestão da TAP.
Por outro lado, os partidos da oposição chegam ao debate do Estado da Nação divididos quanto a um cenário de eleições legislativas antecipadas. IL e Chega defendem-no. O PSD descarta-o, por agora. Tal como bloquistas e comunistas.
No debate do ano passado, António Costa admitia que a constante subida de preços seria duradoura e anunciava, então, um pacote de ajuda às empresas e às famílias. O PSD acusava, por seu turno, o Governo de “cortar um salário aos funcionários públicos e pensionistas”, ao não compensar a subida da inflação. Os partidos à esquerda do PS acusariam Costa de governar à semelhança dos anteriores executivos de PSD e CDS-PP.
c/ Lusa
Partidos desvendam argumentos para o debate do Estado da Nação
A RTP ouviu, nas horas que antecederam o debate desta quinta-feira, os partidos com assento parlamentar. O PS está isolado na avaliação positiva que faz do país. As demais forças reclamam uma mudança de políticas por parte do Governo de António Costa.