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Argumentos de Óperas, Obra


O Nariz

1ª ópera (21 anos)

Libreto: Shostakovitch de Gogol

Estreia: (Leninegrado) Teatro "Malïy", 18 de Janeiro de 1930


PersonagensMajor Platon Kuzmich Kovalyov - barítono
Ivan Yakovlevich, um barbeiro - baixo
Praskovya Osipovna, sua mulher - soprano
Inspector da Polícia - tenor
Ivan, criado do Major - tenor
O Nariz - tenor
Funcionário do Jornal - baixo
Um Viajante - actor
Uma Senhora - actriz
Um Senhor - actor
Um Pai - baixo
Uma Mãe - soprano
Filhos - tenor e barítono
Pyotr Fyodorovich - tenor
Ivan Ivanovich - barítono
Uma Velha Condessa - contralto
Criado da Condessa - barítono
Um Vendedor de Goluseimas - soprano
Um Médico - baixo
Yarïnsky - tenor
Pelageya Grigoryevna Podtochina - meio-soprano
A Sua Filha - soprano
Um Velho - tenor
Dois Recém-Chegados - tenor e baixo
Um Mordomo - baixo
Um Distinto Coronel - tenor
Dois Dandis - tenor e baixo
Uma Voz Anónima - baixo
Uma Senhora Respeitável - meio-soprano
Os Seus Dois Filhos - baixos
Khozrev-Mirza - actor
Três Conhecidos do Major - tenor e baixos
Um Polícia - baixo
Um Lacaio - baixo
Porteiro do Chefe da Polícia - tenor
Um Moço de Recados - baixo
Um Cocheiro - baixo

AntecedentesChostakovitch começou a escrever "O Nariz" durante o Verão de 1927 quando tinha 20 anos numa época em que, contrariamente ao que acontecia com o Cinema e o Teatro, a ópera parecia ter estagnado na União Soviética.
A escolha do tema não foi provavelmente sua mas assegurava uma lufada de ar fresco numa Arte que dir-se-ia ter morrido.
Só que, passados 3 anos, quando a ópera subiu finalmente a cena, o clima cultural tinha mudado. Os críticos "proletários" estavam no auge do poder e agrediram selvaticamente a ópera garantindo-lhe uma curta vida. No final do ano "O Nariz" deixara definitivamente os palcos soviéticos.
Passados 30 anos foi levada a cena em diversas cidades ocidentais como Florença, Roma, Santa Fé e Berlim.
A sua reabilitação na União Soviética só aconteceria em 1974 numa produção supervisionada pelo compositor.

1.º ActoIntrodução
Ivan Yakovlevitch está na sua Barbearia a barbear Kovalyov que se queixa de que as mãos do Barbeiro têm sempre um cheiro horroroso.

Primeiro Quadro
Na Barbearia de Ivan Yakovlevitch
Ivan Yakovlevitch acorda com o cheiro ao pão que a mulher, Praskovya Osipovna acabara de cozinhar. Pede-lhe então um pão quente e uma cebola. Enquanto está a cortar a cebola para pôr no pão repara, com horror, que está lá dentro um nariz. Aos seus gritos a mulher responde com uma chuva de acusações como o de ser um bêbado, e autor de alguns outros crimes. Perplexo, Ivan tenta acalmá-la pedindo-lhe um tempo para reflectir, mas a mulher manda-o calar.

Segundo Quadro
No Dique
O Barbeiro atravessa o Dique a correr completamente transtornado não conseguindo ver-se livre do nariz já que se cruza com conhecidos. Atira-o finalmente ao rio, no que é visto pelo Inspector da Polícia que lhe pergunta o que é que ele está ali a fazer.

Terceiro Quadro
No Quarto de Kovalyov
Kovalyov acorda lentamente. Lembra-se que, na véspera, aparecera-lhe uma borbulha no nariz, e vai buscar um espelho. O sono passa-lhe instantaneamente quando repara que o nariz desapareceu. Julgando estar ainda a sonhar, pede ao Criado que o belisque. Nada a fazer: está realmente acordado. Veste-se a correr e vai procurar o Chefe da Polícia.

