Comissão Europeia. Ursula von der Leyen submete-se ao exame de Estrasburgo

| Europa

No discurso aos eurodeputados, a ministra alemã da Defesa prometeu implementar um "acordo verde para a Europa"
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A ministra da Defesa da chanceler Merkel foi a escolha para presidente da Comissão Europeia que saiu da difícil reunião de líderes no início deste mês, encontro com a espinhosa tarefa de distribuir os cargos de topo da União. Ursula von der Leyen, a quem se atribuem problemas internos na pasta da Defesa, pode assim estar a escassas horas de assumir as rédeas da Comissão, tornando-se a primeira mulher no cargo.

Antes das perguntas dos eurodeputados, a apresentação pela própria. Ursula von der Leyen falou ao Parlamento de Estrasburgo esta terça-feira de manhã, num discurso de intenções que marcou o arranque dos trabalhos. Ursula von der Leyen precisa de pelo menos 374 votos que garantem uma maioria absoluta para suceder a Jean-Claude Juncker, actual presidente da Comissão Europeia.

Na agenda do dia, apenas um ponto: a votação para a nova presidente da Comissão Europeia, cargo para o qual apenas existe para já uma solução – von der Leyen.

Se tudo correr pelo melhor a von der Leyen, a atual ministra alemã da Defesa iniciará ao final da tarde – a votação está marcada para as 17h00 (hora de Lisboa) – um mandato de cinco anos à frente da Comissão Europeia, tornando-se ao mesmo tempo na primeira mulher a assumir a presidência da Comissão.

Para isso, Ursula von der Leyen necessita de uma maioria absoluta dos votos da câmara, ou seja, deve recolher o “sim” de pelo menos 374 eurodeputados. A aritmética do hemiciclo encerra-se para já na incógnita dos apoios menos declarados à ainda ministra da equipa de Angela Merkel. Seja qual for a contagem final, von der Leyen deixou entretanto a promessa de abandonar de imediato o Executivo alemão.
Em busca do ecumenismo
Com uma tarefa que não está completa, no que diz respeito à garantia dessa fasquia mínima de 374 deputados, von der Leyen procurou com o seu discurso abrir um chapéu para todas as ideias, uma salvaguarda para todos os grandes problemas com que defrontam a Europa e o mundo: o combate pelo clima, a luta contra os regimes autoritários, o combate contra o protecionismo e a igualdade de género, no caso, na representatividade que garante equivalente num seu futuro Colégio de Comissários.

Sobre esta questão, a potencial presidente da Comissão já disse que não hesitará em exigir novos nomes, “caso os Estados-membros não proponham um número suficientes de comissárias”.

Com um elogio à obra dos pais e mães fundadores do projeto da Europa unida, von der Leyen deixou uma nota de preocupação com o processo do Brexit, manifestando abertura para o alargamento dos prazos de saída do Reino Unido, previsto para 31 de outubro deste ano.

Sublinhando o respeito pela decisão do outro lado da Mancha – “uma decisão séria que lamentamos” – Ursula von der Leyen declarou neste discurso de apresentação do seu projeto aos eurodeputados estar aberta a dilatar os prazos de saída do Reino Unido caso o novo chefe do governo britânico apresente uma razão válida.
Flirt com os Verdes

A candidata comprometeu-se a tornar o espaço comunitário livre de emissões de carbono até 2050, a finalizar a união monetária e ainda a proteger os cidadãos da UE do próximo choque económico.
“O nosso desafio mais importante é manter o planeta saudável. É a maior responsabilidade do nosso tempo. Quero que a Europa seja o primeiro continente neutro em carbono em 2050. Para tal, temos de assumir metas mais ambiciosas. O nosso objetivo atual não é suficiente”, afirmou a política alemã, num claro piscar de olhos à bancada dos Verdes, que não esconde a intenção de votar contra a sua candidatura.

Von der Leyen precisa desse mínimo de 374 votos e cada “sim” do hemiciclo de Estrasburgo torna-se nestas derradeiras horas fundamental para que venha a tornar-se na primeira mulher presidente da Comissão Europeia, quando apenas parece garantido o apoio dos populares europeus, com 182 votos.

Os 153 votos socialistas não têm destino certo. Os Verdes poderão não arredar o pé do “não”. O grupo Renovar Europa (liberais e democratas) não levanta o véu. Saber-se-á a partir das 17h00 em Portugal, 18h00 em França.

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