Brexit. Tony Blair defende segundo referendo no Reino Unido

| Europa

Caso Theresa May consiga chegar a um acordo com a UE, este terá ainda de ser aprovado pelo parlamento britânico
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Tony Blair, ex-primeiro-ministro britânico, reforçou esta quinta-feira a necessidade de um referendo no Reino Unido que permita que os eleitores escolham entre um Brexit sem acordo ou a continuidade do país na União Europeia. As declarações chegam no mesmo dia em que Theresa May vai estar reunida com vários ministros britânicos para os manter atualizados acerca das negociações para o Brexit.

Caso Theresa May consiga chegar a um acordo com a União Europeia, este terá ainda de ser aprovado pelo parlamento britânico, que se encontra profundamente dividido quanto a este tema.

“Ainda acredito que seja possível travar o Brexit, acho que não vai haver maioria absoluta no parlamento para nenhuma proposta trazida pela primeira-ministra”, declarou Blair, admitindo que existe uma hipótese de 50 por cento de um segundo referendo.

Alguns dos membros do Partido Conservador de May estão descontentes com as propostas que a primeira-ministra tem apresentado e o Partido Trabalhista, da oposição, já adiantou que deverá votar contra qualquer plano que seja proposto.

Nestas circunstâncias, Tony Blair defende que o país deveria poder votar novamente a favor ou contra o Brexit.

“Se houver um bloqueio no parlamento, a discussão é muito simples”, garante. “Dirão que já andam a tentar chegar a um acordo que funcione há mais de dois anos e que o parlamento vai bloquear o processo”.
“Danos económicos”
A menos de seis meses da saída do Reino Unido da União Europeia, ainda não é claro o estado em que irão ficar as relações entre aquela que é a quinta maior economia do mundo e a UE.

Blair defende que, caso o Brexit vá para a frente, a deslocação económica será tal que o Reino Unido terá de convencer os investidores a fazer negócio no país.

“Qualquer que seja a proposta para o Brexit, irá resultar em significativos danos económicos”, acrescentou. “Por que razão vamos dar a nós mesmos este problema num campo em que somos predominantes a nível global?”.

“Este é o problema com as políticas dos dois grandes partidos”, disse, referindo-se aos conservadores e trabalhistas. “Pensam que podem seguir com o Brexit e depois envolver-se em legislações sociais para tornar o capitalismo mais justo”.
“Solução draconiana”
Theresa May vai esta quinta-feira reunir-se com vários ministros britânicos para discutir o Brexit. O encontro acontece horas depois de o Partido Unionista Democrático (DUP) – o maior partido da Irlanda do Norte – ter ameaçado retirar o seu apoio caso a primeira-ministra aceite aquilo a que chama de “solução draconiana” por parte da União Europeia.

A UE propõe que apenas a Irlanda do Norte se mantenha numa unidade alfandegária com o bloco europeu, algo que a primeira-ministra considera “inaceitável” pois iria dividir o país.

May pretende evitar a imposição desta fronteira de fiscalização no Mar da Irlanda, entre a província da Irlanda do Norte e o resto do Reino Unido, mas a crescente pressão para chegar a um acordo com a UE leva a acreditar que a primeira-ministra possa ceder à proposta europeia.

“Ela não irá ter o apoio do DUP mesmo que o Governo tente chantagear-nos ou forçar-nos a aceitar” um acordo proposto pela UE, garantiu Sammy Wilson, porta-voz do DUP para o Brexit.

Caso o DUP deixe de apoiar Theresa May, as probabilidades de o acordo ser aprovado no parlamento serão muito reduzidas.

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