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Cultura

Georges Dussaud | 5 Maio a 31 Julho | 3 Junho a 18 Setembro

Espaço Miguel Torga, Sabrosa | Centro de Fotografia Georges Dussaud, Bragança

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Georges Dussaud | 5 Maio a 31 Julho | 3 Junho a 18 Setembro Georges Dussaud | 5 Maio a 31 Julho | 3 Junho a 18 Setembro

Georges Dussaud - Deux enfants sous la neige, Vilarinho Seco, 1983


Exposição de Fotografia

Município de Sabrosa | São Martinho de Anta
05 Maio a 31 Julho
Entrada livre

Exposição Georges Dussaud 

"Portugal - Entre as Imagens de Dussaud e a Escrita de Torga"

Comissário: Jorge da Costa
Produção: Município de Bragança / Centro de Fotografia Georges Dussaud


Em Portugal, escrevia Miguel Torga, em 1950, "há duas coisas grandes, pela força e pelo tamanho: Trás-os-Montes e o Alentejo. Trás-os-Montes é o ímpeto, a convulsão; o Alentejo, o fôlego, a extensão do alento".

Miguel Torga, por Georges Dussaud

Entre as duas há uma infinidade e afinidade de lugares e tradições, de pessoas e atmosferas, de cenas de trabalho e de afetos, de gestos e de rostos, de romarias e rituais, de incontáveis histórias ancestrais; universos "miraculosamente intactos" que, num tempo não muito longínquo, pareciam subsistir, segundo o poeta, à espera de uma objetiva que os perpetuasse antes que desaparecessem de vez na voragem do progresso.
Alguns sucumbiram já, mas não antes que Georges Dussaud respondesse ao desafio de Torga, que, como fotógrafo viajante e ao longo dos últimos 30 anos, vem fixando pela imagem a cartografia de um Portugal antigo e autêntico; um amplo quadro de referências que a singularidade da própria obra - entre o realismo e a poesia, o documental e o artístico - veio mostrar ao natural, sem retoques, e repleta de humanismo.
Na assunção de que a melhor parte da viagem é o caminho e não o destino, a presente exposição propõe, sala a sala, um olhar demorado sobre o território, conduzido pela objetiva atenta de Dussaud, que ora nos faz subir ao mundo perdido que pulsa no cimo das serras da Nogueira, Montesinho, Larouco, Barroso e Gerês, ora nos faz descer à angústia dos vales profundos do Douro e nos descansa o olhar na ampla orla marítima ou na imensidão da planície. 


De relance, visitamos ainda Lisboa, porque afinal, diz Torga, "a Pátria é tanto o lodo de Alfama, o poleiro de S. Bento e a miséria mental do Chiado, como a lisura de Trás-os-Montes e a ênfase do Alentejo". 
Jorge da Costa

Catálogo da Exposição "Portugal - Georges Dussaud"
Fotografias: Georges Dussaud; texto: Jorge da Costa; excertos: Portugal, de Miguel Torga
Edição: Município de Bragança, 100 pág.




Les deux soeurs, Lamacha, 1983
"Foi num casamento de emigrantes. Fomos convidados. Isto aconteceu depois da boda, à tarde: havia um baile numa eira, e estas tinham sido as meninas das alianças. Isto foi uma espécie de prenda caída do céu para o fotógrafo: aquelas mulheres lá ao fundo – há um lado quase de quadro bíblico, com a apresentação do bebé, e o burro... Atrás decorria o baile popular". (Georges Dussaud)
Depoimento recolhido por Sérgio C. Andrade, Público, 23.07.2007

3 Junho a 18 Setembro
Entrada livre

Georges Dussaud - Obras Escolhidas 1980/2014
Comissário: Jorge da Costa


As imagens de Georges Dussaud (Brou, França, 1934), fotógrafo que há mais de 35 anos tem vindo a desenvolver o seu trabalho sobre o nosso país, parecem apontar para um terreno aberto a todo o tipo de incursões. São uma declaração do seu encantamento, dos seus encontros diretos e da convivência fraterna com as pessoas e os seus modos de vida: seja em ambiente de festa, na dureza do trabalho ou na intimidade da casa.
Entre o realismo e a poesia, o documental e o artístico, as suas imagens fazem-se de assuntos e instantes aparentemente banais, quotidianos, histórias de vida de gente simples, que depois transforma em protagonistas de uma narrativa conjunta, mas diversa. 
As suas fotografias convocam-nos a um tempo aparentemente distante, aparentemente arcaico e agreste como testemunhos genuínos dos incontáveis percursos que, desde 1980, vem realizando um pouco por todo o país, especialmente no espaço rural transmontano, e de que resulta este heterogéneo e criterioso mapeamento do território, realizado em distintos tempos, lugares, estações e contextos.


Dussaud conhece bem Portugal e tem procurado “compreendê-lo de todas as maneiras, inventariando-lhe incansavelmente o corpo e alma”, deambulando em sucessivas peregrinações na tentativa de sobre ele construir “uma radiografia profunda” e autêntica.
Sem artifícios, as suas fotografias são o seu modo de comunicar, são a possibilidade de materializar em arte os legados banais da história; uma espécie de alegoria sem hierarquias nem linearidade temporal, onde coabitam distintos horizontes sociais, culturais e geográficos. São, sem preconceitos ou julgamentos de nenhuma ordem, uma celebração da vida.
Jorge da Costa

Le couple qui danse, 1981


Nascido em 1934 na pequena cidade de Brou, perto de Chartres, na Bretanha francesa, Georges Dussaud visitou pela primeira vez Portugal em 1980 e, a partir daí, produziu um magnífico espólio fotográfico que abrange todo o país, nomeadamente a região duriense.

Para além de Portugal, França, Cuba, Grécia e Irlanda foram outros territórios alvo das suas objetivas, tendo recebido ao longo da sua vasta carreira diversos prémios e outras distinções internacionais.

Para saber mais sobre Georges Dussaud, clicar aqui.