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Programa da Manhã - RDP Africa Com Vasco Dinis.

500 mulheres guineenses debatem estratégias para trazer paz ao país

Um grupo de 500 mulheres da Guiné-Bissau encontra-se reunido até quarta-feira em Bissau, no segundo fórum da paz, para debater as melhores estratégias para trazer a reconciliação e ajudar no processo de desenvolvimento do país.

500 mulheres guineenses debatem estratégias para trazer paz ao país

Sob a coordenação da ex-deputada e antiga líder política, Francisca "Zinha" Vaz, o fórum junta mulheres de atividade política, académicas, empresárias, estudantes, comerciantes, agricultoras e ainda jovens raparigas de diferentes organizações da sociedade civil.

Munira Jauad, da direção do fórum, explicou à Lusa que o encontro juntou mulheres "de todas as camadas sociais do país, das ilhas e até algumas que vivem no estrangeiro" para uma ação de consciencialização "sobre a sua força na promoção da paz" na Guiné-Bissau.

"Queremos que o mundo nos veja juntas, para que se saiba que estamos alinhadas todas a favor da paz. Chega de problemas neste país", defendeu a empresária, que destaca ainda a qualidade dos temas em debate no fórum.

O encontro, que contará com as experiências de mulheres de Cabo Verde, Moçambique, Guiné-Conacri e Marrocos, irá debater o crescimento económico da mulher, a questão da lei da terra, género e direito à herança, a importância e pertinência da lei que fixa a quota mínima de 36% de mulheres nas listas de candidatas a deputadas ao parlamento e ainda o projeto do pacto de estabilidade política.

Valendo-se da sua experiência de antiga vice-presidente de um partido político, do qual acabou por demitir-se por discordar da linha estratégica, Munira Jauad, que foi também embaixadora da Guiné-Bissau na Gâmbia, apelou às mulheres para subirem o nível da sua participação política e desta forma promoverem a verdadeira mudança no país.

"Exorto as mulheres a deixarem de fazer só número. Que a mulher deixe de fazer politiquice e que deixe de ser só cozinheira ou aquele elemento que está aí só para cantar e dançar" nos comícios, enfatizou.

Munira Jauad, que chegou a ser secretária de Estado guineense da Cooperação Internacional, vê muitas mulheres com qualidades e competências para assumir cargos públicos na Guiné-Bissau, o que a faz acreditar que o próximo parlamento terá mais mulheres.

A Guiné-Bissau tem eleições legislativas marcadas para 10 de março.