UE acompanha "de perto" onda de protestos em Hong Kong e pede "contenção"

por Lusa

A União Europeia (UE) afirmou hoje estar a "acompanhar de perto" a onda de manifestações maciças contra emendas à lei da extradição em Hong Kong, pedindo "contenção" para evitar "escalada de violência".

"A UE está a acompanhar de perto a situação em Hong Kong. Nas últimas semanas, vimos a população de Hong Kong a manifestar-se em números sem precedentes, exercendo os seus direitos fundamentais de liberdade de expressão", afirmou o comissário europeu para a Ajuda Humanitária e Gestão de Crises, Christos Stylianides.

Intervindo num debate sobre a situação em Hong Kong, que decorreu na sessão plenária do Parlamento Europeu, em Estrasburgo, França, o responsável notou que a UE tem apelado "à contenção de todos os lados" desde o início da onda de protestos, sublinhando que "deve ser evitada uma escalada de violência".

Falando em nome da chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, o comissário Christos Stylianides assinalou que a UE "partilha muitas das preocupações levantadas pelos cidadãos de Hong Kong relativamente às reformas na lei da extradição propostas pelo governo".

"Esta é uma questão muito sensível, com enormes consequências para Hong Kong e o seu povo, para a UE e para os cidadãos estrangeiros, bem como para a confiança das empresas em Hong Kong", acrescentou.

Christos Stylianides adiantou ser "mais importante do que nunca estabelecer um diálogo para amenizar as tensões".

Hong Kong tem sido palco de vários protestos, na maioria pacíficos. O maior, segundo a organização, aconteceu a 16 de junho, quando cerca de dois milhões de pessoas (mais de um terço da população) saíram à rua para protestar contra a lei.

No entanto, três dos protestos, a 12 de junho, 01 de julho e 15 de julho, foram marcados por violentos confrontos entre manifestantes e a polícia, que chegou a usar balas de borracha, gás pimenta e gás lacrimogéneo.

A chefe do Governo de Hong Kong, Carrie Lam, afirmou já que a proposta de emendas à lei, que permitiriam a extradição de suspeitos de crimes para jurisdições com as quais não existem acordos prévios, como é o caso da China, "estava morta".

No entanto, uma nova grande manifestação contra esta lei e a violência policial está agendada para este domingo, disse à Lusa a porta-voz do movimento que tem liderado os maciços protestos no território, Bonnie Leung.

Os líderes dos protestos exigem que o Governo responda a cinco reivindicações: retirada definitiva da proposta de alteração à lei da extradição, a libertação dos manifestantes detidos, que os protestos de 12 de junho e 01 de julho não sejam identificados como motins, um inquérito independente à violência policial e a demissão de Lam.

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