Para redescobrir a fase final da obra de Buñuel
Jean Sorel e Catherine Deneuve em "A Bela de Dia" (1966) — agora em cópia 4K

Memória  

Para redescobrir a fase final da obra de Buñuel

O nome de Luis Buñuel volta a estar na actualidade cinematográfica: um ciclo de dez filmes permite descobrir, em particular, a fase final do seu trabalho, com destaque para a trilogia construída sob o signo da burguesia.

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Desejo singelo: aguardávamos a reabertura das salas de cinema para voltar a ver filmes na verdade insubstituível do ecrã... Novos filmes, sem dúvida. Mas também filmes que nos ajudem a preservar um valor vital, cinéfilo e comercial, cultural e civilizacional. A saber: a memória.

Assim acontece com o ciclo dedicado ao mestre espanhol Luis Buñuel (1900 - 1983) que a Medeia Filmes iniciou em Lisboa (Nimas) e Porto (Teatro Municipal Campo Alegre), a pouco e pouco alargando-se a outras cidades: Coimbra (Teatro Académico Gil Vicente), Setúbal (Charlot - Auditório Municipal), Figueira da Foz (Centro de Artes e Espectáculos) e Braga (Theatro Circo).

Trata-se, aliás, do prolongamento de um outro ciclo, realizado no Verão de 2019. Desta vez, a selecção incide sobretudo na fase final da obra de Buñuel.

A programação inclui uma dezena de títulos (oito deles em cópias restauradas, sendo uma delas, a de "A Bela de Dia", em 4K):

* "Labirinto Infernal" (1956)
* "A Febre Sobe em El Pao" (1959)
* "O Anjo Exterminador" (1962)
* "Diário de Uma Criada de Quarto" (1963)
* "Simão do Deserto" (1965)
* "A Bela de Dia" (1966)
* "Via Láctea" (1969)
* "O Charme Discreto da Burguesia" (1972)
* "O Fantasma da Liberdade" (1974)
* "Este Obscuro Objecto do Desejo" (1977)

Estamos perante um panorama tanto mais sugestivo quanto podemos encontrar aqui as marcas do ziguezague geográfico e cultural de Buñuel, desde as obras do período mexicano até à trilogia final gerada sob o signo da burguesia, e do seu "charme discreto", para desembocar nos enigmas radicais, porventura insondáveis, dos movimentos do desejo — não é impunemente que se fecha uma filmografia com um título dedicado a "este obscuro objecto do desejo".

Detalhe curioso é o facto de haver aqui uma estreia no circuito comercial: "O Anjo Exterminador", um dos títulos em que Buñuel dirigiu a actriz mexicana Silvia Pinal, depois de "Viridiana" (1961) e antes de "Simão do Deserto". Trata-se, além do mais, de um dos filmes mais perversamente surreais (ecos do surrrealismo, sem dúvida...) da obra do seu autor.

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publicado 01:44 - 15 junho '20

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