Ex-espião do SIED confessa assalto à sede de partido de esquerda

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Jorge Silva Carvalho, ex-diretor do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa, confessa em livro de memórias a sair em breve que, numa noite do ano de 1994, assaltou a sede do PSR, para aí roubar fichas de militantes, fotocopiando-as e repondo-as no lugar horas depois.

A revelação é feita pela revista Sábado, que teve acesso ao livro antes do seu lançamento. Silva Carvalho defende a operação com o argumento de que o PSR (Partido Socialista Revolucionário, que depois foi co-fundador do BE) era visto como "simpatizante da ETA".

O antigo responsável do SIED sustenta essa convicção no facto de o PSR participar em manifestações contra a extradição para Espanha de um alegado simpatizante da ETA, Telletxea Maya, que obtivera em Portugal um estatuto de asilado político.

Contudo, a campanha contra a extradição era ampla e não implicava qualquer simpatia pela organização separatista basca. A Justiça portuguesa acabou por negar ao Estado espanhol a extradição que este pretendia.

O facto agora admitido compromete o próprio Silva Carvalho em mais um caso de contornos nebulosos, compromete o SIS (Serviço de Informações de Segurança, que realizou a operação), e compromete o ministro que na altura tutelava aquele serviço - Dias Loureiro, que sobraçava a pasta da Administração Interna no Governo de Cavaco Silva.

Francisco Louçã, que era em 1994 dirigente do PSR, ridicularizou a operação relatada por Silva Carvalho, sem contudo pôr em causa que ela possa ter ocorrido. Segundo Louçã, o alegado arrombamento da sede, roubo e fotocópia de documentos foi inteiramente redundante, porque a informação procurada pelo SIS era do domínio público.

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