Sul da Europa converge para Malta em busca de estratégia

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A cimeira de La Valletta, em Malta, "constituirá uma boa oportunidade para concertar posições com os países do sul", indicou fonte do Governo
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Estabelecer uma posição comum para a agenda estratégica do período de 2019 a 2024 é o objetivo da VI Cimeira dos Países do Sul da União Europeia, que se realiza na sexta-feira em La Valletta. Os chefes de Estado e de governo de Chipre, Espanha, Grécia, Itália, Malta e Portugal são os interlocutores de uma reunião que Lisboa encara como “boa oportunidade para concertar posições”.

“Esta cimeira constituirá uma boa oportunidade para concertações posições com os países do sul sobre prioridades para a próxima agenda estratégica 2019-2024, agenda que será adotada no Conselho Europeu, na próxima semana, em Bruxelas”, sinalizou fonte do Governo, citada pela agência Lusa.O Governo tem manifestado concordância com a necessidade de responder a desafios europeus como os fluxos migratórios e a Defesa comum.


À mesa das conversações de La Valletta vão estar os primeiros-ministros de Portugal, António Costa, Espanha, Pedro Sánchez, Itália, Giuseppe Conte, Grécia, Alexis Tsipras, Malta, Jospeh Muscat, Chipre, Nicos Anastasiades, e o Presidente francês, Emmanuel Macron.

Na Conselho Europeu informal realizado no final de maio em Sibiu, na Roménia, foi discutido o projeto de uma Agenda Estratégica. Que tem como eixos a proteção dos cidadãos e das liberdades, o desenvolvimento da base económica, o ambiente verde, justo e inclusivo e a promoção internacional de interesses e valores europeus.

O Governo português deverá levar, uma vez mais, a Malta a defesa de alterações à proposta de Quadro Financeiro Plurianual em matérias como a Política Agrícola Comum e a coesão.

“Portugal continua empenhado em conseguir um acordo dentro do prazo estabelecido pelo Conselho Europeu para garantir um arranque atempado do próximo Quadro. Consideramos que a qualidade do futuro Quadro Financeiro Plurianual é primordial e que este deve refletir claramente a ambição desejada para a União Europeia e um equilíbrio justo entre os diferentes interesses”, enfatizou a mesma fonte.

“Não podemos aceitar que políticas como a PAC e a coesão, que tiveram um papel crucial na superação da crise económica, financeira e social em Portugal, se tornem as variáveis de ajustamento desta negociação”, acentuou.
Brexit e diretórios europeus

A última Cimeira dos Países do Sul da União Europeia aconteceu em janeiro deste ano em Nicósia. O processo de saída do Reino Unido ocupou então boa parte da discussão em solo cipriota, que resultou na posição consensual de rejeição de uma renegociação de termos do acordo do Brexit. O tema deverá voltar agora à mesa em Malta.

Há cinco meses, o primeiro-ministro português deixava um alerta. “Considero que há uma ilusão que não se deve desenvolver no Reino Unido no sentido de se pretender transferir para a Europa problemas políticos internos. Essa não é uma boa solução”, advertiu então António Costa.

A instabilidade na Líbia e a procura de uma solução integrada para a crónica crise das migrações são também temas a abordar em La Valletta.

Em Chipre, as migrações ficaram descritas como um importante desafio que impõe “soluções de longo prazo, combinadas com um controlo mais efetivo das fronteiras externas da União”.

“Nós, países do sul da Europa, acreditamos numa responsabilidade partilhada, fundada nos princípios da solidariedade”, declararam então os líderes, para assumirem a defesa de uma “reforma efetiva do Sistema Europeu Comum de Asilo”.

Em Malta, o primeiro ponto na agenda é o “seguimento das eleições para o Parlamento Europeu e da reunião informal de chefes de Estado e de Governo de 28 de maio passado”.

António Costa assume como meta a criação de uma “frente progressista” que reoriente a União no sentido da reforma da Zona Euro, do reforço da coesão e da aposta no capítulo social, além do investimento em ciência.

É neste enquadramento que encaixa o papel do primeiro-ministro como negociador do grupo de líderes à procura de um entendimento entre democratas-cristãos, liberais e socialistas – as principais famílias políticas da União – tendo em vista a escolha dos próximos presidentes da Comissão Europeia, do Conselho Europeu, do Parlamento Europeu e do Banco Central Europeu.

c/ Lusa

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