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Idai: Impacto do ciclone obriga Governo a novo orçamento e prioridades - economista

O economista e professor universitário moçambicano António Francisco defendeu hoje à Lusa que os efeitos do ciclone Idai vão obrigar o Governo a apresentar um orçamento retificativo e a rever as prioridades políticas em ano de eleições.

Idai: Impacto do ciclone obriga Governo a novo orçamento e prioridades - economista



"Ainda é cedo para contabilizar os efeitos, mas já é visível que os efeitos do ciclone devem obrigar as autoridades a fazer um conjunto de iniciativas que não estavam na agenda este ano, deve obrigar o Governo a rever o seu próprio orçamento e as suas prioridades políticas", disse o economista em declarações à Lusa a partir de Maputo.

"O orçamento para este ano já tinha um défice que corresponde a 90 mil milhões de meticais, cerca de 1,5 mil milhões de dólares", exemplificou, notando a necessidade de canalizar verbas para ajudar os cerca de 400 mil afetados pelo ciclone Idai, que na semana passada atingiu fortemente a cidade da Beira e toda a província de Sofala.

O Governo "tinha a expectativa de, com este ano de eleições, virar a página, mas ao longo de toda esta década houve uma situação não resolvida que já vinha de antes do ciclone", disse o economista, referindo-se ao escândalo das dívidas ocultas contraídas em 2012 e 2013, e divulgadas em 2016.

Agora, apontou, "há uma oportunidade para mostrar algum empenho e menorizar o efeito do ciclone".

O balanço provisório da passagem do ciclone Idai é de 557 mortos, dos quais 242 em Moçambique, 259 no Zimbabué e 56 no Maláui.

O ciclone afetou pelo menos 2,8 milhões de pessoas nos três países africanos e a área submersa em Moçambique é de cerca de 1.300 quilómetros quadrados, segundo estimativas de organizações internacionais.

A cidade da Beira, no centro litoral de Moçambique, foi uma das mais afetadas pelo ciclone, na noite de 14 de março, e a ONU alertou que 400.000 pessoas desalojadas necessitam de ajuda urgente, avaliada em mais de 40 milhões de dólares (mais de 35 milhões de euros).

Portugal é um dos países que enviaram técnicos e ajuda para Moçambique, com dois aviões C-130 da Força Aérea a caminho da Beira e um terceiro, um avião comercial fretado, com partida prevista para hoje, seguindo-se um outro voo na segunda-feira, fretado pela Cruz Vermelha Portuguesa.

Mais de uma semana depois da tempestade, milhares de pessoas continuam à espera de socorro em áreas atingidas por ventos superiores a 170 quilómetros por hora, chuvas fortes e cheias, que deixaram um rasto de destruição em cidades, aldeias e campos agrícolas.

As organizações envolvidas nas operações de socorro e assistência humanitária têm alertado para o perigo do surto de doenças contagiosas.