Bergman, da comédia à tragédia
"A Máscara" (1966), um dos títulos nucleares do universo bergmaniano

Efeméride  

Bergman, da comédia à tragédia

No centenário de Ingmar Bergman, podemos voltar a ver um conjunto de títulos emblemáticos da sua filmografia, muitos deles em cópias digitais restauradas — em Lisboa, Porto, Braga e Setúbal.

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O centenário de Ingmar Bergman — nasceu em 1918, tendo falecido em 2007, contava 89 anos — tem sido pretexto para as mais diversas homenagens. E ainda bem! É importante cultivar a memória para além das obrigações oficiais que as efemérides atraem... Saúde-se, por isso, o regresso de 23 filmes às salas de cinema, numa renovada iniciativa da Medeia Filmes (primeiro em Lisboa, depois no Porto, Braga e Setúbal).

Assim, será possível ver ou rever títulos que vão desde a década de 50, na Suécia, até ao "desvio" alemão de "Da Vida das Marionetas" (1980), passando por alguns dos títulos que desempenharam um papel decisivo na consagração internacional de Bergman, incluindo "Mónica e o Desejo" (1953), "O Sétimo Selo" e "Morangos Silvestres" (ambos de 1957), "A Máscara" (1966) e "Lágrimas e Suspiros" (1972). Isto sem esquecer os filmes/séries de televisão que são "Cenas da Vida Conjugal" (1973) e "Fanny e Alexandre" (1972).

Muitos dos títulos a exibir são apresentados em cópias digitais restauradas. Eis três dos mais esquecidos, porventura dos mais surpreendentes:

* RITUAL (1969) — Embora tenha passado nas salas de vários países (incluindo Portugal), este é, de facto, na origem, um telefilme. Ou seja: um sintoma da disponibilidade que Bergman sempre revelou na superação das fronteiras tradicionais cinema/televisão. Centrado no labor de uma trupe de actores, é também um dos seus trabalhos mais radicais sobre o teatro e as ambivalências da representação.

* A FORÇA DO SEXO FRACO (1964) — Quase sempre omitido nas memórias biográficas do seu autor, será, ironicamente, um dos seus trabalhos mais pessoais: uma reflexão, em tom de implacável comédia, sobre um artista (um músico) e a sua "corte" feminina. Foi o primeiro filme de Bergman rodado em película a cores.

* DA VIDA DAS MARIONETAS (1980) — Produto do exílio alemão de Bergman, quando o cineasta teve de enfrentar as autoridades fiscais do seu país — jogando com imagens a cores e a preto e branco, esta é, afinal, uma variação trágica sobre um dos temas mais persistentes no universo bergmaniano: a formação de um par homem/mulher e os fantasmas que o habitam, por vezes desafiando as fronteiras entre a vida e a morte.

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publicado 23:59 - 05 dezembro '18

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