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Bioluminescência

Bioluminescência

Géneros

  • Artes e Cultura - Teatro

Informação Adicional

Há a poesia das coisas, da coisa por si só, o sol que irradia das coisas, da sua essência. A essência, aquele que respira na sua grande inocência. O inconsciente. Há o observador, o poeta, o interprete, o eterno apaixonado que quer possuir. Ele deseja ser poesia e por isso tenta aliar-se a essa beleza. Visto não ser possível carregá-la na sua totalidade, só em parte - vasos para plantas, gaiolas para pássaros, aquários para peixes, caixas para pedras e conchas, frascos para areia e terra, casas para gatos e cães, frigoríficos para fiambre e peixe cozido, janelas para ver o mar e outras coisas - o sujeito poeta vai criar propriedade para conter essa beleza, para ser detentor dela. Os anos passam e ele apercebe-se que nenhum dos seus esforços serviu. A sua proximidade com a poesia beleza foi um engano, aliás está mais longe do que nunca. O poeta não aceitou a liberdade das coisas e por consequência não aceitou a sua própria liberdade. O fim da sua beleza. Ele sente-se insatisfeito e por isso destrói, não se aguenta. Suicida-se com as suas coisas.
Apesar da fatalidade deste acontecimento, o poeta alega que foi apenas por amor que assim o fez. E na sua carta de suicídio diz-nos: Destruir a casa ponto. Destruir os armazéns, as fortalezas, os legados, os museus, os muros para podermos ver o mar.

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Ficha Técnica

Título Original
Bioluminescência
Intérpretes
Beatriz Garrucho, Catarina Real, Filipa Matta, Helena Ribeiro, Inês Brites, Isabel Costa
Realização
Salomé Martins (RTP)
Produção
Céu Tavares Pinto (RTP)
Música
Benjamim Castanheira
Ano
2019