As reações à demissão de Theresa May

por RTP

A primeira ministra britânica Theresa May anunciou esta sexta-feira a demissão da liderança do partido Conservador, que vai ser formalizada a 7 de junho. As reações não se fizeram esperar. O Presidente da Comissão Europeia lamenta a demissão de May e compromete-se a trabalhar com o futuro primeiro-ministro.

O presidente da Comissão Europeia acompanhou hoje “sem alegria pessoal” o anúncio de demissão de Theresa May e comprometeu-se a estabelecer uma relação de trabalho com o novo primeiro-ministro, “seja ele quem for”.

“O presidente Juncker acompanhou o anúncio da primeira-ministra May sem alegria pessoal.
O presidente Juncker gostava da primeira-ministra May e apreciava trabalhar com ela. Como vincou outras vezes, Theresa May é uma mulher de coragem por quem tem muito respeito”, disse a porta-voz do executivo comunitário, Mina Andreeva, numa declaração em nome de Jean-Claude Juncker.

Na mesma nota, lida pela porta-voz da Comissão Europeia na conferência de imprensa diária em Bruxelas, Juncker compromete-se igualmente “a respeitar e a estabelecer relações de trabalho com o novo primeiro-ministro, seja ele quem for, sem parar as suas conversações com a primeira-ministra May”.

Mina Andreeva esclareceu ainda que a demissão da líder do Governo britânico não altera a indisponibilidade do executivo comunitário para renegociar o Acordo de Saída do Reino Unido da União Europeia (UE), firmado entre Bruxelas e Londres em novembro passado e já ratificado pelo Conselho Europeu.
Merkel respeita decisão de May
A chanceler alemã, Angela Merkel, expressou respeito pela decisão da primeira-ministra britânica, Theresa May, sublinhando que continuará a trabalhar em estreita colaboração com o seu sucessor para um 'Brexit' ordenado.

A porta-voz da chanceler, Martina Fietz, indicou que Merkel e May sempre "trabalharam em conjunto numa boa e confiante" relação e a chanceler continuará a fazê-lo enquanto Theresa May permanecer no cargo.

"Nós e a UE [União Europeia] como um todo, estamos interessados em encontrar uma boa solução no Reino Unido" para a questão do 'Brexit', e isso significa "uma saída ordenada", acrescentou Fietz.
Macron realça relações entre os dois países
O Presidente francês, Emmanuel Macron, saudou o "trabalho corajoso" da primeira-ministra britânica, Theresa May, e pediu também uma "rápida clarificação" sobre o Brexit.

“As nossas relações com o Reino Unido são fundamentais em todas as áreas. É cedo para especular sobre as eventuais consequências da decisão”, afirmou um porta-voz do Palácio do Eliseu.

Os princípios da União Europeia continuarão a ser aplicados, incluindo a prioridade para preservar o bom funcionamento da UE, que necessita de uma rápida clarificação" sobre o ‘Brexit’, acrescentou.
Primeiro-ministro da Irlanda destaca coragem de May
O primeiro-ministro da Irlanda, Leo Varadkar, destacou “a tenacidade, coragem e determinação” mostrada pela sua homóloga britânica, Theresa May, durante o “difícil processo do Brexit”.

O primeiro-ministro assegurou que conheceu “muito bem” a sua homóloga durante os contactos regulares que mantiveram sobre a saída do Reino Unido da União Europeia, considerando que “tem princípios, honra e é profundamente apaixonada pelo país e pelo partido”.

Varadkar acrescentou ainda querer “trabalhar em estreita colaboração” com o sucessor da primeira-ministra no Governo e desejou “o melhor para o futuro” de Theresa May.
Espanha antecipa período de dificuldades
A porta-voz do Governo espanhol, Isabel Celaá, qualificou como uma “má notícia” a demissão da primeira-ministra britânica porque esta decisão “antecipa um período de dificuldades” e um “brexit duro” (sem acordo).

"O brexit duro parece nesta circunstância uma realidade quase impossível de travar", disse Isabel Celaá na conferência de imprensa após o Conselho de Ministros espanhol.

A porta-voz disse que a renúncia é uma "má notícia" para aqueles "que desejam uma retirada ordenada do Reino Unido da União Europeia (UE)".

Isabel Celaá deixou claro que o Governo espanhol preparou todas as "medidas de contingência" que são de sua responsabilidade para "garantir a melhor situação" dos cidadãos e das empresas espanholas com interesses no Reino Unido.

“Podemos esperar um novo líder conservador duro (…) diante de tempos difíceis", acrescentou.

"As dificuldades que estamos a enfrentar como resultado dessa saída desordenada (do Reino Unido) são um exemplo claro do que pode acontecer se nos deixarmos levar pelo extremismo", disse Isabel Celaá.

"Temos de enfrentar esta situação, reforçando a União, uma União Europeia forte graças a acordos e consensos e não uma União limitada pelo extremismo, egoísmo, nacionalismo", prosseguiu a porta-voz do Governo socialista espanhol.

Moscovo fala em mandato “período muito complicado”
O Kremlin descreveu o mandato de Theresa May como "um período muito complicado" para as relações entre o Reino Unido e a Rússia, indicando "acompanhar com atenção" a situação.

"Infelizmente, não me lembro de qualquer contribuição para o desenvolvimento das relações bilaterais entre a Rússia e o Reino Unido. É mais o oposto, o mandato da primeira-ministra May constitui um período muito complicado do nosso relacionamento", referiu o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, à imprensa.

Peskov escusou-se a comentar o anúncio da demissão de May e salientou ainda que a Rússia está a acompanhar "com grande atenção todos os processos relacionados com o Brexit, que afetam não apenas o Reino Unido, mas também a situação na União Europeia".

c/ Agências
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