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Rádio Cacheu Com Fernando Figueiredo Silva

Morreu o músico moçambicano Hortêncio Langa

Morreu o músico moçambicano Hortêncio Langa


Hortêncio Langa nasceu em Manjacaze em março de 1951 e faleceu em 2021, aos 70 anos de idade, vítima de Covid-19.
O seu interesse pela música começou ainda em tenra idade, em Gaza, onde nasceu, influenciado, entre outros, pelos Beatles, Rolling Stones, Elvis Presley ou Luís Gonzaga. Os seus irmãos mais novos seguiram também a música. Pedro Langa, integrou os Ghorwane; e Milagre Langa, o grupo RM.
Hortêncio participou ativamente na produção da nova música moçambicana entre os anos 70 e 80.
Hortêncio Langa era um artista multifacetado, que escreveu o seu nome na arena cultural moçambicana como músico, pintor e escritor. Mas é como compositor e intérprete musical que se fez mais famoso, criando temas que o colocaram como um dos mais talentosos da música moçambicana.
Fez-se referência no panorama moçambicano muito graças à perseverança, que é sua faceta desde 1963, quando, na sua terra-natal, Manjacaze, começou a cantar e a tocar alguns instrumentos, primeiro gaita e depois guitarra de lata.
Hortêncio Langa formou o seu primeiro grupo “Rebeldes do Ritmo” no Chibuto. Eram um trio. Hortêncio (Gaita), Wazimbo (Voz) e Miguel Matsinhe (Congas).
Em 1977, Hortêncio gravou a música “Majikha Experimental N° 1” para a coletânea “Amanhecer Nº 1” e “Ma Jojo” para o “Amanhecer Nº2”.
A música “Majikha Experimental N° 1”, foi criada acidentalmente num estúdio de gravação em 1976 por Hortêncio Langa e Jaimito Machatine. Ela foi tocada casualmente para testar os níveis dos canais do gravador, tascam de 4 pistas. Mas o técnico gravou pensando que era uma música agendada para essa sessão. Como soava bem a linha de guitarra e baixo decidiram mantê-la para, no fim, decidir o que fazer. Quando acabaram de gravar a música do dia, decidiram então colocar, de improviso, outros instrumentos por cima.
Cinco anos depois da independência de Moçambique, Hortêncio Langa, na companhia de Arão Litsuri e João Cabaço gravou um disco “ao vivo” no festival de Neubrandenburg em 1980, na antiga República Democrática da Alemanha, onde está incluída a sua música “Que Beleza”.
Em 1982, gravou pela editora Ngoma os singles “Nitsenzelekile” e “Minha Metade”.
Hortêncio Langa gravou a solo o LP “Khudakabanda”, na Dinamarca em 1986, com assinatura do produtor Jorgen Messel, com o selo da Sensações. Participou com a canção “Poeta” na compilação “Aguarelas”, da mesma editora.
Ainda nos anos 80, Hortêncio Langa fundou o icónico grupo local Alambique, cuja música tem marcas de Marrabenta, Jazz, Blues e Rock. A sua base inicial integrava Arão Litsure, Celso Paco, Childo Tomás e Aderito Gomate.
Em 2011, Hortêncio Langa participou com os temas “Valava Lovolo” e “Interlúdio”, no disco “Kanimambo” de Moreira Chonguiça, onde o artista homenageou lendas da música de Moçambique.
Em 2014, a editora Vidisco lançou o disco “Coleção de Ouro - Música Moçambicana vol. 2”, do qual faz parte a música “Poeta” de Hortêncio Langa.
Em janeiro de 2021, Hortêncio Langa lançou o tema "Majikha Experimental nº 2", é a retoma de um estilo musical baseado num dos ritmos populares urbanos de Moçambique. Ao longo dos últimos 40 anos o artista teve sempre o sentimento de que haviam criado uma sonoridade musical única em Moçambique, que se mantém moderna e inexplorada até hoje. Daí ter decidido retomar a ideia e dar continuidade a série.
No dia 23 de março de 2021, dia do seu aniversário, Hotêncio Langa lançou aquele que viria a ser o seu último disco, da sua longa carreira de mais de 50 anos, intitulado “Ipso Facto”.
Com uma vasta produção a solo abordando problemas do quotidiano moçambicano e amor, Hortêncio Langa explorou também as artes plásticas e a literatura – escreveu os livros “Magoda” e “Luzes de Encantamento”.
Por muitos anos, Hortêncio Langa foi secretário-geral da Associação de Músicos Moçambicanos. Para eternidade ficaram para sempre as suas belas melodias. Até sempre Hortêncio Langa.

Carlos Pedro