Política
Oposição a Jardim pede a Belém que imponha transparência
Os socialistas da Madeira entraram este domingo na campanha para as eleições de outubro a fazer da controvérsia da dívida oculta a principal arma contra Alberto João Jardim, pedindo ao Presidente da República que “obrigue” os poderes de Lisboa e do arquipélago a divulgarem “o plano de austeridade que se prepara nas costas dos madeirenses”. Nove forças participam num ato eleitoral em que o líder do PSD insular espera reeditar a maioria absoluta com “uma vitória esmagadora” numa “guerra” que diz estar a ser lançada a partir do Continente.
Depois de o Bloco de Esquerda, pela voz de Francisco Louçã, ter instado o primeiro-ministro a mostrar já no debate quinzenal da próxima quarta-feira os números da auditoria às contas públicas da Madeira, o cabeça-de-lista do PS para as legislativas regionais de 9 de outubro veio apelar a uma intervenção de Aníbal Cavaco Silva. Campanha em marcha
São nove os partidos na corrida das eleições para a Assembleia Legislativa da Madeira – PSD, PS, CDS-PP, CDU, BE, MPT, PND, PTP e PAN. A dívida é para já o tema dominante.
Há quatro anos, a CDU tornou-se o terceiro partido mais votado da Oposição. O cabeça-de-lista da coligação entre PCP e PEV, Edgar Silva, iniciou a campanha com a defesa de “um programa com medidas extraordinárias de combate à corrupção na Madeira”.
Já o BE, atualmente representado por um deputado, propõe-se ocupar mais lugares na Assembleia. Expor as “obras megalómanas” do Governo Regional é um propósito declarado do cabeça-de-lista Roberto Almada.
A lista do CDS-PP é encabeçada por José Manuel Rodrigues, que já definiu como objetivo acabar com a histórica maioria absoluta de Jardim. O líder do PSD da Madeira admitiu coligar-se com os democratas-cristãos em caso de vitória sem maioria absoluta. Um cenário já rejeitado pelo CDS-PP.
Com representação parlamentar desde 2007, MPT e PND procuram manter os lugares sob as lideranças, respetivamente, de João Isidoro e Hélder Spínola, enquanto José Manuel Coelho aparece agora como candidato pelo Partido Trabalhista.
Cabeça-de-lista pelo Partido dos Animais e da Natureza, Rui Almeida começou a campanha a alertar para as consequências ambientais da “pecuária intensiva”.
Maximiano Martins pediu ao Presidente da República “que obrigue o Governo de coligação PSD-CDS, em Lisboa, e o Governo PSD na Madeira a divulgar o plano de austeridade” que, acusou, “se prepara nas costas dos madeirenses”.
Em Santo António da Serra, no concelho de Santa Cruz, o dirigente socialista apelou ao Chefe de Estado para que “ajude os madeirenses, portugueses de primeira, a conhecer a auditoria à Região, as contas verdadeiras da Região e o plano de austeridade que está a ser preparado”.
E também para que emita uma posição sobre as inaugurações protagonizadas por Alberto João Jardim “em pleno período de campanha”: “Isso é uma prática que viola princípios de ética, de moral e de legalidade”.
Na noite de sábado, a ofensiva dos socialistas contra Jardim conhecera já uma nova investida.
Em Valongo, onde discursou num jantar, o secretário-geral do PS criticou Pedro Passos Coelho por não ter tomado “nenhuma decisão em coerência com as palavras” sobre a questão da confiança política no presidente do Governo Regional.
António José Seguro disse que “a única decisão” do primeiro-ministro foi a de abster-se de participar na campanha do PSD da Madeira.
“Pois bem, eu vou à Madeira porque eu não tenho receio de ir à Madeira defender as minhas causas, os valores do PS e de lutar ao lado dos socialistas madeirenses”, afirmou Seguro.
“Exigência democrática”
O coordenador do Bloco de Esquerda desafiou este fim de semana Passos Coelho a abrir o próximo debate quinzenal na Assembleia da República com a divulgação dos resultados da auditoria às contas da Região Autónoma da Madeira. Francisco Louçã lembrava ontem, após uma reunião da Mesa Nacional do partido, que “a iniciativa de escolher o tema e de fazer a intervenção introdutória” cabe ao primeiro-ministro.
“O país não poderia compreender que, perante a gravidade da crise financeira que estamos a viver e perante a dimensão colossal daquilo a que Alberto João Jardim chama um buraquinho na Madeira e com o qual já comprometeu uma dívida de 40 mil euros por cada homem e mulher na Madeira, o primeiro-ministro, conhecendo as contas da dívida e tendo desenhado o programa macroeconómico para lhe responder, não o apresentasse ao país de uma forma clara”, frisou o dirigente bloquista.
Recuperando as palavras do chefe do Governo no debate quinzenal de 14 de setembro, quando Pedro Passos Coelho garantiu que “no fim do mês” o Executivo “disporia não só de uma auditoria completa às contas da Madeira, como também de um programa de resposta económica a essa dívida imensa”, Louçã advertiu contra um eventual “subterfúgio” que configuraria “uma fraude eleitoral”.
