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Dino D`Santiago novo disco ("Badiu") e concerto

Coliseu de Lisboa | 2 Abril 2022

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Dino D`Santiago novo disco (Badiu) e concerto

DINO D’SANTIAGO regressa às edições com o novo álbum de originais ‘Badiu’ - 26 de Novembro), e anuncia concerto no COLISEU DE LISBOA para 2 de Abril 2022.

Influenciado pela paternidade, por várias mudanças no seu quotidiano e vida familiar, e por um contexto de pandemia que se revelou demasiado intenso, DINO D’SANTIAGO rodeou-se dos seus companheiros de viagem habituais, de uma equipa de estúdio, músicos, produtores, família, e durante quatro semanas refugiou-se nos arredores de Lisboa, onde viveu, respirou, maturou e executou ideias, sons, pensamentos, música.
Rodeado por uma paisagem bucólica, o compositor quarteirense e equipa, como guerreiros empurrados dos até ao limite da resistência humana, pois na música a inspiração é amiga da madrugada, serviram-se dela para mapear o batuque, despir a Kizomba de tudo o que é supérfluo, colheram harmonias onde só a morna consegue, e fizeram deste ‘Badiu’, com que nos brindam, uma ode à sua nova condição de pai do pequeno Lucas e um brilhante complemento do antecessor 'Kriola'.

O conjunto de canções que compõem este álbum foram inspiradas na jornada do povo Badiu do interior da ilha de Santiago até às metrópoles da América e Europa, até à minha Quarteira umbilical”, explica Dino d’Santiago. “A música é o grande passaporte da cultura cabo-verdiana no mundo. Presente em todos os momentos marcantes da história do país, é através dela que as memórias ancestrais são catalogadas e transportadas para o futuro. Estou mais otimista do que nunca com o futuro, disposto a dar voz à poesia, mas também à vida, tal como ela é, bela e trágica.”
DINO D’SANTIAGO volta a cantar aqui as histórias de Cabo Verde e da sua vasta diáspora, sobe as montanhas da Assomada no interior de Santiago, a ilha que recebeu o maior número de pessoas escravizadas trazidas dos territórios onde se situam hoje o Senegal e a Gâmbia. O que valeu a Santiago o título: a mais africana das ilhas de Cabo Verde. O lugar onde a população negra, aproveitando o caos provocado pelos ataques piratas à cidade de Ribeira Grande, fugia do cativeiro para as montanhas do interior. E a estes grupos de escravizados foragidos chamaram-se, ‘Badius’ (vadios). Um termo historicamente depreciativo, mas que a partir do século XX foi sendo reapropriado e promovido a símbolo de resistência nacional e orgulho.

Este ‘Badiu’ que agora apresenta, é fruto de trabalho comunitário, com muitas fronteiras, mas sem limites. Uma obra embalada pelo Batuku, catártico, cru e negro, que permitiu que gerações novas de cabo-verdianos se reconciliassem e aprendessem a reivindicar a sua herança africana. É a partir deste género basilar, feminino e badiu, que DINO D’SANTIAGO constrói diálogos com o mundo da eletrónica, zouk ou hip-hop. Dando voz às histórias, angústias e alegrias da nação crioula que tem o Atlântico como uma extensão do seu território e a música como o único refúgio para a alegria. Como tem vindo a acontecer desde 'Mundu Nôbu', o autor de 'Nova Lisboa' volta a assinar a produção executiva ao lado de Kalaf Epalanga e Seiji. Para além dos produtores com quem tem vindo a colaborar frequentemente, Nosa Apollo, Toty Sa’Med ou Branko, a viagem sónica e afro-futurista deste 'Badiu' conta também contribuições preciosas de vários nomes, tanto a nível da produção, como da composição ou interpretação.