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Vacinação em Angola, entre 13 e 15 de dezembro, para combater pólio

Vacinação em Angola, entre 13 e 15 de dezembro, para combater pólio


Angola promove nova ronda de vacinação para combater pólio, 49 infetados este ano

O Governo angolano vai realizar, entre 13 e 15 deste mês, uma campanha de vacinação contra a poliomielite, doença que já infetou este ano 49 pessoas, para imunizar acima de dois milhões de crianças menores de cinco anos.

Angola está a enfrentar um surto de pólio, causado por um vírus vivo atenuado pela vacina oral da poliomielite, que se reproduz nos intestinos rapidamente, sendo depois excretado nas fezes para o ambiente, infetando crianças que não estão imunizadas.

Para combater a situação, o secretário de Estado para a Saúde, Franco Mufinda, disse que será realizada uma campanha que vai abranger as províncias de Luanda, Bengo, o município de Mussende no Cuanza Sul, três municípios de Malanje, Benguela e Moxico.

Franco Mufinda admitiu que a cobertura de vacinação de rotina ainda regista "zonas cinzentas", ou seja, a taxa de vacinação ronda entre os 70% a 80%, havendo um hiato de 15% a 20%.

"Aqui em Angola, e em muitos países do mundo, temos muitos pontos cinzentos quanto a vacinação de rotina", disse o Franco Mufinda, apontando como causas a "rejeição por questões culturais, religiosas, ou pela falta de acesso ao sistema de saúde".

A Organização Mundial de Saúde (OMS), num comunicado divulgado hoje, realça que a experiência mundial indica que a única maneira de se interromper a circulação deste vírus, derivado da vacina pela via oral, quando sofre mutações, é através de duas ou mais rondas de campanhas de vacinação, utilizando a vacina pólio oral do mesmo serótipo que o vírus circulante.

"Em Angola, foi confirmado laboratorialmente a circulação do vírus tipo 02 e está a ser utilizada a vacina pólio oral monovalente tipo 02. O pólio vírus derivado da vacina não é um efeito adverso pós-vacinação, nem depende da qualidade da vacina, mas sim um evento que acontece quando há uma baixa cobertura vacinal contra a poliomielite na comunidade", lê-se na nota.

O governante angolano referiu que o país regista desde maio deste ano 49 casos de poliomielite, causado pelo vírus de pólio tipo 02, ou seja, causado pela vacina administrada por via oral, que, excretado nas fezes para o ambiente, por vezes sofre mutações e contamina as crianças que não estão vacinadas.

De maio até aqui, sublinhou Franco Mufinda, as campanhas de vacinação permitiram imunizar pouco mais de quatro milhões de crianças.

O Secretário de Estado sublinhou que a vacinação é a única via para o controlo da poliomielite, realçando que Angola já conseguiu controlar os tipos 01 e 03 do vírus, tendo os casos da tipologia 02 começado a ser reportados este ano, o primeiro deles no leste do país.

Em declarações à imprensa, a diretora nacional do Programa Alargado de Vacinação, Alda de Sousa, disse que à medida que as autoridades vão recebendo confirmação da circulação do vírus, vão intervindo com campanhas de vacinação.

"Pretendemos atingir uma cobertura superior a 95%, estamos numa fase final de erradicação da poliomielite. Estas coberturas de vacinação são avaliadas por um grupo independente, quer dizer que no fim de cada campanha é feito um inquérito, onde são inqueridas mais de 60 crianças em cada lote e se, por acaso, no fim deste inquérito, a província recebe o comentário de que mais do que cinco a 10 crianças não foram vacinadas, então temos que repetir a campanha de vacinação", explicou.

Segundo Alda Sousa, muitas vezes a campanha não atinge os níveis desejados, porque há pessoas que rejeitam vacinar as crianças, alegando que "a vacina traz doenças".

"E outros por questões religiosas dizem que a religião não permite, às vezes aparecem mães que querem que as crianças sejam vacinadas, mas os seus esposos não deixam e elas têm medo. São esses grandes problemas que nós temos enfrentado durante as campanhas de vacinação", frisou.

Fonte:Lusa