Incêndios 2017. UE assume que faltou ajuda a Portugal

por RTP
Bombeiro combate incêndio na Lousã, em 2017 Pedro Nunes - Reuters

O comissário europeu para a Ajuda Humanitária assume que faltou ajuda europeia a Portugal nos incêndios de 2017. O cipriota Christos Stylianides revela ainda que foram os acontecimentos desse ano, no país, que estiveram na base da criação do sistema europeu de Proteção Civil.

"Uma das situações mais dolorosas da minha vida foi não ter resposta para Portugal em 2017 (incêndios) e foi por isso que aceleramos a formação do rescUE", admitiu o cipriota Christos Stylianides, comissário europeu para a Ajuda Humanitária e Gestão de Crises.

Os incêndios florestais que deflagraram em Portugal em 2017 mataram mais de 100 pessoas e destruíram 442 milhares de hectares de floresta e povoamentos.

O comissário europeu esteve nas últimas horas de passagem por Madrid onde está estacionada a frota inicial de meios aéreos de combate a incêndios, composta por sete aviões e seis helicópteros, que faz parte do sistema europeu previsto para este ano.

Croácia, França, Itália, Espanha e Suécia disponibilizaram aviões e helicópteros para este dispositivo que está agora preparado para socorrer qualquer país que seja afetado por incêndios florestais.


No âmbito do Mecanismo Europeu de Proteção Civil, foi criado este ano o "rescUE", com um orçamento de 200 milhões de euros para 2019/2020, que funciona, explicou Stylianides, como "uma rede de segurança adicional", mas que, alertou, "precisa de mais dinheiro para ser melhorada".

Será também utilizado o sistema de satélites Copernicus da UE para cartografar as emergências resultantes dos incêndios.

O objetivo a longo prazo é aumentar as capacidades e os meios e criar uma reserva "rescUE" mais forte, com 75% dos custos operacionais a serem suportados pela União Europeia.

Segundo o diretor do ECHO [mecanismo europeu de ajuda humanitária], no verão o Centro de Coordenação de Resposta de Emergência (CCRE) 24/7 da UE foi reforçado com uma equipa de apoio aos incêndios florestais, com a participação de peritos, através da realização de videoconferências diárias para partilhar informações sobre o risco de incêndio em toda a Europa.Eucalipto em Portugal preocupa

Johannes Luchner, falando sobre Portugal, mostrou-se preocupado com o tipo de madeira [eucalipto] que prolifera no país, defendendo como prioridade a prevenção, a limpeza das matas e o cadastro das terras.

O "rescEU" prevê a criação de uma reserva de ativos a nível europeu para responder a catástrofes, incluindo aviões de combate aos incêndios florestais, bombas de água especiais, equipas de busca e salvamento em meio urbano, hospitais de campanha e equipas médicas de emergência.

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