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Engenheiros querem lei que favoreça contratação de moçambicanos em megaprojetos

A Ordem dos Engenheiros de Moçambique está a dialogar com o Governo para que a lei privilegie a contratação de engenheiros moçambicanos nos grandes projetos de investimento, disse o bastonário.

Engenheiros querem lei que favoreça contratação de moçambicanos em megaprojetos



"Estamos a dialogar com governo no sentido de se criar um instrumento que privilegie, nesses grandes projetos, a contratação de engenheiros moçambicanos", disse Ibraimo Remane, Bastonário da Ordem dos Engenheiros de Moçambique.

Remane falava em Maputo à margem de uma conferência dedicada ao setor do petróleo e gás e em que os recursos humanos e formação foram termas em discussão.

Aquele responsável considerou que a incorporação de engenheiros moçambicanos na fase de construção, manutenção e operação dos megaprojetos do setor, prestes a arrancar, vai permitir que adquiram experiência localmente.

O engenheiro moçambicano "não tem de ir para fora do país" para ter experiência, porque os projetos estão em Moçambique, explicou.

O bastonário apontou a central termoelétrica de ciclo combinado a gás de Maputo como um bom exemplo de trabalho de engenheiros moçambicanos.

Pelo contrário, notou que o mesmo não aconteceu com a construção da ponte rodoviária Maputo-Catembe, considerada a maior ponte suspensa de África e que se encontra em fase de acabamento.

"Perdemos uma oportunidade de ter engenheiros moçambicanos na construção da ponte", lamentou.

A Ordem está igualmente a discutir a qualidade do ensino com o Ministério da Ciência, Tecnologia, Ensino Superior e Técnico Profissional para que se criem competências, acrescentou.

José Mendes, vice-presidente do Pelouro dos Recursos Minerais, Hidrocarbonetos e Energia na Confederação das Associações Económicas (CTA), maior associação patronal do país, defendeu a formação de moçambicanos para o reforço da capacidade institucional.

"Temos de formar pessoas que sejam capazes de apoiar o governo", disse.

A título de exemplo, referiu que "o Instituto Nacional de Petróleos (INP) de Moçambique não tem capacidade institucional para aferir a quantidade das reservas (de gás natural) que estão no norte do país", assumindo os valores indicados pelas empresas de prospeção.

A Cimeira de Moçambique sobre Gás, título do encontro por empresas estatais e privadas, arrancou hoje e decorre até sexta-feira, em Maputo.