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Corpo de português assassinado em Malanje deverá ser autopsiado 5ªf em Luanda

O cidadão português assassinado domingo na sua residência em Malanje (380 quilómetros a leste de Luanda) vai ser autopsiado "provavelmente quinta-feira" na morgue do Hospital Maria Pia, na capital angolana, disse hoje à agência Lusa fonte próxima da vítima.

Corpo de português assassinado em Malanje deverá ser autopsiado 5ªf em Luanda

 

Segundo Fernando Carvalho, após a autópsia, o corpo de Adérito Florêncio Tété, empresário naquela cidade capital da província homónima, 85 anos, natural de Trás-os-Montes e residente em Angola há mais de seis décadas, será trasladado para Portugal, onde será sepultado num cemitério em Lisboa.

Fonte do consulado de Portugal em Luanda disse, por seu lado, à Lusa que a instituição está a dar todo o apoio nas questões administrativas ligadas à trasladação e que está a acompanhar a evolução da situação.

Contactada hoje telefonicamente pela Lusa em Malanje, fonte policial local indicou estar em curso uma investigação ao aparente assassinato, não tendo adiantado pormenores.

No domingo, o porta-voz do Serviço de Investigação Criminal (SIC) em Malanje, Lindo Ngola, confirmou que a morte do empresário português foi provocada por "meliantes não identificados", que lhe desferiram "vários golpes na cabeça com objetos contundentes".

Segundo Lindo Ngola, a morte de Adérito Florêncio Tété está a ser considerada como um "homicídio qualificado" praticado por "elementos não identificados".

De acordo com a fonte, cuja identidade não foi revelada, o empresário tinha o telefone desligado e a residência devidamente encerrada, o que causou alguma suspeita, daí ter comunicado à polícia que descobriu o cadáver no interior da casa.

Nas declarações à Lusa, Fernando Carvalho, funcionário e contabilista das duas empresas lideradas pela vítima, referiu que a polícia está a investigar o caso como se de um homicídio se tratasse, sublinhando que já ficou esclarecido que, na madrugada em que ocorreu a morte, a casa não foi arrombada nem se registou qualquer furto.

O mesmo fora já indicado domingo pelo porta-voz do SIC em Malanje, que lembrou ter tomado conhecimento do sucedido através da denúncia de uma pessoa próxima da vítima, depois de encontrar a viatura de Adérito Florência Tété na via pública com as portas abertas e as chaves na ignição.

Segundo Fernando Carvalho, técnico de contas do Restaurante Capri e da Tété e Gouveia Limitada, hoje, já na presença da viúva, Rosalina Tété, que está em Angola desde a manhã de segunda-feira, realizou-se uma missa de corpo presente.

O também presidente da Associação de Turismo, Hotelaria, Restauração e Similares de Malanje realçou que a vítima, bem conhecida na cidade, tinha rotinas diárias no restaurante Capri, de que era proprietário, sendo costume deixar o estabelecimento por volta das 23:00, após fechar a caixa, transportando, depois, a responsável por essa função à residência, a caminho de casa.

"(Sábado à noite), houve muita afluência (no restaurante) e acabaram por sair só cerca da 00:30/01:00. Pelo que se sabe, deixou a funcionária em casa dela, como de costume, e terá seguido para casa. O alerta foi dado porque, hoje (domingo), Tété não apareceu, tal como era usual, às 05:30, nem às 06:00, nem às 07:00. Foi uma pessoa a casa dele e encontrou-o morto", contou o contabilista à Lusa.

A mesma fonte afastou a "tese" de roubo da receita de sábado à noite no restaurante, uma vez que todo o dinheiro é guardado num cofre dentro do estabelecimento, "embora possa fazer sentido se os alegados autores não o soubessem".