“Eu sei que uma fonte anónima do gabinete do primeiro-ministro disse que iria esconder esse programa macroeconómico até meados de outubro, para que os eleitores não o conhecessem na altura em que vão a votos. Eu creio que esse subterfúgio seria inaceitável, seria mesmo uma fraude eleitoral e até política baixa, garantir ao Parlamento que o programa é conhecido pelo Governo em setembro, mas que não é comunicado ao país nem aos madeirenses”, apontou Francisco Louçã.
“Uma vitória esmagadora”
Na véspera do primeiro dia de campanha, durante um comício com mais de um milhar de militantes e apoiantes do PSD das freguesias de São Gonçalo e de Santa Maria, Alberto João Jardim repartiu os apelos ao voto pela esquerda e pela “direita consciente”, apresentando-se como o rosto de uma “revolução tranquila” na Madeira. Mas também como a “sorte grande da direita”. Horas antes, dera um passo atrás na ideia da independência do arquipélago, depois de ter reprovado o Estado por ver a Madeira e o Continente como “dois países”.
“Eu apelo ao voto da esquerda no Funchal porque nós é que fizemos a revolução tranquila, eu fiz o que a esquerda queria ter feito”, sustentou Jardim, para reivindicar “uma revolução tranquila sem incidentes”. “Peço à direita consciente que perceba que, com a revolução tranquila que o PSD fez, foi a sorte grande da direita”, acrescentou.
“A 9 de outubro, eu conto convosco para uma vitória esmagadora que será do povo madeirense contra aqueles que nos insultam e que mentem sobre nós”, prosseguiu o líder do PSD da Madeira, que disse ainda que “este é um momento de unidade”: “Este é o momento para se pôr de lado discussões que não interessam, porque há certas batalhas que, se perdermos agora, estão a comprometer a autonomia. Nós só temos capacidade negocial quando mostramos força e a 9 de outubro eu desafio-vos a mostrar a força do povo madeirense”.
Na noite de sexta-feira, Alberto João Jardim voltou a fazer uso da palavra “independência” para deixar um desafio a Lisboa: “Se Portugal vai resolver os problemas de todos os portugueses, vai ter que resolver os problemas dos portugueses do Continente e dos portugueses da Madeira, porque se há dois países, a Madeira e o Continente, então dêem-nos a independência”.
No dia seguinte, Jardim diria aos jornalistas que sempre foi contra a independência do arquipélago. Alegou ainda que as declarações proferidas no comício da Camacha foram “um desabafo”.
“Sou contra a independência. Impossível não é, mas acho que não é o caminho correto. O desabafo de ontem foi isto: vocês andam a fazer-nos uma guerra, vocês imprudentemente aí em Lisboa transformaram estas eleições regionais num confronto de interesses políticos, financeiros e económicos de Lisboa com a Região Autónoma da Madeira. Se nos querem chatear, então dêem-nos a independência. É um desabafo”, defendeu-se.
São nove os partidos na corrida das eleições para a Assembleia Legislativa da Madeira – PSD, PS, CDS-PP, CDU, BE, MPT, PND, PTP e PAN. A dívida é para já o tema dominante.
Há quatro anos, a CDU tornou-se o terceiro partido mais votado da Oposição. O cabeça-de-lista da coligação entre PCP e PEV, Edgar Silva, iniciou a campanha com a defesa de “um programa com medidas extraordinárias de combate à corrupção na Madeira”.
Já o BE, atualmente representado por um deputado, propõe-se ocupar mais lugares na Assembleia. Expor as “obras megalómanas” do Governo Regional é um propósito declarado do cabeça-de-lista Roberto Almada.
A lista do CDS-PP é encabeçada por José Manuel Rodrigues, que já definiu como objetivo acabar com a histórica maioria absoluta de Jardim. O líder do PSD da Madeira admitiu coligar-se com os democratas-cristãos em caso de vitória sem maioria absoluta. Um cenário já rejeitado pelo CDS-PP.
Com representação parlamentar desde 2007, MPT e PND procuram manter os lugares sob as lideranças, respetivamente, de João Isidoro e Hélder Spínola, enquanto José Manuel Coelho aparece agora como candidato pelo Partido Trabalhista.
Cabeça-de-lista pelo Partido dos Animais e da Natureza, Rui Almeida começou a campanha a alertar para as consequências ambientais da “pecuária intensiva”.
Maximiano Martins pediu ao Presidente da República “que obrigue o Governo de coligação PSD-CDS, em Lisboa, e o Governo PSD na Madeira a divulgar o plano de austeridade” que, acusou, “se prepara nas costas dos madeirenses”.
Em Santo António da Serra, no concelho de Santa Cruz, o dirigente socialista apelou ao Chefe de Estado para que “ajude os madeirenses, portugueses de primeira, a conhecer a auditoria à Região, as contas verdadeiras da Região e o plano de austeridade que está a ser preparado”.
