Estreias  

Na fronteira entre homens e máquinas

Drake Doremus, o realizador de "Iguais", regressa aos temas de ficção científica: "Zoe", com Ewan McGregor e Léa Seydoux, projecta-nos num futuro próximo em que os robots partilham a intimidade dos humanos.

Na fronteira entre homens e máquinas
No mundo de "Zoe": novas relações entre seres humanos e robots
Crítica de
Subscrição das suas críticas
135
Trailer/Cartaz/Sinopse:
 Na fronteira entre homens e máquinas
Zoe Zoe (Léa Seydoux) e Cole (Ewan McGregor) são colegas e amantes secretos nos Relationist Labs, um avançado laboratório de investigação focado no design de poderosas tecnologias capazes de melhorar e aperfeiçoar as relações românticas humanas. Contudo, a sua relação é ameaçada quando Zoe descobre uma dura verdade sobre o seu relacionamento, levando-a a uma conturbada espiral de confusão, traição e ...

Os seres humanos e os robots por eles inventados... Ou ainda: os robots nos lugares dos humanos, preenchendo as suas funções, porventura duplicando os seus afectos... São elementos clássicos da ficção científica que, em qualquer caso, possuem um fascínio regularmente reinvestido por novas narrativas — "Zoe", do americano Drake Doremus, é mais um sugestivo exemplo [Festival de Tribeca].

Pode dizer-se, aliás, que Doremus reforça, aqui, o seu empenho em experimentar variações sobre aquela herança clássica. Conhecíamos, de facto, o seu muito sugestivo "Iguais" (2015), com Kristen Stewart e Nicholas Hoult, situado também num futuro mais ou menos próximo em que o Estado tinha conseguido "simplificar" todas as relações humanas, abolindo as emoções... Agora, Zoe (Léa Seydoux) e Cole (Ewan McGregor) vivem uma odisseia de perturbante vacilação da fronteira homem/máquina.

Embora evitando expor os "segredos" da intriga, creio que será pertinente sublinhar uma ideia simples, mas essencial. A saber: o tema fulcral de "Zoe" não será exactamente o sistema de relações entre humanos e robots; em boa verdade, deparamos com um universo cujo envolvimento dramático começa, não da diferença entre uns e outros, mas sim na indiferenciação em que tudo acontece.

E pensamos, por exemplo, no caso recente da série "Westworld" (aliás, inspirada num filme homónimo de Michael Crichton, produzido em 1973). Seja como for, não se trata de encenar um jogo de aparências, mas sim de antecipar um tempo em que a conjugação da pesquisa científica e dos valores sociais gera inesperadas trocas entre seres vivos e máquinas... também vivas. No limite, "Zoe" é uma história de amor.

Crítica de João Lopes
publicado 13:49 - 20 setembro '18

Recomendamos: Veja mais Críticas de João Lopes