Quarto Quadro
Na Catedral de Kazan
No meio duma atmosfera beatífica o Nariz aparece vestido de Conselheiro de Estado. Em seguida aparece Kovalyov que, de imediato, reconhece o Nariz, e fica muito confuso sem saber como se lhe dirigir, já que ele ocupa um cargo mais elevado. Kovalyov enfrenta finalmente o Nariz que lhe responde num tom condescendente recusando-se a admitir ter alguma coisa a ver com alguém de tão baixa condição. A chegada de duas senhoras distrai Kovalyov o tempo suficiente para o Nariz se escapar.


2.º ActoIntrodução
Kovalyov aparece numa charrete junto da residência do Chefe da Polícia onde é informado de que ele saiu. Kovalyov ordena então ao Cocheiro que siga para a Redacção do Jornal.

Quinto Quadro
Redacção do Jornal
O Criado da Condessa explica a um Funcionário que a patroa oferece 100 rúpias a quem encontrar o seu cão - o que provoca a euforia dos criados que estão em volta.
Kovalyov entra de rompante para entregar o seu anúncio, mas o Funcionário diz-lhe para esperar que está a atender um outro cliente. Para tornar clara a sua urgência Kovalyov grita que o seu nariz desapareceu - o que provoca risos incontroláveis entre os presentes. O Funcionário diz não poder pôr um anúncio como aquele que só iria desacreditar o jornal, e aconselha Kovalyov a consultar um médico. Numa última tentativa para convencer o Funcionário, Kovalyov descobre o rosto para que ele confirme que aquilo que ele diz é verdade. Sinceramente espantado o Funcionário aconselha Kovalyov a vender a notícia como "aberração da Natureza", e, num gesto de amizade, oferece-lhe rapé. Perante esta afronta Kovalyov tem um ataque de fúria.

Sexto Quadro
Apartamento de Kovalyov
Desesperado, Kovalyov expulsa os criados e entrega-se a profundos lamentos de auto-comiseração.


3.º ActoSétimo Quadro
Numa das Saídas de São Petersburgo
Junto duma carruagem ainda vazia o Inspector da Polícia observa os viajantes que se preparam para entrar na esperança de entre eles se encontrar o Nariz. De facto o Nariz esconde-se por ali, e aproveita a confusão gerada pelo aparecimento duma vendedora ambulante para tentar entrar na carruagem. Só que o seu aspecto assusta os cavalos, o Cocheiro dispara, e os passageiros correm sobre ele - o que o faz reduzir-se à sua verdadeira dimensão. Subjugado pela multidão, o Nariz é cuidadosamente embrulhado em papel pelo Inspector da Polícia que depois se retira com os seus homens.

Oitavo Quadro
Casa de Kovalyov e Casa de Podtochina
O cenário divide-se entre a casa de Kovalyov e a casa de Podtochina.
À casa de Kovalyov chega o Inspector todo ufano com o nariz. Depois de regatearem um pouco, Kovalyov paga uma boa quantia ao Polícia.
Segue-se a tentativa desesperada de voltar a colocar o nariz no seu lugar.
Finalmente Kovalyov decide chamar o Médico - que também não é mais bem sucedido. Kovalyov então lembra-se que pode muito bem ser uma bruxaria feita por Madame Podtochina que o pressionara para que casasse com a filha. Yarïnzhkin aconselha-o a escrever à mulher dizendo que concorda em casar. Em desespero de causa, Kovalyov escreve.
A carta chega a casa de Madame Podtochina que a lê juntamente com a filha.
A cena termina com uma multidão amotinada em busca dum suposto nariz que terá sido visto a passear por São Petersburgo.

Nono Quadro
Apartamento de Kovalyov
Kovalyov salta da cama e começa a dançar a polca feliz da vida: o nariz voltou ao seu lugar

Décimo Quadro
Mercado de Nevsky
Kovalyov passeia-se cumprimentando conhecidos deliciado com o regresso do nariz. Madame Podtochina e a filha saúdam-no calorosamente, Kovalyov conta uma anedota, e é convidado para jantar. Depois namorisca uma vendedora e convida-a para o visitar.
A ópera termina com uma forte pancada do bombo.


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2001 - 24 de Novembro
Enredo resumido da autoria de Margarida Lisboa.