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Auditoria à dívida de Moçambique com segunda versão para responder às críticas

Quando entregou o relatório, em junho, a consultora Kroll queixou-se de falta de informação para averiguar o destino de 2 mil milhões de dólares em dívidas ocultas

Auditoria à dívida de Moçambique com segunda versão para responder às críticas


A consultora Kroll mudou partes do relatório sobre a dívida pública de Moçambique para responder a algumas das críticas feitas por outras consultoras envolvidas nos empréstimos escondidos à ProIndicus e à Mozambique Asset Management (MAM), avança a Agência Lusa. 

"Após a publicação pela Procurador Geral da República do Resumo Executivo, datado de 23 de junho de 2017, a Abu Dhabi Mar e Privinvest e a Palomar Capital Advisors Ltd / Palomar Consultants LLC (conjuntamente a "Palomar") escreveram à Kroll (através de seus respetivos advogados) relativamente ao conteúdo de determinadas partes do Resumo Executivo", lê-se na nova versão do documento.

A realização e divulgação de uma auditoria externa e independente aos empréstimos não divulgados, no valor de 1,4 mil milhões de dólares, era uma das exigências dos doadores internacionais para retomarem o envolvimento financeiro com Moçambique, no seguimento da crise da dívida que mergulhou Moçambique numa crise cambial e económica.

As alterações feitas pela Kroll ao documento são pontuais e servem essencialmente para acomodar as críticas feitas pela Privinvest e pela Palomar, nomeadamente de falta de informação sobre o papel que as duas entidades tiveram nos empréstimos contraídos pela Proindicus e pela MAM.

No que diz respeito à Palomar, que se queixou de nunca ter sido contactada pela Kroll na preparação do relatório, a auditoria explicita agora que "a Kroll também pediu que a ProIndicus solicitasse documentação relevante da Palomar, com base na relação contratual entre as partes".

Fica assim claro que a Kroll encarregou a Proindicus de solicitar informações à Palomar, depreendendo-se que a Proindicus não contactou a consultora, como foi pedido pela Kroll, e por isso a Palomar não forneceu informações adicionais.

Outra das alterações mais significativas diz respeito a uma parte do relatório que está censurada pela Procuradoria Geral da República de Moçambique.

Sobre a verificação dos bens que teriam sido adquiridos por via dos empréstimos, na primeira versão do relatório escrevia-se que "é de notar que a ProIndicus, e não a Empresa Contratada [a Abu Dhabi Mar e Privinvest], parece ter recebido e pago as facturas do(a) [Censurado] pelos serviços prestados".

Esta frase desaparece do relatório, mas não é explicado quem terá, então, recebido e pago as faturas referente ao serviço prestado pela pessoa ou entidade que a PGR prefere não divulgar.

Quando entregou o relatório, em junho, a consultora Kroll queixou-se de falta de informação para averiguar o destino de 2 mil milhões de dólares em dívidas ocultas contraídas por três empresas públicas de Moçambique, havendo discrepâncias de centenas de milhões de dólares em aberto.