E também para que emita uma posição sobre as inaugurações protagonizadas por Alberto João Jardim “em pleno período de campanha”: “Isso é uma prática que viola princípios de ética, de moral e de legalidade”.
Na noite de sábado, a ofensiva dos socialistas contra Jardim conhecera já uma nova investida.
Em Valongo, onde discursou num jantar, o secretário-geral do PS criticou Pedro Passos Coelho por não ter tomado “nenhuma decisão em coerência com as palavras” sobre a questão da confiança política no presidente do Governo Regional.
António José Seguro disse que “a única decisão” do primeiro-ministro foi a de abster-se de participar na campanha do PSD da Madeira.
“Pois bem, eu vou à Madeira porque eu não tenho receio de ir à Madeira defender as minhas causas, os valores do PS e de lutar ao lado dos socialistas madeirenses”, afirmou Seguro.
“Exigência democrática”
O coordenador do Bloco de Esquerda desafiou este fim de semana Passos Coelho a abrir o próximo debate quinzenal na Assembleia da República com a divulgação dos resultados da auditoria às contas da Região Autónoma da Madeira. Francisco Louçã lembrava ontem, após uma reunião da Mesa Nacional do partido, que “a iniciativa de escolher o tema e de fazer a intervenção introdutória” cabe ao primeiro-ministro.
“O país não poderia compreender que, perante a gravidade da crise financeira que estamos a viver e perante a dimensão colossal daquilo a que Alberto João Jardim chama um buraquinho na Madeira e com o qual já comprometeu uma dívida de 40 mil euros por cada homem e mulher na Madeira, o primeiro-ministro, conhecendo as contas da dívida e tendo desenhado o programa macroeconómico para lhe responder, não o apresentasse ao país de uma forma clara”, frisou o dirigente bloquista.
Recuperando as palavras do chefe do Governo no debate quinzenal de 14 de setembro, quando Pedro Passos Coelho garantiu que “no fim do mês” o Executivo “disporia não só de uma auditoria completa às contas da Madeira, como também de um programa de resposta económica a essa dívida imensa”, Louçã advertiu contra um eventual “subterfúgio” que configuraria “uma fraude eleitoral”.
“Eu sei que uma fonte anónima do gabinete do primeiro-ministro disse que iria esconder esse programa macroeconómico até meados de outubro, para que os eleitores não o conhecessem na altura em que vão a votos. Eu creio que esse subterfúgio seria inaceitável, seria mesmo uma fraude eleitoral e até política baixa, garantir ao Parlamento que o programa é conhecido pelo Governo em setembro, mas que não é comunicado ao país nem aos madeirenses”, apontou Francisco Louçã.
“Uma vitória esmagadora”
Na véspera do primeiro dia de campanha, durante um comício com mais de um milhar de militantes e apoiantes do PSD das freguesias de São Gonçalo e de Santa Maria, Alberto João Jardim repartiu os apelos ao voto pela esquerda e pela “direita consciente”, apresentando-se como o rosto de uma “revolução tranquila” na Madeira. Mas também como a “sorte grande da direita”. Horas antes, dera um passo atrás na ideia da independência do arquipélago, depois de ter reprovado o Estado por ver a Madeira e o Continente como “dois países”.
“Eu apelo ao voto da esquerda no Funchal porque nós é que fizemos a revolução tranquila, eu fiz o que a esquerda queria ter feito”, sustentou Jardim, para reivindicar “uma revolução tranquila sem incidentes”. “Peço à direita consciente que perceba que, com a revolução tranquila que o PSD fez, foi a sorte grande da direita”, acrescentou.
“A 9 de outubro, eu conto convosco para uma vitória esmagadora que será do povo madeirense contra aqueles que nos insultam e que mentem sobre nós”, prosseguiu o líder do PSD da Madeira, que disse ainda que “este é um momento de unidade”: “Este é o momento para se pôr de lado discussões que não interessam, porque há certas batalhas que, se perdermos agora, estão a comprometer a autonomia. Nós só temos capacidade negocial quando mostramos força e a 9 de outubro eu desafio-vos a mostrar a força do povo madeirense”.
Na noite de sexta-feira, Alberto João Jardim voltou a fazer uso da palavra “independência” para deixar um desafio a Lisboa: “Se Portugal vai resolver os problemas de todos os portugueses, vai ter que resolver os problemas dos portugueses do Continente e dos portugueses da Madeira, porque se há dois países, a Madeira e o Continente, então dêem-nos a independência”.
No dia seguinte, Jardim diria aos jornalistas que sempre foi contra a independência do arquipélago. Alegou ainda que as declarações proferidas no comício da Camacha foram “um desabafo”.
“Sou contra a independência. Impossível não é, mas acho que não é o caminho correto. O desabafo de ontem foi isto: vocês andam a fazer-nos uma guerra, vocês imprudentemente aí em Lisboa transformaram estas eleições regionais num confronto de interesses políticos, financeiros e económicos de Lisboa com a Região Autónoma da Madeira. Se nos querem chatear, então dêem-nos a independência. É um desabafo”, defendeu-se.