Estreias  

Um dramático preço artístico

A série "Velocidade Furiosa" surge, agora, com uma variação que promove Dwayne Johnson e Jason Statham à condição de protagonistas — muito ruído, nenhum cinema.

Um dramático preço artístico
Jason Statham e Dwayne Johnson a tentar salvar o mundo... destruindo a cinefilia
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O trailer de "Velocidade Furiosa: Hobbs & Shaw" é inequivocamente esclarecedor: trata-se de acumular até ao tédio mais completo uma agitação (?) visual, gratuita e ridícula, a todos os instantes sublinhada por uma banda sonora apostada em ensurdecer os espectadores — aquilo que podemos ver em cerca de dois penosos minutos condensa, afinal, a lógica (??) de mise en scène (???) de mais de duas horas de projecção...


É verdade que, nos primeiros dos seus já oito episódios (este nono é uma derivação protagonizada por Dwayne Johnson e Jason Statham), em particular no título fundador, em 2001 (com Vin Diesel e o falecido Paul Walker), ainda havia algum empenho em explorar o conceito de velocidade como raiz de um espectáculo assumidamente circense. Agora, dir-se-ia que assistimos às infinitas e patéticas variações de um mau videojogo, vagamente "embrulhado" numa intriga policial...

Em cena está, assim, a possibilidade do fim do planeta através de um vírus letal... Nada mais nada menos que uma cópia preguiçosa dos lugares-comuns de argumento (?)  que têm conduzido à inanidade de muitos títulos de super-heróis. Respectivamente como Luke Hobbs e Deckard Shaw, Johnson e Statham são, além do mais, exemplos da mais patética incapacidade de representação.

E talvez seja esse o mais dramático preço artístico que pagamos por este cinema anti-cinefilia. Ou seja: uma indiferença militante pelo trabalho dos actores. Fica, aliás, uma pergunta triste: que está a fazer no meio de tudo isto uma actriz tão talentosa como Helen Mirren, ela que começou na Royal Shakespeare Company?

Crítica de João Lopes
publicado 17:30 - 01 agosto '19

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