Os outros filmes de Cannes
"Euforia": Valerio Mastandrea e Riccardo Scamarcio sob a direcção de Valeria Golino

Cannes 2018  

Os "outros" filmes de Cannes

Como ver todos os filmes que passam em Cannes, durante os doze dias do festival?... Na verdade, apenas é possível registar memórias de uma pequena parte — e com entusiasmo.

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Concluído o 71º Festival de Cannes — Palma de Ouro: "Une Affaire de Famille", de Hirokazu Kore-eda (Japão) —, importa relembrar que ninguém tem capacidade para registar todas as novidades. Desde logo, porque só na selecção oficial (filmes que concorrem para a Palma + extra-competição + sessões especiais + clássicos + "Un Certain Regard") são apresentados cerca de oito dezenas de títulos; sem esquecer que a Quinzena dos Realizadores e a Semana da Crítica oferecem mais de trinta... e que há todo um imenso mercado com centenas de projecções diárias...

Daí que os "outros" filmes de Cannes seja apenas uma pequena colecção de descobertas, esperando que o mercado português, mais tarde ou mais cedo (de preferência mais cedo que tarde), possa dar-lhes alguma visibilidade.

* WILDLIFE, de Paul Dano [Semana da Crítica] — estreia na realização do actor americano Paul Dano, eis um caso exemplar de retorno às matrizes clássicas do drama familiar; com Cary Mulligan, Jake Gyllenhaal e Ed Oxenbould (que descobrimos em "A Visita", de M. Night Shyamalan), adapta o romance homónimo de Richard Ford.

* DONBASS, de Sergei Loznitsa ["Un Certain Regard"] — colecção de situações dramáticas que vão construindo um retrato detalhado e incisivo do presente ucraniano; ainda e sempre, Loznitsa sabe combinar de forma magistral a subtileza da ficção com o impulso documental [fragmento].


* THE EYES OF ORSON WELLES, de Mark Cousins [Cannes Classics] — pelo autor da série "The Story of Film", eis uma viagem empolgante pelo universo do autor de "Citizen Kane", contando com a colaboração de Beatrice Welles, filha do cineasta; ponto de partida inusitado, mas fascinante: os desenhos do próprio Welles.

* BERGMAN: A YEAR IN A LIFE, de Jane Magnusson [Cannes Classics] — uma revisitação exemplar do universo de Ingmar Bergman, incluindo muitas imagens do seu trabalho de bastidores e do domínio privado, tendo como núcleo as memórias do ano decisivo de 1957 (o de "O Sétimo Selo" e "Morangos Silvestres"). 

* LEAVE NO TRACE, de Debra Granik [Quinzena dos Realizadores] — A realizadora de "Despojos de Inverno" (2010), filme revelação de Jennifer Lawrence, regressa com uma crónica enigmática e envolvente, centrada num par pai/filha a viver numa estranha marginalidade; com os magníficos Ben Foster e Thomasin McKenzie [trailer].


* THE HOUSE THAT JACK BUILT, de Lars von Trier [selecção oficial, extra-competição] — Regressado a Cannes, o cineasta dinamarquês confirmou a sua fama de não alinhado, propondo uma viagem tão incisiva quanto perturbante na companhia de um "serial killer" interpretado por Matt Dillon — aparência de "thriller", estrutura de diálogo filosófico (com o espectador).

* EUFORIA, de Valeria Golino ["Un Certain Regard"] — Confirmando as subtilezas da sua longa-metragem "Mel" (2013), Valeria Golino volta a assinar um melodrama recheado de emoções — centrado nas convulsões de dois irmãos, magnificamente interpretados por Riccardo Scamarcio e Valerio Mastandrea.

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publicado 16:02 - 21 maio '18

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