Terça, 21 de Maio de 2013
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Aníbal Pires

Partir e chegar

Publicado: 2011-06-08 15:55:39 | Actualizado: 2011-06-08 15:56:04
Por: António Gil
Partir e chegar


O cais da partida e do almejado regresso transmutou-se. A tristeza dos que ficam, a saudade que já germina nos que partem, não muda nunca. Não muda ainda que esse seja um secular fado do povo português: abalar, já a magicar no retorno.

Da baía abrigada do porto para a aerogare. Dos intermináveis dias de viagem para umas fugidias horas, da pedrinha escrita no cais para o sms, da carta escrita para o mail, do telefone fixo, ou móvel, para o skype.

Conquistas da ciência e da técnica que afagam os sentimentos e dão a sensação de proximidade mas que não evitam, na hora da partida, aquele aperto no peito, os dentes cerrados tentando impedir uma lágrima que teima em assomar e rolar pela face e, o sentimento de vazio que, ao último beijo, ao derradeiro aceno, enche a alma de tristeza de quem fica, de quem parte.

Há coisas que as maravilhas da ciência e da técnica não vão mudar nunca. Entre a partida e o regresso fica a ausência e, isso, não se altera. Não há avanço tecnológico que preencha o roubo da presença de quem amamos, ainda que o regresso esteja seguro e a ausência seja curta.

Temos sempre alguém por fora… alguém embarcado e não há como habituar-nos. Nem mesmo o tempo, que é cura para todos os males, remedeia a saudade. Saudade que nem sempre é tristeza, mas é sempre, sempre, um vazio e o refúgio que alimenta a esperança da alegria do regresso, ainda que apenas te tenha deixado ontem no cais da partida. No mesmo embarcadouro de onde vistes partir os teus filhos quando tomaram asas e voaram do ninho, naquele cais da saudade onde nos recebes de sorriso aberto, mas com uma lágrima a espreitar antecipando uma nova partida.

Não há como mudar a dor da hora da abalada, não há como mudar o sentimento de vazio que a ausência desperta, não há como abafar esta saudade. Saudade tão própria dos ilhéus, saudade tão própria dos portugueses. Não há como mudar os sentimentos de um povo marcado pela partida da qual nem sempre há regresso e a saudade perpetua-se, a saudade canta-se no choro triste da morna, do fado, da saudade.

Há coisas que não mudam nunca, outras há, porém que se podem alterar. Só depende de nós!

Aníbal C. Pires, Horta, 02 de Junho de 2011

www.anibalpires.blogspot.com

 
Aníbal Pires Aníbal Pires ANIBAL DA CONCEIÇÃO PIRES, 52 Anos, natural de Castelo Branco, casado, 3 filhos, professor na Escola Básica Integrada Canto da Maia – Ponta Delgada.

Alguns dados curriculares:

Licenciado em Ensino de Educação Tecnológica;
Mestrado em Relações Interculturais (Política Intercultural);
É Doutorando em Geografia Humana (Migrações Internacionais), no Departamento de Geografia da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
Integra o grupo de “stakehoulders” portugueses no projecto “Social Polis”;
Foi Presidente do Conselho Directivo da Escola Preparatória dos Arrifes (1990-1996);
Foi eleito na Assembleia Municipal de Ponta Delgada em 2001/2005;
Coordenador Regional do PCP e da CDU Açores (desde Abril de 2005)
Dirigente do Sindicato dos Professores da Região Açores (SPRA);
Foi membro do Conselho Nacional da FENPROF;
Foi membro do Conselho Regional de Concertação Estratégica (Região Autónoma dos Açores), em representação dos Sindicatos Independentes;
Membro Fundador da Associação dos Imigrantes do Açores (AIPA);
Foi Vice-presidente da Associação dos Imigrantes nos Açores (AIPA);
Colaborador da Associação Caboverdiana de Setúbal (ACVS);
Integrou desde a génese, na qualidade de dirigente da AIPA e colaborador da ACVS, a Plataforma das Estruturas Representativas das Comunidades Imigrantes em Portugal (PERCIP);
Colaborador e Colunista na imprensa da Região Autónoma dos Açores (Açoriano Oriental, A União, Expresso das Nove);
Foi comentador residente na Rádio Açores/TSF no programa de análise política regional, nacional e internacional, “Conversa a 4”
Foi Coordenador do Departamento de Formação Profissional do STFPSA;
Fundador do Clube Desportivo Escolar da Escola Preparatória de Arrifes sendo, actualmente o Presidente da Mesa da Assembleia Geral;
Fundador da Associação de Andebol de São Miguel (7 de Dezembro de 1994) na qual exerceu vários cargos de Direcção;
Foi Presidente da Assembleia Geral da União das Associações de Andebol dos Açores;
Colabora em equipas multidisciplinares de estudos e projectos;
É fotógrafo amador;
Deputado Regional;

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