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Yami na tarde da Antena 1

Dia 14 às 15 h

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Yami na tarde da Antena 1

Yami, o músico luso-angolano que editou no dia 15 de Março o álbum "Casa" veIO à Tarde da Antena 1 no dia 14 de Maio (15h) cantar duas canções e conversar com Filomena Crespo.


De 1 a 23 de Dezembro de 2016, o cantor, compositor, produtor, letrista e multiinstrumentista luso-angolano Yami Aolelela fez uma viagem de jipe de sul a norte de Angola, o país em que nasceu. Acompanhado pelo irmão mais velho, a viagem começou no deserto do Namibe e só viria a terminar – mais de cinco mil quilómetros depois – no Uíge. Foi uma viagem reveladora e transformadora mas também catártica e redentora. E foi a pedra de toque e inspiração maior para o seu novo álbum, “Casa”, que é editado no dia 15 de Março, através da MWF – Music Without Frontiers.
Filho de um português de Braga e de uma mãe angolana e portuguesa do Uíge, Yami nasceu em Luanda e veio para Lisboa quando tinha apenas seis anos. As memórias dessa cidade mantêm-se nele bem vivas mas, da imensa outra Angola que existe à volta, nunca as teve. Esta viagem veio corrigir essa “ausência interior” e preencher o seu antigo desejo de conhecer mais profundamente esta terra que é o seu berço.
Mestiço – “café com leite”, como gosta de dizer -, Yami sempre transportou para a sua música esta condição híbrida de pertencer, convictamente, a duas culturas (e a tantas outras com que, entretanto, foi convivendo ao longo da sua vida)… Mas, desta vez, algo de muito diferente aconteceu: sentiu que o silêncio e a beleza do deserto do Namibe, o cheiro das acácias e das mangas maduras em Benguela ou a musicalidade dos pássaros e do som do vento a ricochetear nas árvores o levaram de volta a Casa. Uma Casa que, não conhecendo desta maneira, sentiu sempre estar nele, afinal.
De regresso a Lisboa, Yami fechou-se em Casa – desta vez, aquela em que vive com a mulher e os dois filhos – e durante quase dois meses compôs e escreveu as letras deste seu terceiro álbum, “Casa”. Totalmente inspirado nessa sua viagem, “Casa” foi composto e escrito, iluminado pelo Sol e acalentado pelo calor de Angola. E foi, meses depois, gravado por Yami (que produz, canta, toca guitarra acústica e baixo) com a ajuda de um naipe de músicos excepcionais: Gonçalo Sousa (harmónica), Tiago Oliveira (guitarra eléctrica), Vicky Marques (bateria), Marito Marques (percussões), Phillipe Ferreira (guitarra acústica), Carlos Lopes (cavaquinho) e Iúri Oliveira (percussões).
Um álbum que começa com duas canções directamente inspiradas pela jornada angolana: “Mussuala Mujinga”, cantado em quimbundo (uma das línguas nacionais de Angola) e dedicado à bisavó com o mesmo nome, funk-afrobeat-semba que respira felicidade e lembra o ritmo das histórias que a mãe lhe contava; e “Benguela” (letra de Paulo Abreu Lima), semba cozinhado na diáspora que reverbera o encantamento desta cidade. Já “Fado Feiticeiro” (de novo com letra de Paulo Abreu Lima) é o espelho da diversidade humana da cidade de Lisboa, caldeirão efervescente de culturas, línguas e géneros musicais que, tal como em Yami, tantas vezes se cruzam. E “Kwanda Nzoji” é a narração de um sonho dentro de um sonho esquecido, cantado em quimbundo mas influenciado pela marrabenta moçambicana e pelas polifonias vocais zulu da África do Sul.
Na senda de outras canções que já criou, “Isabel” é mais uma declaração de amor público à sua mulher, baseada nas canções de Alcione, a cantora brasileira que Isabel mais admira. E em família se continua, com “Anju” (“anjo”, em quimbundo), um puxado afro-funk de agradecimento ao irmão mais velho, maior amigo, companheiro de vida e dessa viagem. Por sua vez, “Sou Língua” celebra a lusofolia, termo que Yami prefere a lusofonia e que tem subjacente a ideia de que, na nossa herança comum, é mais o que nos une do que o que nos separa – e, talvez o tema mais “caucasiano” do disco (o rock à compita com os blues e o funk), “Sou Língua” inclui no entanto o som de uma kalimba tradicional. E, “Se o Mundo Acabar Amanhã”, ficamos pelo menos com esta nota de esperança – entre o fado tropical e o bolero mediterrânico - de quem acredita na bondade e na verdade. Finalmente, o único tema que não tem a sua assinatura é a belíssima versão de “Mãe Querida”, de Tito Paris, uma morna cantada em crioulo de Cabo Verde que homenageia a mãe de Yami, nascida em Angola mas amante da música dessas ilhas sagradas. Com inúmeras colaborações e parcerias de enorme prestígio, em concerto e ao vivo, no seu currículo – Carlos do Carmo, Mariza, Paulo de Carvalho, Ivan Lins, Sara Tavares, Anna Maria Jopek, Demis Roussos, Rahani Krijna, Munir Hossn… -, Yami Aloelela lançou a solo os álbuns “Aloelela” (2009) e “Beijo de Luz” (2016), para além de vários EPs e singles. Este seu novo álbum, “Casa”, é o culminar de um percurso riquíssimo – na música portuguesa e nas músicas do mundo - e com uma forte marca autoral, quer no seu trabalho a solo como enquanto acompanhante de outros grandes músicos e cantores.