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Diáspora Com Luís Lucena

São Tomé/Eleições: Primeiro-ministro cessante suspende presidência do partido vencedor

O primeiro-ministro cessante de São Tomé e Príncipe, Patrice Trovoada, decidiu hoje suspender as suas funções como presidente do partido Ação Democrática Independente (ADI), vencedor das legislativas de outubro, anunciou o próprio à Lusa

São Tomé/Eleições: Primeiro-ministro cessante suspende presidência do partido vencedor


Eu decidi suspender as minhas funções como presidente do ADI", disse hoje Patrice Trovoada, numa conversa telefónica, indicando que já comunicou a sua decisão ao Presidente da República são-tomense, Evaristo Carvalho.

A decisão de Trovoada surge após a comissão política do partido ter decidido indicar o ex-governante João Álvaro Santiago para chefiar um executivo, a indigitar pelo chefe de Estado, e que o líder do partido considera não ter o perfil necessário para alcançar um governo de base alargada ou de unidade nacional, como tem defendido.

"As pessoas têm de ter a coragem de recuar. Se o líder não consegue fazer passar o seu ponto de vista, também deve ter a coragem de recuar e distanciar-se", referiu.

Patrice Trovoada revelou também que vai renunciar ao mandato de deputado, para o qual foi eleito nas legislativas de 07 de outubro, por um período "talvez de dois anos".

O ADI vai realizar um conselho nacional no próximo dia 09 de dezembro, acrescentou.

"Espero que lá se encontre um colégio que conduza as atividades do partido até ao congresso", que, na sua opinião, deve decorrer em março ou abril de 2019.

"Temos de fazer um trabalho de reestruturação do partido e tem de ser algo profundo. As teses têm de ser muito bem elaboradas", justificou.

Patrice Trovoada garantiu, no entanto, que pretende regressar à liderança do partido, "para trabalhar na renovação do ADI, com uma aposta nos mais jovens", mas mantém o objetivo de se afastar definitivamente em 2022, como já tinha anunciado no passado.

Questionado sobre se está, enquanto presidente do partido, em "choque" com a comissão política, Patrice Trovoada rejeitou.

"No atual momento político, há muita tensão no ar", disse, considerando que a comissão política se "entusiasmou" com a ideia de apresentar um candidato a primeiro-ministro ao Presidente, mas, para Patrice Trovoada, "o momento é outro, não é o momento de o ADI formar governo".

O ADI chefiou o último executivo em São Tomé e Príncipe, com maioria absoluta no parlamento, e que foi o primeiro a cumprir toda a legislatura, desde a introdução do multipartidarismo no país, no início da década de 1990.

Nas eleições de 07 de outubro, o partido venceu, com maioria simples, alcançando 25 em 55 assentos no Parlamento Nacional, sendo o Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe - Partido Social Democrata (MLSTP-PSD) o segundo partido mais votado, com 23 mandatos, seguido da coligação PCD-UDD-MDFM (cinco deputados).

Estas duas forças da oposição assinaram um acordo pós-eleitoral com incidência parlamentar e com fins governativos, reclamando ter maioria absoluta (28 deputados) e garantindo assim sustentabilidade parlamentar para viabilizar um governo composto pelo que chamam de "nova maioria".

MLSTP e coligação já asseguraram que, caso seja nomeado um governo do ADI, este cairá no parlamento.

Nas eleições foram ainda eleitos dois deputados independentes pelo distrito de Caué, no sul do país.

Após as legislativas, o primeiro-ministro cessante defendeu a necessidade de procurar obter acordos com outras forças políticas para formar um governo de unidade nacional ou de base alargada, mas MLSTP e coligação recusaram dialogar com o ADI.

Trovoada anunciou, na altura, que não pretendia liderar um próximo executivo, considerando que o seu afastamento poderia facilitar o entendimento com outras forças políticas, mas afirmou que se manterá na presidência do partido até 2022.

O ADI indicou, no início deste mês, o ministro da Educação, Olinto Daio, para chefiar um próximo executivo, mas este declinou o convite na semana passada, obrigando o partido a procurar outra personalidade.

O Presidente da República deverá indicar esta semana uma personalidade para formar Governo em São Tomé e Príncipe.