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António Zambujo na Antena 1

Dia 5 de Dezembro às 9h

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António Zambujo na Antena 1

Dia 5 de Dezembro o cantor e músico alentejano vem ao Programa da Manhã para falar com José Carlos Trindade sobre o seu novo álbum "Do Avesso"

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“Do Avesso”: António Zambujo como nunca o ouvimos

O novo álbum, que chegou às lojas a 23 de Novembro, reverbera influências de Tom Waits, Paul McCartney, Caetano Veloso e Rodrigo Amarante na singularidade da voz e música de António Zambujo
Dois anos depois da homenagem a Chico Buarque imortalizada no álbum e subsequente digressão “Até Pensei que Fosse Minha” (2016), que cruzou os dois lados do atlântico, António Zambujo explora novas abordagens à sua música e evoca referências até hoje pouco exploradas no seu percurso. O resultado é “Do Avesso”, um disco arrojado, surpreendente e arrebatador.
Tom Waits, Paul McCartney, Caetano Veloso e Rodrigo Amarante são algumas das inspirações que reverberam na audição deste novo álbum e que, no enlace com a personalidade musical única de António Zambujo, resultam num conjunto de canções que evocam cenários literários e cinematográficos. “A música acaba por nos moldar ao longo da vida. Estes músicos ajudam a que eu seja como sou hoje. Mal ou bem, sou o que sou graças ao que oiço”, afirma. É por isso que o processo criativo deste álbum não tem um ponto temporal definido, porque nasce da audição, da fruição pura da música ou como diz António Zambujo, “É um processo permanente”. Depois de muito ouvir, de escolher as parcerias e canções que pretendia – “infelizmente não as posso gravar todas, mas não se perdem…” – começou a trabalhar nos arranjos de cada tema, com os músicos e produtores que convidou: Nuno Rafael, Filipe Melo e João Moreira. Esta colaboração foi um caminho “muito natural, positivo e intenso”, afirma. Filipe Melo sugeriu-lhe que nalgumas das canções, desde logo no primeiro single, “Sem Palavras” (música de Mário Laginha e letra de João Monge), gravasse com uma orquestra. A Orquestra Sinfonietta de Lisboa e o maestro Vasco Pearce de Azevedo foram escolhidos para o que António Zambujo descreve como uma experiência “maravilhosa. Sempre admirei a imagem do crooner de jazz e emocionei-me muito quando tive a felicidade de gravar com a Sinfonietta”.


Em “Do Avesso”, António Zambujo compôs a música de canções, como “Arrufo” (com letra de Pedro da Silva Martins), “Retrato de Bolso” (letra de Aldina Duarte) e “Moda Antiga” (letra de João Monge) e rodeou-se de músicos que admira, entre estreias e colaboradores de longa data, como Luísa Sobral, Miguel Araújo (que compôs o tema “Catavento da Sé”, inspirado na música tradicional “Acorda Maria Acorda”), Márcia, Pedro da Silva Martins, Jorge Benvinda (Virgem Suta), Paulo Abreu de Lima, Aldina Duarte, Mário Laginha e João Monge.
A música popular brasileira, uma referência musical perene na vida de António Zambujo, ouve-se em canções de Milton Nascimento (“Fruta Boa”, com letra de Fernando Brant), Cézar Mendes e Arnaldo Antunes (“Até o Fim”) e Rodrigo Maranhão (“Do Avesso”). Zambujo canta ainda dois temas em espanhol, o clássico “Amapola”, de José Maria Lacalle, e “Madera de Deriva”, do uruguaio Jorge Drexler.
“Do Avesso” pode muito bem ser a consagração definitiva do génio musical de António Zambujo mas o próprio descreve-o apenas com um quase aforismo: “Podem esperar o que de melhor tenho para dar”.