Jerónimo acusa PS, PSD e CDS de evitarem discutir problemas concretos da UE

| Política

O secretário-geral do PCP acusou hoje PS, PSD e CDS de evitarem debater problemas concretos da União Europeia por se prepararem para aceitar na agricultura e pesca a destruição que juras de "amor eterno" não evitaram no setor do leite.

Num comício em Espinho com Francisco Gonçalves, candidato da CDU às eleições do próximo dia 26 ao Parlamento Europeu, Jerónimo de Sousa começou por se referir à recente crise no Governo a propósito do descongelamento da carreira dos professores para depois comentar a postura dos seus opositores nas políticas comuns da agricultura e do mar.

"A operação de chantagem do PS e a situação que foi criada no país é bem reveladora da natureza das suas reais opções", disse o líder dos comunistas, defendendo que "PS, PSD e CDS continuam irmanados na obediência e submissão às imposições da União Europeia, colocando-as à frente dos direitos dos trabalhadores e da reposta aos problemas nacionais".

Jerónimo de Sousa atribuiu ao Governo uma política que, "no que é estruturante, é comum a PS, PSD e CDS" e observou: "Por isso os vemos nesta campanha eleitoral não a discutir o que interessa, os problemas do país e os impactos das políticas da União Europeia, mas apostados apenas na picardia, na diatribe, na personalização da política e na política-espetáculo".

Usando o exemplo do próprio distrito de Aveiro, onde a exploração agrícola e as pescas têm peso significativo, o secretário-geral do PCP realçou que foram PS, PSD e CDS que, "em sucessivas reformas da Política Agrícola Comum e na que atualmente está em debate, aprovaram a liberalização" dos mercados e da produção.

"Isso quer dizer, no concreto, que está em curso o fim do direito de plantação na vinha, com a possibilidade de cada Estado-membro alargar em 1% a sua área de vinhedo. Se Itália, França ou Espanha aumentarem em 1%, isso significa mais vinho [estrangeiro] a entrar no mercado nacional. Foi o que aconteceu com o leite: enquanto cá PS, PSD e CDS juravam amor eterno aos produtores de leite, lá acabaram com as quotas leiteiras, levando à destruição de milhares de explorações no nosso país", declarou.

Para Jerónimo de Sousa, o tema tem estado ausente do debate eleitoral porque os três partidos "estão comprometidos com a liberalização do setor" e o mesmo se aplica à "política comum das pescas, [que tem sido] desastrosa em toda a linha para os pescadores e para Portugal".

Lembrando que em 1986 o país assegurava 70% das suas necessidades de pescado e hoje se fica por pouco mais de 30%, o líder do PCP afirmou que na atualidade "o mais grave é a redução do número de pescadores, com a faina crescentemente a ser feita por reformados e emigrantes, em condições quase clandestinas".

Também a esse nível, o líder dos comunistas culpou PS, PSD e CDS: "Enchem a boca com a economia azul, fazem vistosas conferências como a dos Oceanos, mas, com esta política que os três e seus governos executaram em Portugal, é a liquidação das pescas que está em curso e isso não querem eles discutir [na campanha eleitoral]".

Francisco Gonçalves, candidato da coligação, assumiu posição idêntica, apelando ao reforço de votos na CDU como forma de evitar prejuízos maiores para os setores primários da economia nacional - que a cada revisão das normas europeias estará a ser prejudicada por sucessivos cortes nas quotas de produção e "pelo consequente agravamento do défice alimentar português".

Recorrendo ao sarcasmo, o candidato deu um exemplo do que gostaria de ver corrigido: "Esgotada a tonelagem prevista na quota da sardinha, o que ocorre normalmente antes do final de cada ano, os portugueses continuam a fazer sardinhadas e ela continua a ser pescada no nosso mar. A questão é que essa pesca no nosso mar - a terceira zona económica exclusiva da União Europeia - deixa de ser feita por pescadores portugueses e passa a ser feita pelos de outras paragens, o que curiosamente, ao que dizem, já não cria os tais problemas dos `stocks`".

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