S Ó S

16 Set. 2020

Vivemos os tempos mais estranhos e inacreditáveis da nossa era. Este nosso mundo que se move a uma velocidade vertiginosa finalmente "parou" e a humanidade isolou-se. Deixámos de correr e o calendário "desacelerou", fechados em casa a pensar se ainda sabemos o que fazer do tempo que nos parece sobrar...São tempos contraditórios, repletos de paradoxos e que nunca pensámos ser possível acontecerem à escala global. Sentimo-nos mais pequenos e impotentes para controlar as nossas vidas. Passámos de poder experienciar, sentir e cheirar qualquer canto do globo, para estarmos confinados nas nossas casas assistindo a tudo à distância de um ecrã.Vivemos a ilusão da proximidade nesse ecrã, através do virtual, enquanto a proximidade real nos é recusada. Não podemos beijar, não podemos tocar, não nos podemos movimentar, não podemos conviver e não podemos abraçar quem amamos. Vivemos a época do "não", da frieza e do distanciamento físico e apercebemo-nos que tudo o que dávamos por adquirido afinal se pode esfumar em segundos: perdemos a liberdade.Nunca estivemos tão longe e em simultâneo tão perto. Mas também nunca estivemos tão sós e a precisar tanto da ajuda uns dos outros. Apercebemo-nos a cada dia que precisamos cuidar e ser cuidados e que as diferenças perdem sentido perante dificuldades comuns, perante algo maior que nos congrega numa responsabilidade partilhada de interdependência e respeito.Perdemos a nossa liberdade mas conquistámos tempo; perdemos a nossa liberdade mas obtivemos perspetiva de vida; perdemos a nossa liberdade mas ganhámos uma oportunidade única de nos reencontrarmos. Enquanto a humanidade pede "socorro", passamos os dias no nosso sofá...

Play - S Ó S
44m

Todos

Direção Artística, Conceito e Coreografia
Daniel Cardoso
Ensaiadores
Kim Potthoff e Rui Reis
Figurinos, Desenho de Luz e Espaço Cénico
Daniel Cardoso
Sonoplastia
Pedro Gonçalves


duração total 44m
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