Trump pode dificultar acesso aos vistos de residência permanente

por RTP

Durante a campanha presidencial, Donald Trump deixou clara a intenção de manter os níveis de imigração “dentro das normas históricas”. O Presidente eleito dos Estados Unidos não pretende apenas controlar mais rigorosamente os imigrantes ilegais: quer também restringir a imigração legal.

Torna-se, no entanto, difícil definir o significado destas “normas históricas”. Em 1921, o Emergency Quota Act procurou limitar a imigração e levou a que, entre as décadas de 1930 e 1970, o número de imigrantes no país caísse drasticamente e alcançasse os cinco por cento, o nível mais baixo de sempre.

O fim do Emergency Quota Act deu-se em 1965, quando foi substituído pelo Immigration and Nationality Act. Este novo sistema passou a selecionar os imigrantes que entravam no país de acordo com as suas capacidades e relações com cidadãos norte-americanos.

Nesta altura, a população com pais imigrantes nascida nos Estados Unidos quase triplicou, tendo chegado aos 13,3 por cento. O Pew Research Center estima que, até 2065, alcance os 18 por cento.
Qual é a “norma histórica”?
Assim sendo, caso a norma histórica de Trump se refira ao período entre 1921 e 1965, o número de vistos de residência permanente – os chamados green cards - podem diminuir para mais de metade, revela o diário norte-americano The New York Times.

Se, em vez disso, a norma se referir ao período entre 1966 e 1976, o número de migrantes a entrar nos EUA teria de baixar para cerca de 41 por cento.

De qualquer das formas, prevê-se que Donald Trump coloque em prática os planos já anunciados para impedir a emissão de green cards. Em agosto, o republicano afirmou no seu website oficial que “nem toda a gente que tenta entrar no país o poderá fazer”. “É nosso direito, como nação soberana, escolher os imigrantes que pensamos que poderão prosperar e florescer aqui”, declarou.

Na extensa declaração, Trump refere ainda que “chegou o momento para uma nova comissão de imigração desenvolver uma reforma do sistema legal”. Para o novo Presidente norte-americano, é também importante que os imigrantes sejam “financeiramente autossuficientes”.
Imigrantes ilegais e muro fronteiriço
Em relação a quem habita ilegalmente o país, Donald Trump mostra-se igualmente firme. “Para aqueles que estão cá de forma ilegal e procuram um estatuto oficial, apenas existe uma solução: têm de voltar para casa e candidatar-se à reentrada nos EUA”, explica.

“Quando tivermos alcançado os nossos objetivos e acabado de vez com a imigração ilegal, construindo entretanto um grande muro [entre os Estados Unidos e o México], apenas aí estaremos em posição de considerar quem permanecerá no país”.



O magnata demonstrou intenções de triplicar o tamanho da U.S. Immigration and Custom Enforcement, a agência responsável pela investigação das vulnerabilidades da segurança fronteiriça, e criar forças especiais de deportação. Estes investimentos podem custar entre 51,2 e 66,9 mil milhões de dólares (entre 47 e 61 mil milhões de euros).

Contrariando Trump, especialistas afirmam que futuros imigrantes e os seus filhos podem ser essenciais para o mercado de trabalho norte-americano. Uma restrição das políticas migratórias pode, também, agravar a solvência da Segurança Social e do Medicare, programa de seguros que abrange dezenas de companhias.

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