Macron quer PM reunido com partidos e representantes dos “coletes amarelos”

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Depois das cenas de violência a que Paris assistiu este sábado entre manifestantes do movimento “coletes amarelos” e a polícia, Emmanuel Macron presidiu a uma reunião de crise este domingo. Um encontro em que o Presidente francês ordenou ao Ministro do Interior para ajustar o dispositivo policial em torno dos bloqueios em Paris e por toda a França e ao primeiro-ministro para reunir com partidos e representantes dos manifestantes.

Os confrontos de sábado deixaram mais do que ruas, lojas e carros destruídos pela capital. Marine Le Pen e Jean-Luc Mélenchon vieram a terreno este domingo exigir eleições antecipadas para sair da crise provocada pelos protestos dos “coletes amarelos”.

“Não vejo outra forma, ao nível da gravidade desta crise política, de sair desta situação, a não ser retornando às urnas, defende a presidente da União Nacional. Mélenchon, líder do movimento França Insubmissa, reiterou que entre a legitimidade do executivo e a dos “coletes amarelos”, “só há uma forma de decidir, é o voto”.

Reclama-se um gesto forte do Governo, começando por uma moratória ou um congelamento do aumento dos impostos sobre os combustíveis. Os Republicanos pedem um referendo à política ecológica e fiscal de Macron, enquanto à esquerda, o líder do PS, Olivier Faure reclama Estados Gerais para analisarem o poder de compra dos franceses. O movimento Geração veio reclamar a demissão do ministro do Interior.

Emmanuel Macron tenta agora dirimir as consequências da contestação dos “coletes amarelos”. Este domingo, vindo da reunião do G20 em Buenos Aires, o Presidente dirigiu-se ao centro de Paris, palco dos confrontos violentos de sábado, e foi repetidamente assobiado na visita. Em seguida, presidiu a uma reunião de emergência.

Uma reunião de onde não saiu uma decisão definitiva ou sequer declarações formais de Emmanuel Macron sobre os protestos dos 'coletes amarelos', franceses de rendimentos baixos, que se têm concentrado, aos milhares, nas ruas de França para exigir alterações nas políticas.

Do gabinete do Eliseu surgiu a informação de que o Presidente pediu ao ministro do Interior Christophe Castaner para “encetar uma reflexão sobre a necessidade de uma adaptação do dispositivo de manutenção da ordem para os próximos dias”. Sublinhou ainda a necessidade de haver investigação judiciária para que nenhum dos atos criminais de sábado escapem a ser punidos, exigindo celeridade e justiça exemplar.

Macron determinou ainda que o governo deverá acompanhar de imediato os comerciantes para que estes possam rapidamente retomar a atividade.

Esta segunda-feira, Macron deverá voltar a reunir-se com o primeiro-ministro Edouard Philippe, depois de lhe ter pedido para receber os chefes dos partidos com assento parlamentar, bem como os representantes dos manifestantes.

Segundo informação da Presidência, a iniciativa, cuja data não foi divulgada, responde à "preocupação constante pelo diálogo" do executivo.
Ministra da Justiça afasta estado de emergência
Durante a manhã, tanto Christophe Castaner como Christophe Griveaux, porta-voz do governo, não descartaram a possibilidade de instaurar o estado de emergência. No entanto, uma fonte citada pela agência Reuters revela que esta possibilidade não chegou a ser discutida pelos ministros.

Nicole Belloubet, ministra da Justiça, argumentou em conferência de imprensa que há outras “soluções” para além do regresso ao estado de emergência, reclamado por alguns sindicatos de polícias depois da violência de sábado. Belloubet afirmou que cerca de dois terços das 372 pessoas ainda sob custódia serão deportadas.

“Não tenho a certeza de estarmos já nesse ponto e penso que há outras formas de solução além do estado de emergência”, declarou.

Na terça-feira, o ministro do Interior Christophe Castaner e o seu secretário de Estado Laurent Nuñez vão comparecer perante a Comissão do Senado. “O Governo não tem direito a um terceiro sábado negro”, avisou o presidente do Senado, Gérard Larcher, num momento em que foram lançados novos apelos nas redes sociais para uma nova manifestação em Paris no próximo sábado.

No total, os confrontos deste sábado levaram à detenção de 630 pessoas, de acordo com um balanço feito pela polícia. Só em Paris, 412 pessoas foram interpeladas pelas forças de segurança e 378 detidas, segundo um balanço da polícia local, que registou 133 feridos, 24 deles polícias. Um dos “coletes amarelos” está em coma.

O corpo de intervenção mobilizou 5.000 polícias e foram usadas 7940 granadas de gás lacrimogéneo, 1150 granadas de fumo e 140 mil litros de água nos carros canhão.

Durante a noite, um condutor motorista morreu em Arles (sudeste de França) depois de embater num veículo pesado numa fila de trânsito provocada por uma coluna de 'coletes amarelos'.

Este acidente aumentou para três o número de mortes relacionadas com os protestos iniciados há três semanas.

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