Rio diz que "não é minimamente aceitável" que Marcelo tenha recebido Rangel para tratar de prazos eleitorais

por João Torgal

Lusa

O presidente do PSD disse hoje considerar "muito estranho" que o Presidente da República tenha recebido um candidato partidário e que, se o encontro serviu para falar de prazos eleitorais, discorda e "não é minimamente aceitável".

Em declarações aos jornalistas à chegada ao parlamento para o segundo e último dia de debate do Orçamento do Estado na generalidade, Rui Rio foi novamente questionado pelos jornalistas sobre a audiência concedida por Marcelo Rebelo de Sousa a Paulo Rangel, candidato à liderança do PSD, que foi divulgada na quarta-feira na página oficial de Belém.

“Obviamente que acho muito estranho que o Presidente da República receba um putativo candidato à liderança de um partido. Se for verdade o que vem nos jornais, que ainda por cima o que lá foram tratar foi a data das legislativas e tendo em vista a data das diretas do PSD, significa que vamos condicionar o país às diretas do PSD”, criticou.

Rio salientou que nem sequer os partidos foram ainda ouvidos sobre eventuais prazos para as legislativas antecipadas, caso se confirme o chumbo do Orçamento do Estado hoje à tarde.

“Se assim foi, peço desculpa, tenho o máximo respeito pela figura do Presidente da República, pelo professor Marcelo Rebelo de Sousa, mas tenho de discordar frontalmente”, disse.

E acrescentou: “Não é minimamente aceitável num país qualquer, neste caso um país europeu, que um chefe de Estado receba e possa combinar uma coisas com um líder da oposição”, disse, acrescentando rapidamente “líder da oposição interna".

Rio recusou responder se poderá fazer uma nova proposta de adiamento das diretas, reiterando que “cada coisa a seu tempo”, não querendo também adiantar qual seria a sua data preferida para eventuais legislativas antecipadas.

No entanto, defendeu que estas se devem realizar o mais depressa possível, admitindo que se possam atrasar um pouco para não coincidirem com o período de Natal e Ano Novo.

“Outra coisa é empurrar, empurrar, empurrar, não por nada de nada de especial, mas por qualquer coisa inventada para condicionar o futuro do país”, disse.


(Com Lusa)
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