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A Hora dos Ouvintes Com Vasco Dinis

Clientes do Banco Postal protestam contra fecho na província angolana do Huambo

Mais de uma centena de clientes do Banco Postal de Angola na província do Huambo concentraram-se em frente ao palácio do governo local exigindo a devolução dos seus depósitos, na sequência do banco central ter revogado a licença da instituição.



Confrontados com o encerramento do balcão na agência local a partir das primeiras horas desta segunda-feira - à semelhança de todo o país -, os clientes, maioritariamente taxistas e pequenos comerciantes, seguiram para o palácio do governo provincial em busca de esclarecimentos.

"Queremos o nosso dinheiro" era a frase de ordem dos clientes "inconformados" com a "ausência de explicações" da direção do banco comercial, sobre a possibilidade de reaverem os seus valores.

O BNA anunciou na sexta-feira o encerramento compulsivo de dois bancos privados, nomeadamente o Banco Mais e o Banco Postal, por insuficiência de capital social, tendo revogado as licenças bancárias e requerido a declaração de falência para ambos.

Em comunicado enviado à Lusa, o banco central angolano garantiu que "tomou medidas" para que o Procurador-Geral da República requeresse a declaração de falência das referidas instituições, junto do Juiz da Comarca Provincial de Luanda.

Entretanto, os acionistas do Banco Postal negaram "falência e insuficiência de capital social", manifestando "profundo desacordo" com a "medida ferida de ilegalidade" anunciada pelo banco central angolano e garantem "recorrer às instâncias judiciais".

Seguidos de perto por efetivos da polícia angolana, os manifestantes contestaram o silêncio da direção provincial do Banco Postal, afirmando ser um "desrespeito" o posicionamento da unidade bancária, ao não terem resposta sobre as suas poupanças.

Tal como em Luanda, nos balcões do banco naquela província também foram afixados comunicados onde a administração garante que "os depósitos e quaisquer outros interesses dos clientes, fornecedores e prestadores de serviços estão salvaguardados".

Na informação de sexta-feira, o banco central recordou que o "prazo de adequação ao novo capital social e fundos próprios regulamentares para o funcionamento das instituições financeiras bancárias" terminou a 31 de dezembro de 2018, conforme definido em fevereiro.

Na altura, o BNA instituiu em 7.500 milhões de kwanzas - o triplo face à legislação anterior - o valor mínimo de capital social e fundos próprios regulamentares para as instituições financeiras que operam no país, o que não terá sido garantido por estes dois bancos.

"Os órgãos de administração e demais colaboradores devem, assim, manter-se à disposição da entidade liquidatária, garantindo-se o encerramento ordeiro da atividade das referidas sociedades financeiras", referiu ainda o banco central angolano.