Sociedade

Trabalhadores das misericórdias dos Açores em greve

Os trabalhadores das misericórdias dos Açores estarão em greve todas as sextas-feiras até final do ano, a partir de 23 de novembro, num total de seis dias, reclamando aumentos salariais e "dignidade" das suas carreiras.

Trabalhadores das misericórdias dos Açores em greve

Misericórdia de Angra do Heroísmo



De acordo com o pré-aviso de greve, enviado às redações pelo SINTAP -- Sindicato dos Trabalhadores da Administração Pública, é referido que esta abarca todos os trabalhadores "independentemente da natureza do vínculo, cargo, função ou setor de atividade" dentro das misericórdias do arquipélago.

Dirigindo-se ao Governo dos Açores, ao presidente da união regional das misericórdias e a todas as misericórdias açorianas, o SINTAP pede aumentos salariais e o "respeito pelo princípio da atualização anual dos salários e matérias de natureza pecuniária".

"Durante a greve, o SINTAP e os trabalhadores das misericórdias dos Açores comprometem-se a assegurar a prestação de serviços mínimos", refere ainda o comunicado do sindicato.

Aos jornalistas, o SINTAP dos Açores fez hoje também chegar um caderno reivindicativo para 2019, onde é referido que "os trabalhadores da Administração Pública" regional, bem como os trabalhadores das IPSS/Misericórdias locais, "continuam a ser penalizados nos seus rendimentos em virtude dos congelamentos anuais das progressões, promoções e aumentos salariais havidos sucessivamente desde 2010".

E prossegue a nota: "Retomar, pois, os aumentos anuais dos salários dos trabalhadores em funções públicas e dos trabalhadores das IPSS/Misericórdias que permitam recuperar os respetivos rendimentos constituirá uma prioridade reivindicativa do SINTAP nos próximos anos".

Ainda neste campo, é lembrado que em 2018 se conseguiu aumentos salariais de 1% para os trabalhadores das IPSS, "o mesmo já não acontecendo com as misericórdias, por abandono das negociações, pelo que neste particular, e por uma questão de equidade e de justiça, o SINTAP defende a extensão destes aumentos aos trabalhadores das misericórdias dos Açores e a abertura de processos negociais com vista à defesa de aumentos salariais para 2019".

O aumento da remuneração complementar é outra das medidas defendidas pelo sindicato: "Continuamos a defender a necessidade urgente de se proceder à revisão e atualização desta remuneração, inalterada desde 2012, reivindicando o SINTAP um esforço de atualização superior a 10%", refere a estrutura.

Um acordo coletivo de trabalho com os hospitais de Ponta Delgada, Horta e Angra do Heroísmo, a regularização de vínculos precários em áreas como a educação ou a saúde e o desagravamento da carga fiscal na região são outras medidas elencadas pelo sindicato como necessárias em 2019.


Lusa