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Revista da Imprensa Desportiva Com João Diogo

Fogo Fogo em concerto na Casa da Cerca em Almada

Fogo Fogo em concerto na Casa da Cerca em Almada

Foto: Fogo Fogo ©D.R.



Fogo Fogo em concerto na Casa da Cerca 

Os “Fogo Fogo” dão o concerto inaugural do Ciclo, Há Música na Casa da Cerca no dia 27 de Junho, data em que se celebra também a 12ª edição da Festa da Casa da Cerca.

Fogo Fogo

Como o vulcão da Ilha do Fogo, que ainda recentemente provou de forma trágica, há forças nas entranhas da terra cujo avassalador poder ainda desconhecemos e que não são possíveis de prever ou antecipar. O mesmo acontece na música. Apesar de hoje em dia se pensar que a música já não contém mistérios e que já não há nenhum recanto da memória por explorar, a verdade é que de vez em quando ainda surge uma erupção inesperada. Felizmente, no caso da música a única coisa que eventualmente pode ficar arrasada
com tais fenómenos é a inércia. Caso claro: Fogo Fogo, o projecto de Francisco Rebelo (baixo), João Gomes (teclas), Edu Mundo (bateria), Danilo Lopes e David Pessoa (vozes/guitarra) que regularmente tem explodido com incontrolável energia a pista de dança da Casa Independente, verdadeira instituição cultural a funcionar no Largo do Intendente, ao serviço de uma nova Lisboa. A Lisboa que vê nascer estes Fogo Fogo é vibrante e especial: é uma Lisboa onde cabe toda a África, sobretudo a que fala português, tanto a do futuro, como a do passado. Uma Lisboa onde ainda é possível descobrir peças de colecção em vinil dos Tubarões e todas as obscuras pérolas de edição de autor que a diáspora de Cabo Verde gravou nos anos 80 e 90 no estúdio Musicorde de Campo de Ourique e que o mundo nunca ouviu. Essa é a Lisboa que, qual vulcão, expeliu os Fogo Fogo. Há ainda muitos segredos na música, muitos terrenos por explorar. E um desses segredos é o funaná de Cabo Verde, da Ilha de Santiago. A editora Analog Africa, por exemplo, já deu bem conta da mais relevante memória do semba e da rebita de Angola em duas maravilhosas compilações que servem como
uma espécie de história ancestral da música de um país que ofereceu o kuduro ao mundo. Agora, começam a aparecer sinais de que o funaná pode ser a próxima explosão das pistas internacionais: os Tubarões a terminarem em apoteose um concerto em Lisboa com um "Djonsinho Cabral" em êxtase; os Ferro Gaita a incendiarem a multidão num grande espectáculo no Festival Med de Loulé; e, sobretudo, o regresso de Bitori (secundado por músicos de Bulimundo) aos palcos internacionais, por mão de Samy Ben Redjeb da Analog Africa.
Tudo junto, isto significa que Fogo Fogo é uma urgente manifestação de uma cultura que, qual vulcão,
está prestes a explodir. Os músicos envolvidos são ultra-experientes, profundos conhecedores dos múltiplos grooves de inspiração africana e atiram-se a funanás e a música de baile de festa africana no B.Leza ou na Voz do Operário como se 1987 tivesse sido anteontem. E neste contexto assumem a mais primordial das missões: fazer dançar sem truques, apenas com energia de bpms carregados, com a bateria
e o baixo em permanente derrapagem e os sons inspirados na "gaita" (a concertina) a comandarem a identidade melódica. O ano de 2020 reserva novo disco para Fogo Fogo. Depois de três EP e centenas de concertos em grandes festivais, os cinco anos da banda são assinalados com novo disco. Previsto para o final do verão de 2020, Fa Du Fla foi entregue à produção musical de dois gigantes internacionais: Victor Rice e Alexandre Kassin.

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