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Cenas de uma "outra" América

"The Florida Project" retrata o universo peculiar de um motel habitado por muitas personagens à deriva — realizado por Sean Baker, o filme valeu a Willem Dafoe uma nomeação para o Oscar de melhor actor secundário.

Cenas de uma outra América
Willem Dafoe e Brooklynn Prince — um filme que privilegia os actores
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 Cenas de uma outra América
The Florida Project Orlando, Florida. A capital mundial das férias. Um paraíso soalheiro ao qual acorrem anualmente milhões de turistas de todo o mundo, que ali gastam ansiosamente as suas poupanças para férias. Um Reino Mágico que preside sobre incontáveis parques temáticos, jantares com espectáculos e estâncias de férias. Mas a escassos passos destes 112km2 área de magia, a história que se conta é bem ...

É sempre interessante encontrar um projecto cinematográfico que atribua real importância aos seus actores — afinal de contas, a presença de um corpo humano não se confunde com as proezas de uma qualquer figura digital... "The Florida Project", retrato de um motel na Florida assinado por Sean Baker, é um desses projectos que aposta nos actores para gerar verdadeiras personagens.

Aliás, convém lembrar que Willem Dafoe, precisamente o intérprete do gerente do motel, foi nomeado para o Oscar de melhor actor secundário. Os seus confrontos com a pequena e fogosa Moonee, interpretada pela deliciosa Brooklynn Prince, são momentos tocantes de um mundo colorido, mas assombrado por muitas formas de decadência e solidão — em qualquer caso, a mais sofisticada composição do filme pertence a Bria Vinaite, no papel da mãe de Moonee.

Dito isto, não podemos deixar de lamentar que "The Florida Project" seja um daqueles filmes que confunde a criação pitoresca de um "ambiente" com a construção de um verdadeiro projecto narrativo. E se é verdade que personagens e lugares são genuínos, não é menos verdade que o filme se vai satisfazendo com um tom de "reportagem" superficial que, a certa altura, se torna repetitivo, dramaticamente inconsequente.

Sublinhemos, em qualquer caso, que este é um objecto capaz de expor as feridas emocionais de uma outra América, afinal lado a lado com as mitologias nacionais — recorde-se que o título evoca a construção do Disney World, situado nas imediações do motel em que decorre quase toda a acção. Existiria aqui, talvez, matéria suficiente para um grande filme realista.

Crítica de João Lopes actualizado às 01:21 - 17 fevereiro '18
publicado 01:15 - 17 fevereiro '18

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