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Os Três Tenores... e mais além

Para muitos, Luciano Pavarotti terá sido descoberto através dos Três Tenores. O certo é que a sua carreira e, afinal, toda a sua existência envolve um amor pela ópera que excede o âmbito dessa experiência — o filme de Ron Howard é um belo tributo à energia criativa de Pavarotti.

Os Três Tenores... e mais além
Plácido Domingo, Luciano Pavarotti e José Carreras — uma aliança de amizade e amor pela ópera
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 Os Três Tenores... e mais além
Pavarotti O Campeonato do Mundo de Futebol de 1990 em Itália foi o momento em que a ópera deixou de ser exclusiva das elites e atingiu as massas. A estrela da ópera Pavarotti juntou-se aos colegas tenores Plácido Domingo e José Carreras no palco em Roma, numa transmissão vista por 1.4 biliões de pessoas no mundo inteiro. A poderosa interpretação de “Nessun Dorma” continua a representar uma das mais ...

É frequente associarmos o nome de Ron Howard a espectáculos mais ou menos artificiosos e, por assim dizer, formalmente "especulativos" — lembremos os exemplos de "Cocoon" (1985), "Grinch" (2000) ou "O Código Da Vinci" (2006). O certo é que alguns dos seus melhores filmes são variações dramáticas sobre personagens e situações verídicas — é o caso de "Apollo 13" (1995) ou "Frost/Nixon" (2008).

Mais recentemente, o seu impulso realista levou-o a fazer "The Beatles: Eight Days a Week" (2016), magnífico documentário sobre as performances ao vivo dos quatro de Liverpool e, em particular, sobre a sua conquista do mercado americano. Com o novo "Pavarotti", reencontramos o mesmo impulso: um retrato de Luciano Pavarotti(1935-2007) que passa, obrigatoriamente, pela experiência dos Três Tenores, mas excedendo o seu âmbito artístico.

Claro que a aliança de Pavarotti com Plácido Domingo e José Carreras — iniciada num lendário concerto, em Caracalla, Roma, no âmbito do Mundial de Futebol de 1990 — define um capítulo fundamental na trajectória do tenor nascido em Modena, Itália. O certo é que, através de um brilhantíssimo trabalho de montagem (o documentário é também uma narrativa), o filme consegue cruzar a vida pública de Pavarotti com o seu universo privado, numa dinâmica artística e humana que nunca cede a qualquer lógica "voyeurista" e "cor de rosa". Sem esquecer, claro, a sua coabitação artística com muitos nomes do pop rock, em especial através da série de concertos "Pavarotti & Friends".

Estamos, afinal, perante um exemplo modelar de recuperação e reorganização de muitos materiais de arquivo, de entidades oficiais aos registos familiares, a provar que documentar é também saber lidar com as memórias inscritas nas  imagens e nos sons. Tendo em conta que, recentemente, chegou ao mercado português outro caso notável de labor documental como é "Os Olhos de Orson Welles", de Mark Cousins, importa também sublinhar que o mercado só tem a ganhar com esta diversificação da oferta.

Crítica de João Lopes actualizado às 23:24 - 21 junho '19
publicado 23:18 - 21 junho '19

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