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Cabo Verde acolhe primeiro Fórum Itinerante do Cinema Negro

De 17 a 31 de julho, Praia e Mindelo acolhem filmes, oficinas e debates contra os "preconceitos raciais" no continente africano e na diáspora

Cabo Verde acolhe primeiro Fórum Itinerante do Cinema Negro

As cidades cabo-verdianas da Praia e do Mindelo serão palco, de 17 a 31 deste mês, do primeiro Fórum Itinerante do Cinema Negro, evento que pretende "desconstruir estereótipos e preconceitos raciais" do continente africano e da sua diáspora.   
 
O primeiro FICINE é dirigido a cinéfilos, profissionais e estudantes de audiovisual, antropologia e sociologia e será animado com uma série de oficinas, debates e exibições cinematográficas. O fórum, que nasceu no Rio de Janeiro em novembro de 2013, será dinamizado pela brasileira Janaína Oliveira e conta com a presença do cineasta cabo-verdiano César Schofield Cardoso, ambos fundadores do projeto FICINE, e ainda com a colaboração do Cineclube do Mindelo, através da Celeste Fortes, e da própria Samira Pereira, responsável da produtora O2. "O FICINE é um espaço de formação e reflexão sobre a produção mundial de cinema, fotografia e audiovisual que tem os/as negros/as como realizadores/as e as culturas e experiências negras como tema principal", explicou Samira Pereira, salientando que o conceito abrange cinematografias distintas que se estendem dos países africanos às suas diásporas. "De Zózimo Bulbul, no Brasil, a Isaac Julien, no Reino Unido. De Ousmane Sembene, no Senegal, a Julie Dash, nos Estados Unidos. De Zezé Gamboa, em Angola, a Jhonny Hendrix Hinestroza, na Colômbia", exemplificou a responsável.
 
O FICINE será composto por historiadores, antropólogos e cineastas de Cabo Verde e Brasil interessados na produção, crítica, formação e qualificação de público para o debate sobre tais cinematografias. "Problematizar a própria produção, mostrar como determinados contextos culturais constroem narrativas diversas e significativas, bem como criam géneros e linguagens distintas é uma de nossas intenções". Segundo Samira Pereira, o fórum procura refletir sobre as construções de identidades e subjetividades na diáspora e em África, "pensando quais são as relações históricas e culturais responsáveis tanto pela perpetuação de heranças e tradições, quanto pela sustentação de estereótipos e preconceitos raciais". "Conhecer as imagens produzidas por cineastas negros é também um meio de descolonizar o pensamento sobre o cinema e ampliar o repertório de representação sobre o negro, a partir de um discurso produzido pelo próprio negro e não apenas por discursos sobre ele", referiu.   
 
As inscrições para o FICINE já se encontram abertas e podem ser feitas na internet a partir do Facebook e do sítio oficial do evento: www.ficine.org. Para as oficinas, as inscrições são limitadas a 50 pessoas - 25 na Cidade da Praia e outras tantas no Mindelo. As outras atividades são também limitadas à capacidade dos espaços.