Ouvir
CONSULTÓRIO JURÍDICO
Em Direto
CONSULTÓRIO JURÍDICO

Zonas do sul e centro de Moçambique afetadas por escassez de alimentos - relatório

As zonas semiáridas do sul e interior centro de Moçambique são as que enfrentam atualmente maior dificuldade de acesso a comida, indica a Rede de Sistemas de Alerta Antecipado de Fome (FEWS Net, sigla inglesa).

Zonas do sul e centro de Moçambique afetadas por escassez de alimentos - relatório



As dificuldades avolumam-se em zonas das províncias de Gaza e Inhambane, no Sul, e de Tete, no centro.

"A partir de dezembro, os domicílios mais afetados provavelmente terão pouco ou nenhum armazenamento de alimentos" e vão viver com "rendimentos abaixo da média para compras no mercado", lê-se num relatório consultado hoje pela Lusa.

No pico da época de escassez, em março de 2019, "o distrito de Chemba na província de Sofala, provavelmente começará a enfrentar um cenário de crise", ou seja, nível três de insegurança alimentar, numa escala de um a cinco, que vai de "risco mínimo" até "fome".

Por outro lado, haverá um cenário de "stress", nível dois, em áreas adjacentes das províncias de Sofala, Gaza, Inhambane e Tete, acrescenta.

A rede acrescenta que um total de 206 mil beneficiários receberam assistência alimentar em Moçambique, em novembro, e a maioria são os agregados familiares mais afetados nas províncias de Tete e Gaza.

De acordo com o relatório, o Programa Alimentar Mundial (PAM) e o CHEMO, consórcio humanitário constituído pela Visão Mundial-Moçambique e a Food for the Hungry, "continuam a fornecer assistência alimentar à medida que os recursos estão disponíveis, ajudando a mitigar os problemas".

"A ajuda alimentar humanitária está prevista para algumas áreas em crise na província de Inhambane, no entanto, não foram garantidos fundos para a assistência", acrescenta.

Desde outubro, os agricultores do Sul "iniciaram atividades de preparação e plantio de terra devido à precipitação média, embora errática".

"As áreas centrais relataram chuvas normais a fortes nos últimos dez dias de novembro e os domicílios nessas áreas iniciaram atividades agrícolas", acrescenta.

No entanto, "as áreas interiores das províncias de Gaza e Inhambane ainda estão em condições secas", sendo que "a precipitação em novembro é fundamental para o início da temporada e um início lento da temporada poderá atrasar a colheita".

Noutro aspeto analisado, "os preços de grão de milho não estão a aumentar tão rápido quanto o previsto anteriormente, embora os preços continuem a aumentar sazonalmente, permanecendo acima dos preços do ano passado na maioria dos mercados monitorizados", conclui.

A rede FEWS Net foi criada pela Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid) em 1985 para apoio à tomada de decisões na gestão de apoio humanitário.

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) estima que 7,2 dos 28,8 milhões de habitantes (cerca de um quarto) vivam em situação de insegurança alimentar crónica no país.

Por outro lado, dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) indicam que 43% das crianças moçambicanas sofrem de desnutrição crónica, um problema que se acentua nas zonas rurais.