Professores e Governo apuram "quanto custa o descongelamento"

| Política

“Nós não estaremos na mesa negocial para discutir o tempo”, advertiu o secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira
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A reunião que marcou o reinício das negociações entre o Ministério da Educação e as estruturas sindicais dos professores, agora com as Finanças à mesa, determinou o apuramento dos custos da recuperação do tempo de serviço congelado. Tarefa a cargo de uma comissão técnica que terá a primeira sessão de trabalho já na próxima semana.

Contas em curso, negociações adicionais remetidas para setembro. Foi esta a decisão tomada na quarta-feira durante a reunião que juntou a cúpula do Ministério da Educação, um par de secretários de Estado de Mário Centeno e os sindicatos dos docentes.

A greve às avaliações é interrompida a partir de sexta-feira. A trégua prolonga-se até 17 setembro.

Diante de centenas de professores concentrados diante do Ministério da Educação, Mário Nogueira resumiu os resultados do encontro: “O Governo veio dizer que finalmente aceita que se crie uma comissão técnica para apurar quanto custa afinal o descongelamento”.

“Teve a importância de o Governo finalmente aceitar fazer contas sérias e rigorosas relativamente ao custo do descongelamento e da recuperação do tempo de serviço, teve a utilidade de o Governo, pela primeira vez, não ir para uma reunião a afirmar que o tempo a recuperar eram dois anos, nove meses e 18 dias e que, portanto, recuperar os nove anos, quatro meses e dois dias estava fora de hipótese”, detalhou.

Ana Isabel Costa – Antena 1

O secretário-geral da Federação Nacional dos Professores martelaria o aviso de que não haverá luz verde sindical à negociação de quaisquer condições que não passem por recuperar na íntegra o tempo de serviço congelado.

“Nós não estarmos na mesa negocial para discutir o tempo”, advertiu o dirigente da Fenprof, para acrescentar, adiante, que os sindicatos nunca deixarão “cair o tempo completo”.

Mário Nogueira apelou ainda aos partidos – à esquerda e à direita do PS, a única formação que não recebeu os sindicatos da classe em audiência - para que “não deem o aval ao Orçamento do Estado se não estiver prevista a recuperação do tempo de serviço”, assinalando que “esta questão não é partidária”.

Os resultados das contas da comissão técnica devem ser tornados públicos até ao termo do mês de julho.
“Faremos caminho”
Em declarações também recolhidas pela Antena 1, o secretário-geral da Federação Nacional da Educação, João Dias da Silva, não mostrou entusiasmo após o encontro de quarta-feira.

“O grande drama que eu trazia da reunião era poder dizer aos professores que já foi desta vez que o Governo cedeu nos nove anos, quatro meses e dois dias e não pude trazer essa resposta hoje”, lamentou o dirigente da FNE.

Igualmente ouvido pelos jornalistas no final da reunião, o ministro da Educação voltou a colocar de parte a contabilização integral do tempo congelado – de 2011 a 2017.

“Não, o que eu disse é que faremos caminho. Precisamos de ter premissas comuns, uma pedra basilar que seja comum, que não seja de nenhuma forma algo que possa distorcer o nosso diálogo e nesse sentido termos números que sejam sólidos e que sejam entendidos por ambas as partes como robustos”, frisou Tiago Brandão Rodrigues.

“Fazer caminho é entender até onde podemos ir”, resumiu o governante. Reiterou ainda que, a expensas da criação da comissão técnica, que visará “dissipar qualquer dúvida”, a “reconstituição da carreira tem vicissitudes financeiras impossíveis de comportar”.

“A sustentabilidade não nos permite hoje ir mais longe da proposta que fizemos às organizações sindicais”, rematou.

c/ Lusa

Tópicos:

Congelado, Educação, FNE, Fenprof, Governo, João Dias da Silva, Ministro, Ministério, Mário Nogueira, Professores, Serviço, Sindicatos, Tempo, Tiago Brandão Rodrigues,

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