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Antigo ministro das finanças de Angola ouvido em tribunal

Antigo ministro das finanças de Angola ouvido em tribunal

Minfin (offcial website)



O ex-ministro das Finanças e actual governador do Namibe, Archer Mangueira afirmou que foi ele quem aconselhou o Presidente da República, João Lourenço, a suspender a transferência dos 500 milhões de dólares norte-americanos "porque havia muitos riscos nesse processo todo".

Mangueira fez esta afirmação no Tribunal Supremo, que retomou nesta terça-feira, em Luanda o julgamento do caso 500 milhões de dólares, em que estão no banco dos réus o antigo presidente do Fundo Soberano de Angola, José Filomeno dos Santos, o antigo governador do Banco Nacional de Angola (BNA), Valter Filipe, um antigo director do BNA, António Samalia Manuel, e o empresário Jorge Gaudens por branqueamento de capitais, burla, peculato e tráfico de influência.

Ao declarar no tribunal, segundo o Novo Jornal, o antigo ministro das Finanças revelou ter advertido o Presidente João Lourenço que, citamos, "não havia, de facto, elementos da garantia e não tivemos evidências de que os documentos que os proponentes apresentavam eram verdadeiros".

Archer Mangueira reiterou que os dados apresentados em Londres não eram elementos suficientes para prosseguir com a operação e lembrou quea transferência dos 500 milhões USD não teve despacho presidencial nem o suporte da Lei dos contratos públicos.

Na audição de hoje era suposto depor também o actual governador do BNA, José de Lima Massano, o subdiretor do gabinete jurídico do banco central angolano, Álvaro Pereira, e o assessor económico de João Ebo, na altura governador do BNA.

O julgamento que iniciou a 9 de Dezembro tem por fundo uma transferência de 500 milhões de dólares do BNA para um banco no Reino Unido, alegadamente para criar um fundo de 30 mil milhões de dólares para a economia de Angola, que o Ministério Público diz ter sido ilegal.

Durante a primeira fase das audiências, suspensas antes do Natal, o antigo governador Valter Filipe disse que o antigo Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, dirigiu a operação.

O Tribunal Supremo, a pedido da defesa de Filipe, enviou perguntas ao antigo Presidente mas desconhece-se se ele já respondeu.

Na audiência de hoje, o juiz não fez qualquer referência às perguntas enviadas ao antigo Presidente.

In: Voa